Arquivos para a Categoria ‘Sociedade’

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Jovens e Política: em nome de uma indiferença compreensiva

Agosto 18, 2009

A mandatária legislativa do PS tem sido muito atacada ultimamente. O facto de Carolina Patrocínio ser uma escolha light já não caía bem nalguns sectores, e foi aproveitado por outros para atacar Sócrates. A gota de água está numas declarações em que ela terá dito que só comia cerejas quando a empregada tinha previamente tirado as sementes respectivas, por lhe ser incómodo fazê-lo.

Não tenho nada contra a Carolina Patrocínio, que deve captar audiências suficientes para ter um salário que pague a empregada, que deve ficar bem contente em receber a mesada por desencaroçar as cerejas – apesar  de isso demonstrar alguma imaturidade, talvez. A empregada até pode fazer isso de bom grado, feliz por ajudar a sua “menina“. O que me parece significativo é ter sido escolhida como mandatária do PS. Por um simples facto: representa a imagem light, simples mas idílica na inocência política, e inferior que se insiste passar dos jovens.

Isto parte, obviamente, de um preconceito que subsiste na política (preconceito sublimado pelas jotas, que funcionam como o “PS/PSD dos pequeninos“), mas é possível que encontre feedback em muitos jovens, que se sintam representados dessa forma, numa espécie de realidade semelhante àquela que dá primazia social ao pior aluno. Talvez se sentissem intimidados caso a mandatária de Sócrates fosse uma brilhante cientista premiada internacionalmente. Por outro lado, também é natural que os mandatários sejam pessoas conhecidas, mas não parece tão certo que possam ser “político-excluídos”. Read the rest of this entry ?

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Lá se vai o IVA dos meus óculos

Agosto 11, 2009
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Sobre o recenseamento eleitoral

Agosto 10, 2009

É-me relativamente indiferente que a lei diga que as pessoas devem votar no local de residência, no local de trabalho, no local de nascimento ou não diga nada sobre isso. Vejo vantagens e inconvenientes em qualquer das hipóteses, pelo que admito não ter posição firmada. Possivelmente, o melhor é deixar cada um escolher o critério, mas aceito que o interesse público possa aqui impor outra coisa.

O que me parece mesmo significativo é o recenseamento automático que o cartão do cidadão traz incorporado. Se o recenseamento obrigatório é uma enorme facada nas liberdades civis do cidadão, tornando a sua capacidade eleitoral em dever legal e atribuindo-lhe sanções caso não a deseje, a sua automatização retira-lhe sequer a hipótese de executar a imposição. É uma espécie de facadinha.

O próximo passo neste cerco ao cidadão individual é óbvio: o voto obrigatório. Mas, desta vez, muitos estarão aqui para lutar activamente contra isso. Eu serei um deles.

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Quem manipula o quê, afinal?

Agosto 10, 2009

Através de um tweet, cheguei a este post no blog de apoio ao PS, Simplex. Sofia Loureiro dos Santos parte de uma notícia que viu no Público, mais ou menos desfavorável ao seu partido, para atacar o jornal, insinuando que manipulou a informação, de modo a atacar o PS:

O Público não olha a meios para atingir os fins. Como órgão de informação, o jornal Público socorre-se de todas as artimanhas para confundir e fazer campanha contra o governo e o PS.

O problema é que eu já tinha visto uma notícia, por acaso idêntica, no JN, um jornal que pertence a um grupo “amigo” do PS. A notícia, como reconheceu o @lmferreira2, provavelmente vem da Lusa, e ambos os jornais limitaram-se a reproduzi-la. 

A blogger continua, depois de disparar com artigos de leis, dizendo

Ou seja, o facto do cartão de eleitor nos colocar automaticamente na nossa freguesia de residência, poupando-nos a preocupação de a alterarmos quando mudamos de casa, é uma forma de reduzir a abstenção e não de a aumentar. Mas, mesmo que por isso não fosse, o cartão de eleitor apenas cumpre o que está na lei.

Se as pessoas que nasceram numa freguesia querem continuar a ter ligações com ela, não me parece que seja através do acto eleitoral.

Mas, ao contrário do que faz aparentar Loureiro dos Santos, a notícia não se limita a dizer que o recenseamento automático na residência vai aumentar a abstenção. Depois de apresentar a posição de duas pessoas afectadas pela medida, que dizem isso, a peça cita alguém com um pensamento contrário:

Já para o sociólogo André Freire, “faz mais sentido que as pessoas votem no local de residência”, pois “quando há ligação com a terra, há sempre e não é o facto de votar sempre lá que aumenta a relação afectiva”.

O investigador do ISCTE considera esta medida “muito positiva” pois “pode aumentar a participação dos cidadãos”.

