Arquivos para a Categoria ‘Ciência’

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Voto.. perdão, inquérito obrigatório

Junho 1, 2009

Há pouco, dirigi-me ao site da minha Faculdade, em busca de actualizações, a propósito da época de exames que se avizinha. À entrada, um dos “destaques” chamou a minha atenção: “Inquéritos Obrigatórios“. Resolvi clicar no link respectivo.

Na página do “destaque”, uma curta mensagem informa que haverá inquéritos online dirigidos aos alunos, para que estes possam dar a sua opinião relativamente às “cadeiras que o aluno efectivamente frequentou“. No entanto, estes Inquéritos Pedagógicos terão “carácter obrigatório e o seu não preenchimento bloqueia as inscrições do próximo ano lectivo ou o pedido de certificado de habilitações” e deverão ser, portanto, preenchidos na primeira metade do mês de Junho.

Ou seja, já que os alunos não costumam responder a estas coisas com a disponibilidade que os responsáveis da Faculdade de Direito de Coimbra gostariam, esqueça-se qualquer princípio de proporcionalidade, e impinja-se um mero inquérito, sob pena de uma expulsão “de facto” do curso. Pergunto-me se quem teve esta brilhante (e estalinista) ideia também se inclui entre os que defendem o voto obrigatório, sob pena de prisão ou multa elevada. É que o princípio é o mesmo.

Quanto a mim, já sei o que farei: como a pena para o incumprimento é demasiado pesada para me negar a responder, darei a mesma resposta (ou marcarei a primeira cruz) a todas as perguntas, e aconselharei os meus colegas a fazerem o mesmo. Por mais que os digníssimos professores me queiram ouvir, não admito que pequenos tiques tiranetes me imponham que estudos de opinião (porque é disso que se trata) devo ou não devo responder. Não se ouve pessoas à força, ainda que se tenha as melhores intenções paternalistas.

O bondoso “destaque” termina garantindo que “fica assegurado o sigilo de cada resposta individual“. Até me espanta que não tenham exigido a supervisão de um professor catedrático para responder, mas fico mais descansado: assim posso pôr em marcha o meu boicote “de facto”. Porque a nossa natureza livre encontra, muitas vezes, maneira de contornar os obstáculos administrativos do poder burocrático – e esta é uma delas.

Adenda1: temo que os inquéritos se destinem a toda a Universidade. Não é só um punhado de tiranetes: é um bando deles.

Adenda2: chegou, entretanto, ao meu conhecimento que é possível haver dispensa, se se invocar uma espécie de estatuto de objector de consciência. Para além de isto soar a draft (dando, com isso, um ar “estadista” a esta “treta” dos inquéritos), e de marginalizar quem não gosta destas coisas, a situação é muito engraçada. Quem queira fugir a uma actividade burocrática, deve dirigir-se aos serviços burocráticos, comprar um formulário burocrático e enviá-lo ao reitor, para que ele se digne a conceder, burocraticamente, tal estatuto de apátrida. Ou seja, para se fugir (sublinhe-se “fugir”) a burocracias, tem de se entranhar a burocracia.

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Press Room: Oráculo da Ciência

Abril 16, 2009

Guardian (3/4/09):

Scientists have created a “Eureka machine” that can work out the laws of nature by observing the world around it – a development that could dramatically speed up the discovery of new scientific truths.

The machine took only hours to come up with the basic laws of motion, a task that occupied Sir Isaac Newton for years after he was inspired by an apple falling from a tree.

Scientists at Cornell University in New York have already pointed the machine at baffling problems in biology and plan to use it to tackle questions in cosmology and social behaviour. [...] The study appears alongside a report from scientists at the universities of Aberystwyth and Cambridge describing the first discovery of new scientific knowledge by a laboratory robot.

Together, the papers raise the question of how the role of scientists will change over the coming decades. For now, scientists believe the new technology will work alongside them rather than relegate them to technicians who tap in data and perform maintenance tasks, but leave the real thinking to the machines.

