O Vermont tornou-se no quarto estado norte-americano a desimpedir o casamento entre pessoas do mesmo sexo, depois de Massachussetts, Connecticut e Iowa - e o primeiro a fazê-lo por via legislativa (e não judicialmente), contando com votações favoráveis superiores a 2/3 das duas câmaras estaduais, de modo a derrubar o veto anterior do Governador Jim Douglas (NYTimes).
E, por falar em casamento gay, a candidata republicana às eleições para Governador da Califórnia, agendadas para 2010, Meg Whitman, tem estado sob polémica. Isto porque a ex-CEO do E-Bay defende uniões civis entre homossexuais, e não casamentos, mas aceita a não-retroactividade dessa solução face aos matrimónios celebrados naquele estado, durante o período que mediou o acórdão judicial que os legalizou e a entrada em vigor da Proposition 8 (que os baniu em referendo). Esta posição de Whitman tem sido interpretada como hipócrita e conservadora por alguns sectores pró-casamento.
Apesar de eu discordar dela, não concordo com as críticas, que acho um tanto fundamentalistas e despropositadas. Whitman não deu quaisquer indícios de homofobia. E, embora a sua posição seja discriminatória, não é descabida: trata-se de um ponto intermédio entre os que nenhum direito reconhecem aos homossexuais e os que desejam a sua plena integração jurídica.
Aceito e concordo que a solução das uniões civis é sempre uma conclusão precária e que se deve continuar a exigir, tal como dizia King Jr., nada menos do que a igualdade total perante a lei. Mas, de uma discordância de princípio em matéria de direitos civis, a utilizá-la como arma de arremesso eleitoral, desproporcionando a realidade contra alguém, vai um longo caminho.
Nota: Whitman esteve na short list dos potenciais VPs de John McCain, nas eleições presidenciais do ano passado.