Ou seja, na sua ânsia de atacar o Público, Sofia Loureiro dos Santos esqueceu os três últimos parágrafos da notícia, inteiramente dedicados a fazer ver o ponto de vista que ela defende.

Este recenseamento traz mudanças para a vida eleitoral de muitas pessoas – facto. Este recenseamento retira a possibilidade que muitos tinham de votar na sua terra de origem- facto. Isso é bom ou é mau? Não sei. A Sofia Loureiro dos Santos acha que é bom. Os visados acham que é mau. O jornalista que fez a notícia deu ambas as conclusões. A Sofia Loureiro dos Santos não gostou disso. E um monte de gente foi na onda.

O máximo que esta blogger poderia dizer é que não gostou do título da notícia, “Cartão do cidadão vai afastar milhares do concelho onde querem votar”, por lhe parecer distorcido. Distorcido, e não manipulado, porque não mente em nenhum aspecto: milhares de pessoas gostariam de continuar a votar no concelho onde até agora votaram, e o cartão do cidadão vai impedi-los de o fazerem. E, logo no primeiro parágrafo, qualquer dúvida fica esclarecida:

Milhares de eleitores portadores do Cartão do Cidadão vão votar obrigatoriamente pela primeira vez nas autárquicas no local da sua residência, perdendo o direito de votar no concelho onde nasceram e mantinham laços afectivos com o poder local.

Se a Sofia Loureiro dos Santos quer mostrar que tem razão em dizer que o Público faz “campanha contra o PS”, aconselho-a a escolher uma notícia em que isso aconteça, e não qualquer uma que lhe apareça à frente, só por ser negativa. Caso contrário, dá razões à conclusão de que é ela, afinal, quem não vê meios para atingir os seus fins.

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Algo sobre Socialismo

Julho 26, 2009

Estou a ler o mais recente livro de Eduardo Lourenço, A Esquerda na Encruzilhada ou Fora da História? (Gradiva, 2009). Na sequência das eleições presidenciais de 1985, Lourenço escrevia um artigo que termina assim:

Não faltam sucessores no Partido Socialista. Haverá até demais como no PSD antes de Cavaco Silva [e depois..] De resto, o PS não precisa de um «sucessor» para Mário Soares. Seria um duplo e inane pleonasmo. Como Mário Soares iniciou um novo ciclo presidencial, o PS, obrigatoriamente adulto pela sua ausência [?!], precisa de um líder novo, na idade e, sobretudo, no perfil. A uma época romântica e épica seria bom que sucedesse uma outra performance, toda voltada para o século próximo e não para aquele donde vem, época encarnada em alguém que tenha a mais da competência que a Direita se outorga, o sonho e a vontade de solidariedade que são a única razão de ser da Esquerda.

Para lá da constante confusão do autor entre ideologia política e carácter pessoal, ele enganava-se em supor que Soares se evaporaria do PS, para se assumir como “pai da pátria”. Soares seria um dos coveiros de Cavaco, entregando, feliz e contente, o poder de volta ao PS. E só Sócrates viria, de certa forma, encarnar a figura desejada: se, é claro, se considerar que a profusão de medidas é sinónimo de competência, que um plano tecnológico significa voltar-se para o século próximo, e que uma crise é suficiente para justificar uma formação ideológica oportunista, onde antes havia praticamente o vazio e o remendo.

Todos os artigos que tenho lido de Lourenço são, de resto, assim. Começam com uma análise pertinente, e acabam com propostas muitas vezes em desacordo com ela. Quando fala na crise da Esquerda, pretende que ela se modernize, mas as soluções são as mesmas fórmulas do passado. E a referência à ética de Esquerda como única ética possível não pode deixar de ser vista como reflexo de alguém que nasceu, e viveu grande parte da sua vida, numa realidade em que ser de Direita era sinónimo de suportar uma ditadura. Só assim se entende o desprezo que revela e a desvalorização, quer da evolução das Direitas, quer dos maus exemplos das Esquerdas. Porque ser de Esquerda é bom e ser de Direita é mau, ponto final.

Mas vale a pena ler. Revela-nos o melhor pensamento ortodoxo do Socialismo. De resto, somos todos crianças face à estrutura de Lourenço, enquanto o seu mérito me parece muitas vezes infantil. De qualquer forma, seja qual for o juízo que se faça, e as conclusões que se tirem, é enriquecedor e coloca problemas dignos de reflexão. Fica, no entanto, a ressalva de não ter terminado de ler o livro, com tudo o que isso implica.

