Arquivos para a Categoria ‘Cultura’

Lá se vai o IVA dos meus óculos
Agosto 11, 2009
Algo sobre Socialismo
Julho 26, 2009Estou a ler o mais recente livro de Eduardo Lourenço, A Esquerda na Encruzilhada ou Fora da História? (Gradiva, 2009). Na sequência das eleições presidenciais de 1985, Lourenço escrevia um artigo que termina assim:
Não faltam sucessores no Partido Socialista. Haverá até demais como no PSD antes de Cavaco Silva [e depois..] De resto, o PS não precisa de um «sucessor» para Mário Soares. Seria um duplo e inane pleonasmo. Como Mário Soares iniciou um novo ciclo presidencial, o PS, obrigatoriamente adulto pela sua ausência [?!], precisa de um líder novo, na idade e, sobretudo, no perfil. A uma época romântica e épica seria bom que sucedesse uma outra performance, toda voltada para o século próximo e não para aquele donde vem, época encarnada em alguém que tenha a mais da competência que a Direita se outorga, o sonho e a vontade de solidariedade que são a única razão de ser da Esquerda.
Para lá da constante confusão do autor entre ideologia política e carácter pessoal, ele enganava-se em supor que Soares se evaporaria do PS, para se assumir como “pai da pátria”. Soares seria um dos coveiros de Cavaco, entregando, feliz e contente, o poder de volta ao PS. E só Sócrates viria, de certa forma, encarnar a figura desejada: se, é claro, se considerar que a profusão de medidas é sinónimo de competência, que um plano tecnológico significa voltar-se para o século próximo, e que uma crise é suficiente para justificar uma formação ideológica oportunista, onde antes havia praticamente o vazio e o remendo.
Todos os artigos que tenho lido de Lourenço são, de resto, assim. Começam com uma análise pertinente, e acabam com propostas muitas vezes em desacordo com ela. Quando fala na crise da Esquerda, pretende que ela se modernize, mas as soluções são as mesmas fórmulas do passado. E a referência à ética de Esquerda como única ética possível não pode deixar de ser vista como reflexo de alguém que nasceu, e viveu grande parte da sua vida, numa realidade em que ser de Direita era sinónimo de suportar uma ditadura. Só assim se entende o desprezo que revela e a desvalorização, quer da evolução das Direitas, quer dos maus exemplos das Esquerdas. Porque ser de Esquerda é bom e ser de Direita é mau, ponto final.
Mas vale a pena ler. Revela-nos o melhor pensamento ortodoxo do Socialismo. De resto, somos todos crianças face à estrutura de Lourenço, enquanto o seu mérito me parece muitas vezes infantil. De qualquer forma, seja qual for o juízo que se faça, e as conclusões que se tirem, é enriquecedor e coloca problemas dignos de reflexão. Fica, no entanto, a ressalva de não ter terminado de ler o livro, com tudo o que isso implica.

Eu vou
Junho 3, 2009O colunista do Público e comentador do Jornal Nacional de 6.ª (TVI) apresenta daqui a pouco, na Figueira, o seu novo livro, sobre Portugal no Século XX. Imperdível.

O Figueirense:
Um dos mais polémicos pensadores portugueses da actualidade, Vasco Pulido Valente, estará no Casino Figueira pela mão da Aletheia, a 3 de Junho [hoje], pelas 18H30. Conhecido pelas suas análises cáusticas, Pulido Valente traz à Figueira da Foz o seu mais recente livro, “Portugal – Ensaios de História e de Política”, uma obra que, segundo o administrador do Casino Figueira, “nenhum português deveria deixar de ler”
No lançamento, em Lisboa, Leonor Beleza apostou que “o Vasco acha que as coisas não vão mudar”. Eu também proponho uma aposta em relação à obra: quem quer apostar comigo em como o livro não é lá muito simpático?
Ver aqui a sinopse da obra.

Facebookianismos: James Watson e o racismo
Maio 25, 2009Lendo a entrevista ao “i” de James Watson, compreendi o que ele queria dizer, e juntei-me aos que se revoltaram contra quem o repudiava. Depois, li um artigo sobre ele de há dois anos, do Independent (a que cheguei por um link no Facebook), e passei também a repudiá-lo. Ele serviu para um propósito: desvendar o ADN. De resto, é um abjecto.
James Watson e outros como ele são muito bem aceites nas comunidades em que jovens como eu tratam as pessoas de outra cor por “os pretos”, gozam com eles e comentários racistas são encarados como coisa normal. Para cúmulo, já fui chamado de “fundamentalista” por me revoltar contra esses pensamentos. “Para cúmulo”, porque acho que as organizações anti-racistas criam problemas e tornam tudo artificial.
Mas admito que superar o racismo que temos dentro de nós não é tarefa fácil para ninguém, e, certamente, não ao alcance de todos. Eu, que tenho tido dificuldades em libertar-me dos meus pais sem me libertar das coisas boas que eles defendem, sofri o grande dilema de encontrar uma forma de não ser racista diferente da da minha mãe – o que não me dá o direito de ser racista. Acho que nem todos percebem isso.

