Arquivos para a Categoria ‘Desporto’

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Insólitos: Tennis Hooligans?

Janeiro 23, 2009

Robert Mackey, NYT:

Away from the court though, Terry Brown of Australia’s Herald Sun reported that fans of each player, who had been “baiting” each other during the match, clashed in a way more usual after soccer matches:

A young woman was knocked out by a flying chair as the Australian Open again exploded into ethnic violence yesterday. Chairs were hurled around busy Garden Square and punches were thrown in the latest ugly incident.

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Insólitos (6.0) – Quando o ridículo atinge novas proporções

Agosto 24, 2008

É o estéreotipo do patético, como bem classifica Paulo Guinote a imagem do octo-campeão olímpico Michael Phelps a ensinar o Ministro português da Economia, Manuel Pinho (para quem ainda não sabe), a nadar. Quando se pensava que o governante não se podia enterrar mais, eis que ele mergulha, e acompanhado. Para completar, Manuel Pinho afirmou ao DN que o encontro foi “fortuito”. Com jornalistas, fotógrafos e tudo. Imagino qual seja a definição de “planeado” para o Ministro…

É um episódio absolutamente lamentável, apenas equiparável ao que se passou com Bill Gates, quando metade do Governo, atropelando o velho discurso populista anti-fortunas, tentou aparecer ao lado do multimilionário.

Se se tratasse de um medalhado português, como Nelson Évora ou Vanessa Fernandes, a cena seria desculpável, como um esforço do Governo em reconhecer o mérito, ou em incentivar o desporto e a competitividade. Mas não, tudo não passou do oportunismo político inqualificável de um Ministro da República. Este é o estado da Nação. Rir é o melhor remédio.

+info (DN)

Nota (ler também):

Encontro Fortuito, João Miranda, Blasfémias;

Fotografia da capa do DN era photoshop, JCD, idem.

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Blog Room: Obikwelu

Agosto 18, 2008

Uma lição de humildade, por Samuel de Paiva Pires, Estado Sentido:

Muitos têm preferido culpar o tempo ou o azar depois de se considerarem como grandes esperanças para alcançar uma medalha. Já Obikwelu toma apenas para si próprio a responsabilidade de não ter conseguido fazer melhor e ainda pede desculpa aos portugueses. Já não se usa nem é comum ver-se tamanha expressão de humildade. Fica para a posteridade.

Quem pensa ele que é para me pedir desculpa?, Ferreira Fernandes, DN (via Blasfémias):

Ele ainda há-de engolir essas palavras. Não perde pela demora. Aproveitou dizer isso agora que estamos com meio mundo a separar-nos, mas hei-de encontrá-lo. E bem pode ele ter mais um palmo de altura, mais bíceps e várias décadas menos. Vou–me a ele e espeto-lhe o dedo no peito: “Oiça lá, meta as desculpas onde quiser. Eu não as admito, ouviu?! Eu de si só quero que aceite o que tenho a agradecer-lhe.” E, depois, desbobino tudo.

Desde logo aquele dia de Atenas em que fiquei sentado no estádio muito mais tempo do que ele levou a fazer – a uma vintena de metros dos meus olhos – os seus 100 metros de prata. Varreu-se-me o rapaz que lhe ficou à frente e todos os outros. Só ele contava não porque fosse belo a correr – todos os velocistas são belos a correr – mas dele sabia-lhe a história. Claro que o isco era ele ser do meu país, mas os iscos servem para fascinar, não para cativar. E eu de Francis Obikwelu, estava, estou cativo. Toda a minha vida foi feita para saber admirar homens assim. Ele ia na volta de honra, com uma bandeirinha, e eu sentado, sem gritos, nem aplausos, com o silêncio que me dou quando pratico a minha religião. A minha religião são os homens.

[...]

Sendo assim, porque digo que lhe estou agradecido? Porque são raros os que, como Obikwelu, não pedem, trocam. Ou, melhor, não são raros, fala-se demais é dos outros. Ontem, lamentando não ter dado o que os portugueses esperavam, Obikwelu disse: “Este é o meu trabalho e queria pelo menos dar uma final aos portugueses.”

Repararam na palavra? Trabalho. É a palavra dos homens. Obrigado, Obikwelu.

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Stuff: Obikwelu

Agosto 16, 2008

Francis Obikwelu anunciou o fim da carreira, numa extrema humildade, um agradecimento profundo aos portugueses e um pedido de desculpas (talvez exagerado) por não ter correspondido às expectativas. É isto que torna um homem tão simples num ser especial. Obikwelu não pensa estar a prestar nenhum favor a ninguém; pelo contrário, nele há um sentimento de dever, uma necessidade de satisfazer o público que o acolhe. Não há arrogância, há honra. Ele é o anti-Ronaldo. E, por isso, prestou um excelente serviço – não só desporto nacional, mas sobretudo à sociedade.