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Flor de Estufa

Julho 14, 2009

Vasco Pulido Valente sobre Marcello Caetano:

Disse em 1973 a António Alçada Baptista que não tinha uma «concepção pedagógica do governo». Tinha: mas queria dizer que, para ele, a função da autoridade não era «impor às pessoas o que achava que elas deviam fazer». Pouco a pouco, porém, abandonou esta neutralidade céptica. Ele não se importaria de ser «largamente permissivo»num mundo pacífico, regido pelas regras do debate universitário, e não por gente que, a título de argumentos, «regougava» as asneiras do «velho arsenal das utopias» e do «bricabraque dos sistemas». Mas, no mundo em insurreição que lhe coubera em sorte governar, num mundo de fanáticos e de «frenéticos», em que todos aqueles que deviam o «mínimo de obediência» estavam em guerra com todos aqueles que tinham «o mínimo de autoridade», «os filhos contra os pais, as mulheres contra os homens, os alunos contra os professores, os empregados contra os patrões e os governantes contra os governados», competia-lhe não confiar nos «automatismos sociais» e manter a autoridade sem desfalecimento.

Manter a autoridade para reprimir, quando fosse necessário. Mas, fundamentalmente, para defender a «posição do centro» e dela «a cada passo fazer apelo à razão». A democracia era a morte da razão, e ele o «paladino do equilíbrio». Não se resignava (nunca se resignou) a abolir a razão, mesmo à custa da liberdade, convicto de que, limitando-a, não a matava. De que, pelo contrário, a defendia. À mercê das violências do «instinto», a liberdade, essa «flor de estufa», precisava de um poder interveniente e prescritivo para sobreviver. Ele, pelo menos, não a trairia.

Portugal: Ensaios de História e de Política, págs. 226-227.

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Eu vou

Junho 3, 2009

O colunista do Público e comentador do Jornal Nacional de 6.ª (TVI) apresenta daqui a pouco, na Figueira, o seu novo livro, sobre Portugal no Século XX. Imperdível.

O Figueirense:

Um dos mais polémicos pensadores portugueses da actualidade, Vasco Pulido Valente, estará no Casino Figueira pela mão da Aletheia, a 3 de Junho [hoje], pelas 18H30. Conhecido pelas suas análises cáusticas, Pulido Valente traz à Figueira da Foz o seu mais recente livro, “Portugal – Ensaios de História e de Política”, uma obra que, segundo o administrador do Casino Figueira, “nenhum português deveria deixar de ler”

No lançamento, em Lisboa, Leonor Beleza apostou que “o Vasco acha que as coisas não vão mudar”. Eu também proponho uma aposta em relação à obra: quem quer apostar comigo em como o livro não é lá muito simpático?

Ver aqui a sinopse da obra.

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Crítica ao PS ou ao CPMS?

Junho 2, 2009

Há quem tenha criticado correctamente a utilização, por parte do PS, do casamento entre pessoas do mesmo sexo para desviar as atenções do estado da governação. Mas essas críticas têm vindo a ser mobilizadas por pessoas que as ouvem como um incentivo à discriminação (pelo que ficam satisfeitas). Por isso, torna-se necessário algum esforço para destrinçar o assunto, e tratá-lo com a precisão que ele merece.

Nota: o PSD poderia perfeitamente ter evitado que o PS fizesse este jogo, admitindo o casamento homossexual. MFL não teve a flexibilidade para isso, e agora vai ver-se obrigada a lutar para evitar esse desvio das atenções. É de referir que Pedro Passos Coelho não teria cometido este erro.

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Voto.. perdão, inquérito obrigatório

Junho 1, 2009

Há pouco, dirigi-me ao site da minha Faculdade, em busca de actualizações, a propósito da época de exames que se avizinha. À entrada, um dos “destaques” chamou a minha atenção: “Inquéritos Obrigatórios“. Resolvi clicar no link respectivo.

Na página do “destaque”, uma curta mensagem informa que haverá inquéritos online dirigidos aos alunos, para que estes possam dar a sua opinião relativamente às “cadeiras que o aluno efectivamente frequentou“. No entanto, estes Inquéritos Pedagógicos terão “carácter obrigatório e o seu não preenchimento bloqueia as inscrições do próximo ano lectivo ou o pedido de certificado de habilitações” e deverão ser, portanto, preenchidos na primeira metade do mês de Junho.

Ou seja, já que os alunos não costumam responder a estas coisas com a disponibilidade que os responsáveis da Faculdade de Direito de Coimbra gostariam, esqueça-se qualquer princípio de proporcionalidade, e impinja-se um mero inquérito, sob pena de uma expulsão “de facto” do curso. Pergunto-me se quem teve esta brilhante (e estalinista) ideia também se inclui entre os que defendem o voto obrigatório, sob pena de prisão ou multa elevada. É que o princípio é o mesmo.