Blog Room: Sometimes creepy, sometimes naughty
Abril 1, 2009
Passo a palavra
Março 9, 2009Agradeço ao Tiago Loureiro o convite para participar nesta espécie de corrente, em que quem tem a “batata quente” deve dirigir-se ao livro mais próximo (ou fingir que não viu o livro mais próximo – foi o que me aconteceu porque o livro mais próximo não era meu e falava de psicologia), em seguida abri-lo na página 161 (não me perguntem porquê) e encontrar a 5.ª frase completa, transcrevendo-a. Depois, é escolher cinco pessoas e passar a “batata”. Eis o que vem no meu livro mais à mão:
Mas, caso sejamos parte de um multiverso, então o nosso universo poderá ter propriedades que estão fora do alcance da explicação científica tradicional.
Brian Greene, “O Multiverso“, in Grandes Ideias Perigosas (coord. John Brockman, Edições Tinta da China).
Tenho então de escolher cinco pessoas para passar a corrente. Não podendo colocar todos os que gostaria, aqui vai: duas das revelações de 2008, Nuno Gouveia e Maria João Marques, um dos meus bloggers-referência Pedro Magalhães, e os meus ex-colegas e conterrâneos Pedro Fernandes Martins e José Miguel Iglésias. Fico à espera que sigam o repto.

Pequenas peripécias de uma curta viagem
Fevereiro 12, 2009Uma curta viagem pode ser repleta de insólitos. Há dias assim.
Quando ontem saí de casa em Coimbra e apanhei o táxi rumo à estação (Coimbra-A, como é hábito), julguei que as minhas pequenas aventuras desse dia se ficariam pela correria de arrumar a mala e a mochila do PC e dos livros, e dirigir-me apressadamente ao mini-mercado mais próximo, o melhor ponto de referência para indicar à central de táxis. Como costumo esquecer-me do nome da rua onde vivo, o que é um pouco embaraçoso (aliás, neste momento não sei o nome da minha rua), indico sempre o Ulmar, assim se chama o estabelecimento, para aí me encontrar com aqueles veículos pretos e verdes, às vezes num horrível bege (detesto os táxis dessa cor), enfiar a mala na bagageira, e seguir para a parte da frente, umas vezes junto ao motorista, outras à burguês, no banco de trás. Afonso Henriques, chama-se a rua do Ulmar – sei-o porque a telefonista dos táxis mo disse, para confirmar o local, a que eu anuí rapidamente. Read the rest of this entry ?

Insólitos: Os Deuses devem estar loucos… O que é que eles beberam?
Fevereiro 6, 2009Para Miguel Portas, o PSD tem tantas hipóteses de governar como o BE. Para além de este absurdo demonstrar uma boa dose de megalomania, sugere uma certa intenção de lutar directamente com o PSD por votos. Miguel Portas pisca, assim, o olho aos eleitores do PSD, e, ao fazê-lo, tanto poderá estar num momento de alucinação como num de visão realista. Esta segunda hipótese é preocupante, porque significará a constatação de que o eleitorado português (ou, pelo menos, parte dele) terá perdido padrões ideológicos, tornando-se mais indiferente e flexível (e, como tal, propenso a cair em opções populistas ou extremas).
Ferreira Fernandes diz que detesta loucos. Já que a linha que separa o génio da loucura é muito ténue, suponho que ele teria lançado Newton, Freud e São Franscisco para uma fogueira qualquer, por via das dúvidas. E que feio seria o Mundo, se fosse só feito de uma panóplia maquinal de senhores politicamente correctos, sempre comedidos e comportados, cobardes, incapazes de se sacrificar por algo maior do que eles, ou de fugir às rédeas do status quo… Bons loucos é o que mais precisamos. FF diz também que os jornalistas e historiadores não merecem o passado deste país, como se os que fizeram a nossa História tivessem de ter por objectivo agradar a esses juízes supremos, e estas classes fossem como que transgénicas, imunes à mediocridade nacional. Desapontante. Shame on you!