Arquivos para a Categoria ‘Política (internacional)’

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What if.. KoWARea ou um pré-aviso de guerra

Maio 27, 2009

Mais um fim de noite a preparar-me para ir dormir. Estava a ouvir Hallelujah, de Leonard Cohen, quando leio um tweet da @BreakingNews: Coreia do Norte afirma que decisão da Coreia do Sul de integrar o PSI é “declaração de guerra” e vai usar meios militares. O PSI é um programa internacional de não-proliferação nuclear, iniciado com a Administração Bush, tendo por objectivo interceptar navios suspeitos de transportarem componentes de mísseis ou engenhos nucleares para a Coreia do Norte. Depois dos testes nucleares de ontem, o Governo sul-coreano anunciou que aderiria a esta iniciativa. O meu comentário jocoso ao acordar (“o que será que vai acontecer esta noite?”) tornava-se assustadoramente premonitório.

Só que, pouco depois, a @BreakingNews lançou outro tweet que, de certa forma, desmentiu o primeiro: “a qualquer acto hostil contra os nossos navios, incluindo busca e arresto, responderemos imediatamente com um poderoso ataque militar”, citando o regime. Esta informação naturalmente acalmou-me: afinal, não havia uma verdadeira declaração de guerra, mas sim um aviso. Uma ameaça de pouca credibilidade, diga-se, tendo em conta a falta de palavra que o regime tem demonstrado. O facto de Pyongyang dizer que o armistício acabou pode suscitar dúvidas, mas para mim parece tratar-se de um bluff, com o objectivo de fazer o vizinho do sul recuar nas suas intenções de aderir ao PSI.

No entanto, isto não deixa de ser uma jogada muito arriscada. E se a Coreia do Sul não ceder? 

Nota: mais uma vez, o twitter demonstrou ser a plataforma mais rápida de disseminação de informação pela internet. Com um problema: a @BreakingNews induziu em erro os tuiteiros que a seguem, que levaram um susto ao lerem o que parecia ser uma notícia de início de guerra.

Para saber mais: North Korea threatens military action, BBC.

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Press Room: NuKorea

Maio 26, 2009

A propósito do post anterior, vale mesmo a pena ler este artigo da Reuters.

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NuKorea

Maio 25, 2009

Foi assim que uma noite tranquila em Portugal  se tornou num inferno vermelho: a Coreia do Norte confirmou a realização de testes nucleares no seu subsolo, após a Coreia do Sul ter detectado um tremor de terra artificial. A situação despoletou o alerta militar nos países da região, mas não é novidade. Em Outubro de 2006, o estado comunista já tinha realizado um primeiro teste nuclear.

Tudo isto vem no seguimento de uma décade de avanços e recuos, num jogo do gato e do rato que o Estado pária tem feito com a comunidade internacional. A opção nuclear é um espectro que Pyongyang tem aproveitado como instrumento para obter benefícios externos e a legitimação interna do regime. Os EUA chegaram a aceitar construir centrais nucleares eléctricas no país, em troca do fim do programa nuclear com fins militares, o que foi inicialmente aceite. Mas a verdade é que os acordos firmados foram sendo sucessivamente descartados ou violados pelos responsáveis coreanos. O resultado é que, hoje, a Coreia do Norte está mais perto de ter armas nucleares do que nunca.

É certo que o país está a anos de conseguir elaborar armas e mísseis verdadeiramente ameaçadores. Só que a situação não deixa de ser muito preocupante. A possibilidade de um Estado instável e tirânico ter um arsenal nuclear é muito perigosa. Mas, para além disso, o regime sempre constituiu uma ameaça à ordem internacional e, provavelmente a única forma de resolver o problema seria reunificar as duas Coreias. Essa hipótese ficará minada no momento em que a Coreia do Norte tiver armas nucleares. Read the rest of this entry ?

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Press Room: plano terrorista em Nova Iorque

Maio 21, 2009

Um plano terrorista envolvendo explosivos C4 e mísseis anti-aéreos foi desmantelado há pouco pelas autoridades americanas. A sorte foi os terroristas terem feito a compra a um informador do FBI, que vendeu armamento falso. Os atentados iriam ocorrer esta noite. Mais uma vez, o twitter antecipou-se a tudo e a todos: o @BreakingNews avançou com a notícia muito tempo antes de qualquer site noticioso ou cadeia televisiva.

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Press Room: Nós, os objectos

Maio 14, 2009

O Governo aprovou hoje um decreto que fixa este ano em 3800 o contingente indicativos de vistos de residência a conceder a cidadãos estrangeiros extra-comunitários que pretendam trabalhar em Portugal. [...] Em 2008, o contingente indicativo para a concessão de vistos de residência para imigrantes de Estados terceiros foi na ordem dos 8600 (via @GabrielfSilva).

O Governo prepara-se, assim, para tentar reduzir artificialmente o desemprego, através de mais intervencionismo – e, pior do que isso, de intervencionismo discriminatório. É uma clara cedência ao populismo: não se vê como é que menos 5000 pessoas irão influenciar significativamente um número de desempregados que chega às várias centenas de milhar. Mas isto certamente agrada a populações xenófobas, que nunca tiveram qualquer formação económica na escola (ou que, se a tiveram, preferem submetê-la aos seus preconceitos mais profundos).