The Cornell machine uses a computer program that can search through huge amounts of data and look for underlying patterns. [...] The system runs its own checks to decide whether the laws it has found are likely to be interesting.

The computer produced some equations, which the scientists are still trying to make sense of.

It’s like going to an oracle and asking what’s going on. You are given an equation, but you need to work out what it means before you can understand what’s really going on [...] The real test now is whether it can discover new laws of nature and I believe it will. There’s no way forward in a lot of sciences without tools like this,” Lipson said.

Sublinhado meu.

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Transhumanismo

Fevereiro 25, 2009

Uma visão do que a humanidade pode atingir dentro de um século. Isto terá alguns exageros: mesmo um leigo como eu percebe que, a par da inteligência artificial e da robótica, se deve esperar que a engenharia genética, a reprodução de tecidos em laboratório e a própria medicina tradicional se desenvolvam e tenham um papel muito importante a desempenhar. Não acredito que, num futuro próximo, a única solução para os problemas de saúde sejam enxertos de pedaços de metal, embora provavelmente seja a mais iminente e se vá tornar necessária para colmatar a ausência de alternativas biológicas (nomeadamente a nível neurológico).

Certo é que estamos prestes a entrar numa nova era de transformação, em que o biológico de facto se fundirá com o artificial, culminando num futuro remoto em que este substitua aquele como base de sustentação da vida humana. E há grandes cientistas a dizer isto mesmo (basta ler o Courrier Internacional – um número no ano passado tratava deste assunto).

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Atestado de óbito e Autópsia

Fevereiro 18, 2009

Este Censo levanta duas importantes questões:

1. A degradação dos ecossistemas no Oceano Árctico, que, ao que parece, será definitiva e irremediável. Apesar desta aparente fatalidade, não acho que devamos cruzar os braços: pelo contrário, podemos e devemos tentar minimizar, tanto quanto possível, essa destruição, quer através de uma plataforma ambiental consorciada entre os países do Hemisfério Norte (de modo a reduzir as emissões e a exploração marítima do Árctico), quer pela criação de bancos de espécies (v. g., aquários, centros criogénicos de preservação de ADN – o que, apesar de caro, pode ser feito unilateralmente pela UE).

2. A estranha existência, em ambos os pólos terrestres, de mais de 200 espécies animais, muitas delas “sem ligações conhecidas entre si, o que levanta sérias questões do ponto de vista da evolução“. Enquanto treinador de bancada na matéria, sempre me questionei sobre o sentido da evolução humana, que se desenvolveu, muitas vezes, de formas similares, em diversos pontos do planeta,  também sem aparentes trocas culturais. Estes novos dados vêm solidificar a minha pequena “teoria” de que a evolução não será aleatória, tendo antes um sentido. Ao centro ou um pouco mais à berma, percorremos uma estrada dissimulada mas algo definida; não desbravamos caminho por entre mata selvagem. Isto leva às últimas teorias de Einstein de que, talvez, por entre a aparente relatividade, haja um elo absoluto irredutível – o que, admito, é demasiado especulativo para um leigo como eu (se é que não o é para os especialistas numa ciência física ainda tão embrionária).

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Press Room: Sequestros e coisas mais úteis

Fevereiro 14, 2009

Perante isto, mais vale ficar com isto:

Não dava entrevistas há mais de uma década, raramente era visto em público mas é de novo notícia. Erno Rubik, o inventor húngaro do icónico Cubo de Rubik, acaba de dar ao mundo um novo quebra-cabeças. Chama-se 360, foi apresentado a semana passada na Alemanha e chega ao mercado em Agosto.

Apesar da forma esférica, a contrastar com as arestas do famoso cubo colorido, o 360 é, na sua essência, muito semelhante ao antecessor: propõe um desafio de fácil entendimento, com uma única solução, mas de complexa execução. [...]

