Arquivos para a Categoria ‘Rússia’

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Press Room: demografia em queda, ameaças russas, mais nacionalizações venezuelanas, mais soarismo

Agosto 27, 2008

Um estudo do Eurostat prevê que, em 2035, 1/4  da população portuguesa será idosa, seguindo a tendência dos restantes países europeus.

O instituto de estatística europeu aponta também o ano de 2015 como o momento em que a taxa de mortalidade deverá ultrapassar a da natalidade, estando na imigração a “única solução para este problema” de decréscimo da população.

Público

Algo que reforça a necessidade de repensar as políticas de imigração e explica porquê as opções restritivas deixaram de ser uma mera escolha xenófoba e populista para se tornarem num verdadeiro suicídio colectivo.

O Presidente Russo ameaça com resposta militar contra a NATO caso o sistema de defesa anti-míssil prossiga. Let him try.

Os postos de combustíveis venezuelanos vão ser nacionalizados. Mais um passo na Revolución Chávez, desta vez contra as pequenas empresas. Contrariando princípios fundamentais de Direito Administrativo, nem sequer haverá indemnização sobre lucros cessantes ou danos emergentes. A ver onde isto vai parar…

Mário Soares afirma:

Potência militar, ainda sem paralelo, a América do Norte, no plano financeiro, económico e geostratégico, está perante o regresso do multilateralismo em força, com a autonomia crescente dos chamados países emergentes e de diversas regiões, ricas em energia, minerais ou produtos alimentares, que estão a criar um novo dinamismo económico. Relativamente à Ibero-América, por exemplo, está a viver uma revolução democrática, pacífica e anti-imperialista inédita. Ora, a menos que haja uma mudança rápida das políticas e comportamentos, a América do Norte entrará em irremediável decadência. E, ao mesmo tempo, assiste-se na União Europeia, a uma inexplicável paralisia e falta de liderança…

Essa mudança regeneradora inclui a subserviência de Washington aos regimes populistas que Mário Soares tanto elogia? Se isso não é decadência, eu não sei o que será. Também é irónico ouvir Soares falar em falta de liderança…

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Press Room: Guerra Fria, Segurança Interna, Açores

Agosto 26, 2008

Depois de reconhecer a independência da Ossétia do Sul e da Abkhazia, o Presidente russo avisa que a Rússia não tem medo de uma nova Guerra fria. Traduzindo por miúdos: o Sr. Medvedev gostaria que a Rússia tivesse capacidade para travar uma nova guerra fria – o que não tem.

O PR promulgou a Lei de Segurança Interna. Mais do que avaliar a priori se a badalada criação da figura do Secretário-geral do Sistema de Segurança Interna é positiva ou negativa, convirá esperar para ver a evolução do seu desempenho, e no que concretamente se traduzirá a sua acção, para depois emitir-se um juízo fundado. É que há muitos caminhos por onde tudo pode andar.

O Governo Regional dos Açores (PS) está a distribuir kits autonómicos aos cidadãos insulares, com direito a bandeira, hino e carta do Presidente do Governo (Carlos César, PS). Isto em campanha para as eleições… Mobilização e aproveitamento dos recursos públicos para fins partidários? C’est la vie, dit-elle.

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Sunday Talk: Guerra na Geórgia

Agosto 17, 2008

No dia em que a Rússia deixa escapar intenções de sair da Geórgia, aproveito para criticar aqui algumas coisas que têm sido ditas.

A primeira delas é a ideia de que os EUA caíram numa contradição fatal nesta questão. O primeiro passo numa situação destas é o reconhecimento, acto unilateral dos estados, que pressupõe um momento anterior de reflexão sobre se uma determinada população tem ou não razão em exigir a independência. Depois, em função do resultado dessa análise, cada Estado reconhece ou não as pretensões independentistas, tendo o direito de criticar quem contraria esse entendimento e de defender quem acha que tem razão. Haveria contradição no não reconhecimento da independência da Ossétia do Sul por parte dos EUA caso se tratasse de uma situação idêntica à do Kosovo, mas isso não ocorre. É que o caso concreto em apreço não se reduz, como referi noutro post, à dialéctica autonomia vs. integração.

E aqui começa a segunda ideia equivocada. Há quem diga que a Rússia assumiu, neste processo, as vestes de “Ocidente”, como se a sua intenção fosse a de libertar um povo oprimido. No entanto, a História recente comprova que esse não é, de todo, o sentido da política externa russa, crescentemente violenta e dominadora. Um olhar mais atento confirma que, neste caso, essa tendência mantém-se, e permite concluir que o verdadeiro objectivo russo é uma anexação de facto. Se não, porque daria Vladimir Putin passaportes russos aos ossetas? Do mesmo modo, ainda hoje, fontes do Ministério da Defesa russo asseguraram aos media que o exército russo manter-se-á na Ossétia do Sul e na Abkhazia.

A ajuda russa à independência desses territórios não passa de uma farsa, do mesmo modo que as razões humanitárias invocadas para a intervenção são meros pretextos (ou a Rússia não praticou, ela mesma, genocídio e pilhagem?).

- Para quem tem dúvidas sobre as razões da “misteriosa” continuação do exército russo em território georgiano (eu dou uma pista: um dos princípios orientadores de uma guerra é a literal destruição económica do inimigo), Declaração de intenções, n’O Insurgente [12/8/08].

- Para ajudar a compreender o paradoxo de uma Rússia a um tempo em declínio e em crescente protagonismo, aconselho a leitura de um artigo da Foreign Policy de Jun-Jul/08 a propósito da eleição de Dmitri Medvedev.
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Insólitos (2.0) – Lógica da batata

Agosto 14, 2008

O embaixador russo em Portugal justificou as acções do seu país na Geórgia com a necessidade de pôr fim a um genocídio e limpeza étnica (SIC).

