João Miranda (DN, 07/09/08), sobre o interesse e a paixão suscitados pelas eleições americanas em Portugal:
O argumento de que o presidente dos Estados Unidos tem uma grande influência em todo o mundo não chega para justificar este interesse. Os portugueses não vão conseguir influenciar o mundo através do presidente dos Estados Unidos. A opinião e o voto dos portugueses não conta. Quanto muito os portugueses poderiam influenciar o que se passa no mundo influenciando a política externa do seu próprio país. Só que os portugueses não se interessam pela política externa do estado português. O interesse pelas eleições americanas, ao criar uma sensação ilusória de poder e influência, funciona como um substituto para a falta de influência de Portugal e da Europa no mundo.
É certo, mas… E a mediatização? E o interesse diletante? E os que, como eu, se interessam em acompanhar as campanhas políticas de diversos países?
Sobre a ‘Obamania’ na Europa, o mesmo autor refere, de forma menos omissiva:
Barack Obama é o candidato preferido dos portugueses. A popularidade de Obama em Portugal é um reflexo das diferenças políticas entre Portugal e os Estados Unidos. As preferências dos portugueses são condicionadas pelo facto de estarem, em termos políticos, à esquerda dos americanos e pela forma como a informação sobre os Estados Unidos cá chega. A informação é filtrada pelos jornalistas americanos, que estão à esquerda da sociedade americana, e pelos jornalistas portugueses, que estão à esquerda dos seus colegas americanos. O resultado destes filtros é uma visão alienada e paroquial da política americana.