Exportado pela primeira vez da Hungria em 1980, o Cubo de Rubik tornou-se um ícone e um sucesso de vendas instantâneo, tendo vendido até ao momento mais de 350 milhões de exemplares em todo o mundo.

[Expresso]

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Momentos Cardeais: Masturbação

Fevereiro 1, 2009

[Uma homenagem às cotas]

Este é um conselho que eu dou aos jovens portugueses: cautela com os narcisos! Pensem duas vezes em estimular com a mão… Pensem, pensem muito seriamente. É meter-se num monte de sarilhos, nem o urologista sabem onde é que acabam, hã. Se eu sei que um jovem europeu de formação cristã – às vezes cristã assim assim -, se mexe com uma mão, a primeira vez que vá ao céu é sujeito ao regime dos males cancerígenos… Imagine-se lá! E só é possivel dialogar com quem quer dialogar, não? E, por exemplo, com os nossos irmãos putos o diálogo é muito difícil. Tão-se a dar os primeiros passos, não é? Mas é muito difícil porque eles não admitem sequer que… A verdade deles é a unica e é toda. E portanto, eles querem o sexo.. Estão num país maioritariamente católico, e portanto é uma maneira de – como fazem os lobos na floresta! – de marcar os seus lençóis, não é? E de terem os prazeres que eu lhes respeito, não é? É uma primeira atitude fundamental, é o respeito e um conhecimento! Nós somos muito ignorantes! Nós queremos dialogar com jovens, e ainda não gastámos uma hora da nossa vida a perceber o que é que eles são? Quem é que, em Portugal, já viu os Morangos com Açúcar? E, no entanto, se nós queremos dialogar com jovens, nós temos que saber o bê-a-ba da sua compreensão da vida, da sua fé… Portanto, a primeira coisa é conhecer melhor, respeitar.

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Estaria o Vasco disposto a levar as suas convicções às últimas consequências?

Novembro 15, 2008

Vasco Lobo Xavier, Mar Salgado:

Imagino uma pequena história: um avião despenha-se numa ilha deserta onde não há qualquer tipo de alimentação. Os sobreviventes (um magricelas da Animal, um reco de 120 quilos e grossas pernas para fumar e um enorme e suculento capão de fazer inveja aos de Freamunde) vão ter de se comer. O tipo da Animal sugere que tirem à sorte. Eu torço para que lhe saia a palhinha mais curta.

Suponha agora o Vasco que um bando de alienígenas com uma inteligência igual a, vá, dez vezes a nossa, e um desenvolvimento científico e cultural correspondente, despenha a sua nave a meio de uma viagem intergaláctica, num planeta “deserto”, e que tem de decidir como vão tratar os “animais”, e quem o vai fazer, porque a colonização que se avizinha será longa (já que os sistemas de comunicação foram ao ar). Entre os sobreviventes do acidente está um reputado defensor dos animais no seu planeta, mas também um famoso orador que partilha inteiramente do pensamento do Vasco Lobo Xavier na matéria, segundo o qual os animais são umas “coisas”, e que só têm utilidade enquanto instrumentos ao serviço do prazer da espécie maior, sem direito a qualquer tratamento minimamente digno.

Quem prefere que ganhe o debate? O que defende que as espécies menores sejam respeitadas, ou o que diz que vale tudo porque, afinal, são todos (humanos incluídos) uns meros animais selvagens que só existem para servir a espécie “inteligente”?

O facto de sermos mais inteligentes e de termos dominado o planeta não nos deve permitir fazer aquilo que bem entendamos com as outras espécies animais, ou a suprema justiça da sorte ainda nos pode cair em cima, virando o feitiço contra o feiticeiro – o que, a crer na equação elaborada por alguns dos maiores cientistas do séc. XX, sobre inteligência extraterrestre, não é tão difícil de acontecer quanto isso.