Arquivos para a Categoria ‘Saúde’

h1

Sunday Talk: a Saúde do Estado (esboço amador de uma reforma)

Fevereiro 8, 2009

Há um ano, o moderado mas impopular Ministro da Saúde, Correia de Campos, foi substituído por Ana Jorge, uma defensora dogmática do monopólio estadual na matéria. No entanto, têm-se avolumado exemplos da insuficiência do Estado para suprir as carências de saúde (desta vez, são os oncologistas que apontam falta de meios e ineficiências no SNS – vide, extractos abaixo). A Ministra, contudo, permanece inflexível perante os factos, tentando contornar a realidade através de esquemas artificiais, como as novas regras para o exercício da medicina no Estado.

E, é claro, tem tentado destruir o pouco que resta de livre concorrência e competitividade no sistema público de saúde – veja-se a tabelação das remunerações das prestações ad-hoc nos hospitais públicos, que está a provocar um êxodo dos melhores profissionais para o crescente sector privado. Mas, apesar desses remendos, a despesa pública não desce, os impostos não baixam e, por isso, à excepção dos mais ricos, as pessoas vêem-se impedidas de optar livremente, ficando à mercê de um cuidado estadual cada vez mais incapaz.

O Serviço Nacional de Saúde está a “rebentar pelas costuras”, as filas de espera adensam-se, as urgências não funcionam. Qual burocrata, a Ministra tapa os olhos e os ouvidos, e segue em frente, fazendo lembrar um governante turco que, há uns anos, durante a epidemia de gripe aviária, apanhou a doença depois de ter comido um frango em público, para provar que tudo estava bem.

Não sei muito sobre política de saúde, mas creio que não é preciso ser-se especialista para se propor um esboço de reforma. Eis o que me vem à cabeça, e que proponho: (1) favorecer o florescimento de sistemas privados, como meio de colmatar as naturais falhas dum monopólio – seja pela atribuição de cheques-saúde, seja pelo aumento das deduções ou reduções fiscais; (2) criar um sistema regulatório forte e garantístico, e único para o SNS e sistemas privados, de modo a assegurar a livre concorrência e a controlar as condições de tratamento; e (3) reformar o SNS, permitindo mais parcerias público-privadas, privatizando as unidades públicas em excesso, e dando total autonomia de gestão às que se mantenham na mão do Estado.

Num segundo momento, quando o sector se tivesse adaptado às regras de mercado, poder-se-ia concluir o processo de liberalização, privatizando as unidades restantes do Serviço Nacional de Saúde. O lucro resultante seria votado à constituição dum fundo com fins solidários, para ajudar a financiar os seguros de saúde dos mais pobres ou dos recusados pelas seguradoras. Ao mesmo tempo, à redução emergente de gastos teria de corresponder um abaixamento fiscal no rendimento das famílias. O Estado poderia até manter o direito constitucional à universalidade da prestação de cuidados de saúde, impondo aos cidadãos o dever de contrair seguro de saúde ou de pagar o correspondente a um seguro-base detido pelo Estado (ou concessionários), e financiando, total ou parcialmente, o seguro dos menores e dos que comprovassem não ter meios para contrair um seguro (com recurso ao tal fundo solidário).

São apenas ideias, não testadas, nem baseadas em qualquer manual de política de saúde que eu tivesse lido (nunca li nenhum). Baseiam-se apenas na constatação de que, perante a incapacidade estadual, o mercado é o melhor meio para satisfazer necessidades, e de que não faz sentido subtrair a saúde ao jogo económico, numa artificial moralidade comprovadamente insustentável.

É possível assegurar o acesso a todos os cidadãos e manter a qualidade da prestação sem se impor um megalítico monopólio estadual, porque a universalidade não se confunde com a nacionalização. E não será difícil ao Estado, mesmo abdicando desse monopólio, continuar a ter uma intervenção solidária, porque, para tal, não é necessário um sacrifício da escolha em nome da burocracia. Mas, para isto tudo, é necessário fazer cair preconceitos que, infelizmente, teimam em dominar a nossa sociedade. Read the rest of this entry ?

h1

Blog Room: Masturbação provoca cancro da próstata

Janeiro 30, 2009

É isso mesmo. Um estudo revela que a masturbação pode influir na propensão para o cancro da próstata. Enquanto que nos homens que quando eram jovens praticaram mais vezes o “exercício” a propensão para a doença é maior, nos maiores de 40 a prática parece até ajudar a preveni-la. Só espero que a Comissão Europeia não tenha tido acesso ao estudo…

Illseed Blog:

Researchers at the University of Nottingham have determined that men who masturbate often in their 20s and 30s are far more prone to developing prostate cancer.