Para impedir um genocídio, o que faz a Rússia? Outro genocídio, ora pois! Olho por olho, dente por dente.

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Insólitos 1: What happened?

Agosto 14, 2008

1. Contrariamente ao que se tinha noticiado na altura, os alegados golpistas em Timor-Leste terão sido executados sumariamente, de acordo com o resultado das autópsias, noticia a SIC (quase em nota de rodapé, curiosamente… ou nem tanto, para quem santificou Ramos Horta).

Afinal, a guerrilha do “sr.” Xanana Gusmão, elevado a herói nacional em Portugal e que salta de tacho em tacho na mais nova República das bananas do Pacífico sul (vulgo, colónia da Austrália), está viva e recomenda-se. Ana Gomes deve estar jubilante com o novo “Estado de direito”que ela ajudou a construir! Matam-se à queima-roupa, matam-se em execuções sumárias, tentam golpes de Estado, vendem-se à Austrália, vendem-se à Indonésia, quase se fazem guerras civis – um belo trabalho, Ana Gomes e turma dos pseudo-direitos humanos (é para onde lhes dá, ou lhes dão…).

E, por cá, entretêm-se alguns bloguistas em chamar de assassinos os snipers (bandidos!) que dispararam contra sequestradores que (só) apontavam armas à cabeça de dois reféns, após terem assaltado uma agência bancária, e que, nas suas próprias palavras, preferiam morrer a serem presos.

2. Um presidiário foragido tentou assaltar uma antiga vacaria, levando consigo uma criança (que morreu), e saiu do tribunal em liberdade, após apresentar o B.I. do irmão.

Dito de outra forma (ou seja, desenvolvida): Um presidiário foragido tentou assaltar uma antiga vacaria (o que quer que isso seja; perante a palavra, só me ocorre hmm.. bovinos?). Mais, levou consigo, qual amuleto, uma criança – e ainda dizem que os pais portugueses não levam os filhos para o trabalho! Infelizmente, a criança morreu, vítima dos disparos da GNR (cedo alguns se apressaram a encontrar incoerências nos relatos da polícia onde não as havia). O indivíduo, juntamente com o seu parceiro de assaltos, foi levado a um juiz de instrução e libertado (leram bem) com algumas condições. Após a libertação, veio a saber-se que ele estava foragido de uma prisão há oito anos (leram bem), sem nunca ter sido encontrado (o MAI deve estar orgulhoso deste record digno do Guiness), e que tinha usado o BI do irmão para se identificar no tribunal, que o aceitou (leram bem, no tribunal ninguém se apercebeu que o BI era de outrem – motivo de alegria para outro Ministro, o da Justiça). Mas há mais. Enquanto o indivíduo estava nas instalações judiciais, alguns agentes da polícia lembraram-se da sua cara, mas não terão sido levados a sério (ou ninguém os quis ouvir, ou coisa que os valha). E ainda há quem diga que há corporativismo entre os juízes e a polícia! Se nem para fazer justiça se entendem, quanto mais para se encobrirem uns aos outros…

+info: RTP, IOL

Esqueçam as séries em que presidentes negros são assassinados, ou em que vários prisioneiros fogem de uma prisão de alta segurança. Esqueçam o humor negro das sitcoms britânicas. Esqueçam tudo e mais alguma coisa que tenham lido. É facto: a realidade supera (e não é por pouco!) a ficção.

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Duas perguntas a propósito da guerra na Geórgia

Agosto 13, 2008

1. É engraçado comparar os comentários que uma parte da Europa faz, hoje, em relação ao que se passa na Geórgia e as reacções que esse mesmo grupo de pessoas teve, nos últimos sete anos, às políticas prosseguidas pelo Governo Bush.

Se, há uma semana, tivesse sido o aliado atlântico a atacar um pequeno país nos confins da Europa, teriam reagido com a mesma passividade com que reagiram à invasão russa e às atrocidades agora cometidas?

2. Perante a violação do cessar-fogo pela Rússia, e os relatos de destruição de habitações civis e de homicídios pelos soldados russos, cabe perguntar: Quem realmente queremos que lidere o Mundo? Países como a Rússia ou países como os EUA?

Hoje é um dia que, pelas piores razões, demonstra por que, com todos os seus defeitos, a liderança norte-americana do Mundo é, de entre as reais opções, mais do que a melhor, a única possível.

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VIII.2. Por falar no urso…

Agosto 12, 2008

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VIII.1. Blog Room: Para lá dos Impérios…

Agosto 12, 2008

… Ou, talvez, não.

Dois artigos de Paulo Gorjão, no Vox Pop:

Um de Bruno Alves, n’O Insurgente:

  • O urso ferido: é um artigo inteligente, mas exagera a situação, colocando a posição da Rússia de 2008 ao mesmo nível da Alemanha de 1914; veja-se, por exemplo, que a “ameaça” ao ocidente colocada pela invasão da Bélgica é incomparável com a intervenção na Geórgia. Erra quando afirma que a Polónia e a Ucrânia têm medo de serem atacadas directamente pela Rússia e que uma não intervenção dos EUA colocaria em risco as relações deste país com aquelas; na verdade, a sua situação é completamente diferente da da Geórgia, para além de ser muito pouco provável que a Rússia conseguisse encontrar um motivo para as atacar. Erra também na avaliação do estado psicológico da Rússia, levantando uma falsa questão, a da vontade da Rússia em avançar para uma 3.ª Guerra Mundial – isso seria suicídio, como resulta do próprio artigo, que afirma que os gastos de defesa da F. Russa são de 5% dos dos EUA.