É verdade que nenhum vive aqui na Guiné o que é revelador do país que Nino Vieira construía: bom para quem se não era bom para nenhum dos filhos dele? Identificaram-se pelo menos duas famílias: a viúva Isabel de preto, e os filhos que vivem na Bélgica e que hoje chegaram de luto carregado, e uma outra família de branco: Nazaré e os seus três filhos que vivem em Paris todos de branco ou bege.
Apesar da agitação da última semana, e sobretudo de ontem à noite, tudo decorreu sem problemas. Desfilaram os carros que impressionam em Bissau, os Hummer, os Audi Q7 mas não desfilaram Chefes de Estado. Será que Nino Vieira não tinham nenhum amigo entre os Presidentes africanos, ou europeus, ou asiáticos, ou americanos? Ou será que ninguém quis associar-se a um Nino demasiado suspeito nos últimos anos?
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Olá, Nino, quero tratar de ti… acredita que nunca me senti assim… Yeah! Yeah! Yeah! Na-Na-Na Na-Na
Março 12, 2009
Brothers & Sisters 2
Março 11, 2009Outra coisa que devia preceder os bancos centrais de investimento era a cooperação em matéria de investigação científica e educação, que os angolanos precisam como do pão para a boca, e que, por sua vez, daria bom uso aos desperdiçados quadros portugueses. Angola tem níveis exorbitantes de iliteracia e escassez de quadros. Mas também tem enormes potencialidades naturais – que podem ser patenteadas, pagando o investimento na educação e gerando lucros para o país e para os seus parceiros. É aí que Portugal entra. Temos dezenas de Universidades e centros de investigação que poderiam ser mobilizados nessa tarefa. Para além do lucro directo, resultaria mais uma grande vantagem: o incremento das relações de confiança e, com isso, a eliminação de barreiras psicológicas nos angolanos, face ao investimento português.
Há outra vantagem para os portugueses. A fusão dos centros de conhecimento dos dois países geraria, a longo prazo, uma quantidade de cérebros que o nosso país não consegue, por si só, produzir, devido a constrangimentos demográficos. Fornecer ensino básico e investir nos melhores cérebros angolanos que daí surgissem, com formação superior, permitiria mais e melhor investigação científica. E, com isso, mais indústria tecnológica e mais patentes: ou seja, mais lucro. Do lado angolano, a vantagem seria óbvia: a criação de cérebros, e a um ritmo, que o país não consegue produzir sozinho, por não ter “maquinaria” ou por a ter com falta de “oleamento”.
Este tipo de dirigismo é, para mim, aceitável – certamente mais do que ter bancos geridos por Governos (pessoalmente, coloco a educação à frente da saúde ou segurança social na escala de tarefas que o Estado pode desempenhar). Mas isto custa muito, exige esforços concertados e, grande problema, leva tempo a produzir resultados. Mais um mal da democracia.

Brothers & Sisters
Março 11, 2009O Presidente angolano visita Portugal. A verdade é que as relações entre os dois países estão mais estreitas do que nunca, pelo menos desde a independência. Mas esse relacionamento só será sustentável se o processo de democratização continuar – e os líderes angolanos devem ter consciência disso. Há uma Constituição a elaborar, e do que daí sair aparecerá uma resposta clara para as preocupações que alguns levantam sobre as intenções democratizantes. Nesse sentido, os líderes portugueses podiam fazer muito mais do que aquilo que publicamente se soube. Um apoio atento à elaboração da Constituição angolana e ao reforço das suas instituições, bem como o início de uma cooperação em matéria de defesa, deveria preceder iniciativas dirigistas, como a da criação de um banco de investimento conjunto.
Se, do lado de lá, o problema é político, por cá é social. Não podemos esperar que os angolanos olhem para nós como parceiros quando uma larga margem da população portuguesa trata as pessoas de outra raça por “os pretos”. Os portugueses precisam de fazer por merecer a confiança dos angolanos. Este é um problema bem mais difícil de resolver, e que se agrava ao constatar-se que não há perspectivas de melhoramento: as gerações mais novas reproduzem a discriminação que apreendem dos seus pais. Cavaco e Sócrates deviam falar nisso, hoje ou esta semana, sem medo de ser deselegantes. Só que eles não estão dispostos a aceitar os custos eleitorais de enfrentar uma enorme fatia do eleitorado que é, e se orgulha de ser, racista. Esse é um dos males que vem com o bem da democracia.

Sobre Nino
Março 3, 2009São um pouco limitadas as informações sobre o que se anda a passar na Guiné-Bissau. Como não percebo minimamente a envolvência (e os media portugueses não se esforçam por isso), prefiro não comentar, excepto numa coisa. Se (e repito o “se”) o que se diz por aí é verdade, serei politicamente incorrecto e direi o que ninguém se atreve a afirmar em público: bem feito.