The scientists surveyed 800 men and about half of them had suffered from prostate cancer.

The same data could be attributed to gentlemen that got their mack on frequently with the ladies, but the higher sexual activity was generally credited the act of self-love.

Ironically, men over 40 that jerk-off or shag a lot of babes can reduce the risk of prostate cancer.

h1

Blog Room: Eu não o diria de melhor forma (2)

Janeiro 27, 2009

Ricardo Correia, Alligator and Crocodile:

Porque os cidadãos homossexuais e bissexuais apresentam comportamentos sexuais deploráveis e provavelmente até têm todos SIDA e Sífilis e toda uma panóplia de doenças nojentas que p’ra aí andam é melhor impedi-los imediatamente e à priori de qualquer tentativa de doar o seu sangue amaldiçoado pelo diabo a pessoas que necessitem dele, no caso de, sei lá, estarem a morrer ou coisa parecida.

Como atento e interessado cidadão que sou, e na mesma linha desta medida, venho propor que todas as mulheres sejam proibidas de conduzir, os padres sejam afastados de criancinhas, os taxistas sejam impedidos de opinar sobre política e/ou futebol e os governantes sejam impedidos de governar, medidas estas a entrar em vigor imediatamentecom vista a manter a ordem pública.
Um bem-haja.

h1

Press Room: E mais um pouco de burocracia?

Outubro 6, 2008

O DN noticia mais um exemplo das consequências no mercado da burocracia estatal, desta vez no campo da saúde:

Em dez anos, apenas foram disponibilizados em Portugal cerca de 70 remédios novos, neste caso, produtos com princípios activos inovadores. De acordo com um relatório da consultora IMS Health, Portugal é o último de uma lista de 13 países europeus, que lançaram, na sua maioria, mais de 150 produtos novos entre 97 e 2007. Fontes da indústria apontam razões como a pequena dimensão do mercado nacional ou o facto de estes produtos se destinarem a populações mais reduzidas. Mas há ainda quem diga que o acesso ao mercado nacional tem regras muito restritas, sobretudo a dificuldade em obter comparticipação. [...]

Uma fonte da Pfizer diz haver “muitas barreiras à entrada de produtos em Portugal. Cada país tem o seu sistema de comparticipação. Em alguns é automático, noutros, como Portugal, além de não ser automático, depende sempre de estudos fármaco-económicos“. [...]

As mesmas dificuldades são sentidas nos medicamentos inovadores nos hospitais. Desde que essa responsabilidade ficou na esfera do Infarmed, apenas meia dúzia de remédios foram autorizados. Fonte do Infarmed refere que, até 2007, não houve atrasos na autorização de medicamentos no mercado. Excepções são os fármacos hospitalares, devido à falta de recursos humanos. A mesma fonte realça, porém, que até agora não houve doentes sem acesso a medicamentos por causa destes obstáculos. “Quando um fármaco não existe no mercado, seja porque não foi introduzido ou porque está em fase de aprovação, recorre-se às autorizações de utilização especial. No último ano, autorizámos 660 pedidos a nível hospitalar.” [...]

“Há grandes problemas que já são tratados e áreas como a oncologia, imunologia, dor e inflamação ainda estão por explorar”, diz Carlos Macedo, da Pfizer. O investimento em investigação está a duplicar, mas as aprovações por parte das entidades reguladoras estão, pelo contrário, a cair. Por isso, as empresas têm de se reinventar.

Uma lição para quem subvaloriza a relação entre os entraves burocráticos e o bom funcionamento do mercado.

Nota: veja-se como, nos hospitais, os problemas originados pela burocracia se resolvem com o bom jeitinho português, vulgo autorizações de utilização especial. Fico muito descansado! Sobretudo na parte em que a minha vida pode estar dependente duma decisão circunstancial dum funcionário administrativo. E. a crer pela notícia, isto não tem sido tão excepcional quanto se exigiria.