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Press Room: Obikwelu. Armamento. Segredo de Estado. Letízia

Agosto 16, 2008

Obikwelu anuncia fim da carreira, Público:

Francis Obikwelu vai colocar um ponto final na sua carreira, depois da derrota de hoje na segunda meia-final dos 100 metros nos Jogos Olímpicos de Pequim. O atleta vai retirar-se e já não participará na prova dos 200m. E pediu desculpa aos portugueses por ter falhado o apuramento para a final da prova. [...]

“Não estava cansado, porque no aquecimento estava bem. Essas coisas acontecem. Mais uma vez houve falsa partida, mas não quero dar isso como desculpa. O problema foi não ter conseguido acelerar e o arranque foi muito lento. A culpa é minha”, assumiu Francis, natural da Nigéria e que obteve a nacionalidade portuguesa em 2001.

“Quero agradecer aos portugueses, porque toda a gente vê as minhas provas e quero pedir desculpa, porque estão a pagar para eu estar aqui e não consegui chegar à final. É um momento mau, porque esse é o meu trabalho. Queria dar pelo menos a final. Sinto-me na obrigação de pedir desculpas, porque esse é o meu trabalho e pagam-me para fazer isto. Deixei o meu país ficar mal.”

O velocista, que foi medalha de prata em Atenas 2004 na mesma distância dos 100m, aludiu ainda a problemas físicos para justificar o fim da sua carreira. [...]

Há dias, em Pequim, Obikwelu fez declarações que transpiravam confiança. O atleta chegou mesmo a dizer que iria surpreender a concorrência. “Sonhei com uma medalha, não tenho medo, só que a coisa não correu bem. Os outros estão muito fortes, não arranquei bem, tinha condições para estar na final, mas não consegui”, lamentou, dizendo que o melhor momento da sua carreira “não foi ganhar a medalha, foi a forma como os portugueses me trataram quando cheguei a Portugal”.

“Esse momento foi o mais giro, o mais espectacular. Há países, como a Nigéria, que quando não ganhamos uma medalha não ficam contentes, mas em Portugal o povo sempre me apoiou quando tive problemas”, agradeceu o atleta, despedindo-se com uma promessa: “Agora vou gozar a vida.”

Editorial, DN:

O mais assustador é que existe uma verdadeira corrida mundial ao armamento. Na última década as despesas militares do planeta cresceram 45%. Por causa do Afeganistão e do Iraque, os maiores gastadores são claramente os Estados Unidos, que representam quase metade das despesas globais, mas a Rússia também aumentou só no ano passado em 15% o seu investimento bélico, graças aos rendimentos dos hidrocarbonetos. Por seu lado, a China, cada vez mais próspera devido ao sucesso da sua economia, triplicou numa década as despesas militares – ainda mínimas comparadas com as americanas, mas que mostram bem as suas ambições estratégicas.

[...]

O segredo de Estado só faz sentido em situações extremas e bem definidas do ponto de vista legal. Trata-se de casos excepcionais em que o acesso público à informação – normal em democracia – tem de ser negado em nome do interesse superior do Estado. [...]

Para que a opinião pública aceite a necessidade de existir o segredo de Estado a aplicação deste deve ser reservada a casos de força maior, que não causem quaisquer dúvidas : a organização da segurança interna é uma delas.

Não somos o que a osmose nos torna – Ferreira Fernandes, DN:

O príncipe Felipe e a mulher, Letizia Ortiz, estavam a ver um jogo de basquetebol em Pequim. Foram cercados por jornalistas. Letizia foi estagiária no ABC (começou coerente com o seu futuro: um jornal monárquico) e acabou a apresentar o principal telejornal da TVE. Ela perguntou, com aquele franco falar próprio dos espanhóis, a um dos jornalistas: “E tu trabalhas para onde?” Respondeu o outro que para um jornal latino-americano. E não devia ser da imprensa cor-de-rosa porque devolveu a pergunta: quem era ela? Letizia deve ter ficado surpreendida, uma princesa de Espanha habitua-se a ser reconhecida, e respondeu: “Eu sou princesa.” Tivesse ela sido torneira mecânica, num encontro de torneiros mecânicos, ela deveria ter dado essa condição nobre: “Fui torneira mecânica.” Nós valemos pelo que fazemos, não o que a osmose nos torna. Gostaria de tê-la ouvido apresentar-se assim: “Eu fui jornalista.” Depois podia ter acrescentado o resto, simples circunstância.