Quanto a mim, já sei o que farei: como a pena para o incumprimento é demasiado pesada para me negar a responder, darei a mesma resposta (ou marcarei a primeira cruz) a todas as perguntas, e aconselharei os meus colegas a fazerem o mesmo. Por mais que os digníssimos professores me queiram ouvir, não admito que pequenos tiques tiranetes me imponham que estudos de opinião (porque é disso que se trata) devo ou não devo responder. Não se ouve pessoas à força, ainda que se tenha as melhores intenções paternalistas.

O bondoso “destaque” termina garantindo que “fica assegurado o sigilo de cada resposta individual“. Até me espanta que não tenham exigido a supervisão de um professor catedrático para responder, mas fico mais descansado: assim posso pôr em marcha o meu boicote “de facto”. Porque a nossa natureza livre encontra, muitas vezes, maneira de contornar os obstáculos administrativos do poder burocrático – e esta é uma delas.

Adenda1: temo que os inquéritos se destinem a toda a Universidade. Não é só um punhado de tiranetes: é um bando deles.

Adenda2: chegou, entretanto, ao meu conhecimento que é possível haver dispensa, se se invocar uma espécie de estatuto de objector de consciência. Para além de isto soar a draft (dando, com isso, um ar “estadista” a esta “treta” dos inquéritos), e de marginalizar quem não gosta destas coisas, a situação é muito engraçada. Quem queira fugir a uma actividade burocrática, deve dirigir-se aos serviços burocráticos, comprar um formulário burocrático e enviá-lo ao reitor, para que ele se digne a conceder, burocraticamente, tal estatuto de apátrida. Ou seja, para se fugir (sublinhe-se “fugir”) a burocracias, tem de se entranhar a burocracia.

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Eu também voto

Maio 30, 2009

Num post intitulado “Eu voto” (a que cheguei por aqui), Bernardo Pires de Lima chama os abstencionistas de “gente irresponsável”, que não votam incentivados por uns “ingratos de merda” – pessoas com “responsabilidade pública”, a.k.a. comentadores que apelam à abstenção. Para justificar os epítetos, Pires de Lima apela à “conquista” de Abril. Aqui fica o post:

Há gente irresponsável que opta por não votar. É coerente. Há gente com responsabilidade pública que não só não vota, como apela à abstenção. Estas pessoas, entre eles alguns opinadores, desprezam o voto. Têm-lhe uma raiva incontida, dão-lhe um significado diminuto. São, por outras palavras, uns ingratos de merda.

Poucos portugueses lutaram para que muitos pudessem votar um dia. O mínimo que estes milhões poderiam fazer era honrar essa conquista. Infelizmente não o fazem. Depois não se queixem.

A abstenção é um meio para se medir a temperatura da relação entre o poder político e os cidadãos. Acabar com ela é criar uma temperatura artificial, sem correspondência com a verdade: é uma artimanha. Bem sei que o autor não está a defender isso, mas faz o argumento que os que pretendem instituir o voto obrigatório usam. De qualquer forma, não ir votar não é nenhuma imoralidade digna dos insultos de Bernardo Pires de Lima.

É moral não ir votar, pelo menos tão moral quanto ir votar. Se não, pergunto: e quem vota, guiado por mensagens políticas enganosas, por promessas de tachos ou uns 5 euros, ou por um amigo que “é lá da política”, e que traz uma camioneta para carregar os amigos, pedir? No fim de contas, não seremos nós, os votantes, os “irresponsáveis” e os políticos “os ingratos de merda”? É essa realidade mais moral, mais correcta ou menos “merda” do que a de quem não vai votar? Entenda-se: não estou a dizer que ir votar seja menos bom do que não ir votar.

Mas “honrar essa conquista” de Abril não passa também pela liberdade de não votar? Deve uma pessoa que não acredita em nenhum partido, que não confia em nenhum líder, que não quer votar em nenhuma das alternativas, ainda assim dirigir-se à urna de voto? Faz “totoloto” para escolher? Exigir (mesmo que apenas moralmente) que uma pessoa vote em alguém quando não o quer fazer não passa de uma forma de ditadura em democracia. Não há problema em apelar-se à participação eleitoral. Mas ninguém deve ser desmerecido por não legitimar o arco-íris político conjuntural, ou por não “honrar” os combatentes da liberdade. Até porque quem se abstém pode estar a queixar-se. E, nesse sentido, a insurgência que representa a abstenção deve ser tão respeitada quanto o voto.

Eu também voto, Bernardo Pires de Lima. Só não acho que isso me dê qualquer tipo de vantagem moral sobre quem escolhe não votar. Porque, afinal de contas, não falar também é uma forma de dizer alguma coisa.