Blog Room: ciência contraria… o cientista
Agosto 12, 2008Uma coisa é um mito, outra é a realidade. Moita Flores apresentou uma visão anti-imigração da criminalidade, afirmando tratar-se da realidade cientificamente observada. O embaixador do Brasil criticou-o veementemente e o Presidente da Câmara de Santarém pediu desculpa, afirmando não ser sua intenção discriminar os imigrantes (+info). Mas algo vem cientificamente contrariar a “realidade” de Moita Flores.
No Cinco Dias, Maria João Pires escreve:
[...] é aconselhável passar os olhos por este estudo, citado hoje em notícia do Público, A criminalidade de estrangeiros em Portugal, da autoria de Hugo Seabra e Tiago Santos, cujas conclusões vão num único sentido, “A maior criminalidade dos estrangeiros face aos portugueses revela-se assim ilusória”. Há diferenças, sim, na aplicação das medidas de coacção (a prisão preventiva é mais aplicada a estrangeiros) e nas penas (a prisão efectiva é, de novo, mais aplicada a cidadãos estrangeiros).
* O estudo está disponível para consulta no post citado.
Para download integral, clique aqui.
Ser populista quando se pede para ser cientista dá nisto… O País fica à espera da resposta ou do pedido de desculpas (o 2.º, desta vez aos portugueses) do “cientista” que afirmou ser um “dado” a suposta maior criminalidade dos estrangeiros. Da SIC, espera-se que, para todos os temas em que se ouça opinião especializada, se estenda o painel de comentadores, permitindo um debate sério e em directo, e sem que tenha de ser o pivot a fazer o contraditório.
Nota: num artigo no Blasfémias, critica-se o estudo e os seus métodos, mas não se apresentam métodos ou dados alternativos, para além de haver um extremo facciosismo a priori. Confesso desconhecer a essência, e logo, a validade de cada método. Todavia, à lacuna de estudos sevindo-se de diferentes métodos, sustentando posição contrária, tenderei a acreditar, ainda que com as devidas ressalvas, no único estudo que vi e na posição por ele assumida.

Assalto e sequestro (epílogo)
Agosto 8, 20081. O Jornal da Noite (SIC) avançou à minutos com uma notícia, a ser publicada amanhã no Expresso, que acaba com as especulações suscitadas por alguns bloggers ao longo do dia sobre o desempenho das forças de segurança: um dos sequestradores telefonou a um primo afirmando que preferia morrer a ser preso, que depois informou a polícia do sucedido – claramente, um elemento justificativo para o endurecimento da posição das autoridades e para a decisão tomada depois, pelo comando da operação, de abater os criminosos.
Mas há mais. Após a polícia ter negado um automóvel aos sequestradores, estes tentaram fugir utilizando um veículo pertencente a um dos reféns, o que torna, no mínimo, improvável a hipótese de os negociadores terem-nos ‘levado’ à morte certa.
A polícia fez o seu papel. É motivo para felicitar o trabalho, mas não para ficar jubilante com a situação (como parece ter ficado o MAI); afinal de contas, um ser-humano morreu. De qualquer forma, parece-me claro que a polícia fez tudo o que podia e devia.
2. Em jeito de passo atrás, João Miranda refugia-se numa questão já por ele levantada, com a qual concordo (como referi ao citar outro post do mesmo autor):
Quando é que o Estado deve ter poder para mater? [...] No caso dos snipers, a decisão é tomada no terreno em reacção ao desenrolar dos acontecimentos. Existe uma grande probabilidade de se cometerem erros de avaliação, de se atingirem inocentes ou de a função para que foram constituídas as forças policiais ser subvertida. Existem por isso boas razões para que o uso de snipers no mínimo seja escrutinada por autoridades independentes. A principal função desse escrutínio é dissuadir os usos inadequados deste instrumento policial.
Parece-me inquestionável que devem haver critérios e mecanismos para aferir da proporcionalidade de tal decisão como forma de reacção a um sequestro, de modo a evitar arbitrariedades num assunto tão relevante quanto sensível (o autor avança mesmo com a hipótese descabida de não ser permitido ao Estado utilizar snippers, excepto em reacção passiva, com o que naturalmente discordo). Mas não é menos inquestionável que, neste caso, o princípio da proporcionalidade foi respeitado em pleno pelas autoridades competentes.
3. O novo Embaixador do Brasil em Portugal respondeu a Moita Flores. Em entrevista ao Jornal da Noite, o sr. Marcos Vieira de Souza defendeu a comunidade brasileira em Portugal e criticou musculadamente os comentários implicitamente xenófobos do Presidente da Câmara de Santarém (que foi a um telejornal enquanto criminologista, mas que aproveitou para fazer política populista). Exemplar o modo corajoso como este homem defendeu a sua casa. É por haver pessoas assim que o Mundo não cai – como dizia alguém, o que nos deve preocupar não é o barulho dos maus, mas o silêncio dos bons. Oxalá os embaixadores portugueses fossem todos assim.
Adenda: Agora há por aí um exercício de definição: eliminação selectiva, homicídio, pena de morte, legítima defesa, etc. Parece até que se vai fundar um novo tipo de dicionário, com linhas cruzadas e setinhas a ligar as palavras, e com opiniões dissidentes e tudo! Uma pergunta: mas qual é o interesse?
Ler também:
- Na imprensa – assalto e sequestro, aqui;
- Na blogosfera – assalto e sequestro, idem;
- A morte no BES, Fernanda Câncio, 5 Dias;
- Prevenção e Pena de Morte, Miguel Botelho Moniz, O Insurgente;
- O Marquês da Ossétia ao Sul da Fronteira, Miguel Noronha, idem;
- Legítima defesa e ordem pública (que penso sintetizar melhor a posição final a que cheguei, exceptuando o último parágrafo – a vida dos sequestradores deve, tanto quanto possível, ser preservada), André Azevedo Alves, ibidem;
- Opinião pública, João Miranda, Blasfémias;
- Versões (lido isto, mantenho a minha posição, tendo em conta os factos relatados no ponto 1), idem.