Daqui a umas centenas de anos, as chamadas políticas de imigração serão provavelmente comparadas à ligação feudal dos camponeses à terra, e às frustradas tentativas  da nobreza em aí os manter. É inaceitável que os Estados continuem a reclamar para si o controlo da circulação de pessoas, como se fôssemos um rebanho de ovelhas confinado ao território pertencente ao nosso proprietário. Aliás, esta visão do ser-humano como um objecto associa-se muito bem à ideia de que há pessoas de primeira e pessoas de segunda. Mas quando chegarem as tais centenas de anos, este e os outros governos já não estarão cá para serem julgados.

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Press Room: Mais um

Abril 18, 2009

Desta vez, é um dos maiores estrategas republicanos, Steve Schmidt, que sai em defesa da legalização do casamento homossexual. Para ele, esse combate faz parte de um conjunto de causas a que os conservadores não podem continuar alheios, sob pena de virem a perder definitivamente a sua base popular de apoio.

Schmidt trabalhou com Bush e McCain, e foi o homem por trás do famoso anúncio comparando Obama a Paris Hilton, que despertou grande polémica e ao qual fiz referência neste blog, por altura das presidenciais de 2008. Tal como Dick Cheney, outro famoso membro do GOP a apoiar os direitos civis dos homossexuais (lembre-se que foi Cheney quem impediu o avanço de uma proposta legislativa de Bush para inconstitucionalizar o casamento gay), Schmidt tem uma lésbica na família.

O estratega dirigiu-se, ontem, a uma organização pró-LGBT do Partido Republicano (Log Cabin Republicans), um mês depois de ter defendido esta posição em entrevista a um jornal (Washington Blade). Ficam alguns extractos da transcrição: Read the rest of this entry ?

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Press Room: mais um e outra

Abril 8, 2009

O Vermont tornou-se no quarto estado norte-americano a desimpedir o casamento entre pessoas do mesmo sexo, depois de Massachussetts, Connecticut e Iowa - e o primeiro a fazê-lo por via legislativa (e não judicialmente), contando com votações favoráveis superiores a 2/3 das duas câmaras estaduais, de modo a derrubar o veto anterior do Governador Jim Douglas (NYTimes).

E, por falar em casamento gay, a candidata republicana às eleições para Governador da Califórnia, agendadas para 2010, Meg Whitman, tem estado sob polémica. Isto porque a ex-CEO do E-Bay defende uniões civis entre homossexuais, e não casamentos, mas aceita a não-retroactividade dessa solução face aos matrimónios celebrados naquele estado, durante o período que mediou o acórdão judicial que os legalizou e a entrada em vigor da Proposition 8 (que os baniu em referendo). Esta posição de Whitman tem sido interpretada como hipócrita e conservadora por alguns sectores pró-casamento.

Apesar de eu discordar dela, não concordo com as críticas, que acho um tanto fundamentalistas e despropositadas. Whitman não deu quaisquer indícios de homofobia. E, embora a sua posição seja discriminatória, não é descabida: trata-se de um ponto intermédio entre os que nenhum direito reconhecem aos homossexuais e os que desejam a sua plena integração jurídica.

Aceito e concordo que a solução das uniões civis é sempre uma conclusão precária e que se deve continuar a exigir, tal como dizia King Jr., nada menos do que a igualdade total perante a lei. Mas, de uma discordância de princípio em matéria de direitos civis, a utilizá-la como arma de arremesso eleitoral, desproporcionando a realidade contra alguém, vai um longo caminho.

Nota: Whitman esteve na short list dos potenciais VPs de John McCain, nas eleições presidenciais do ano passado.

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Monstruosidade de Estado

Março 29, 2009

Dezenas de pessoas foram condenadas à morte e preparam-se para ser executadas no Iraque, devido à sua orientação sexual. As organizações de direitos civis estão a ser banidas. Sob um manto de democracia, o Iraque regressa ao pior terrorismo de Estado. Um país que teve uma oportunidade única de se desenvolver prefere criminalizar comportamentos morais e religiosos, num enorme “não” a tudo aquilo que o Estado de Direito, no seu sentido individualista, significa. A democracia não é apenas a vontade da maioria, mas também – e essa é das suas maiores conquistas – o respeito pelas acções individuais contrárias à maioria.

E não me parece que seja por coincidência que estas notícias surjam depois da posse de Barack Obama. Ao estabelecer um calendário de retirada das tropas americanas, o novo Presidente também se desvinculou do Iraque em outras matérias. O país está a ser deixado à sua sorte – melhor dizendo, à sorte de influências dos extremistas do médio-oriente e, em particular, do Irão. Este talvez seja o prenúncio do que virá a acontecer com a política da Administração Obama. Temo que estas sejam as primeiras gotas de um banho de sangue.

Mas isto também serve de lição para o mundo ocidental. Coisas como esta comprovam que a tão gozada “agenda LGBT” não é uma brincadeira nem uma bizarria qualquer. Os direitos civis não estão seguros, nunca. Há forças opressoras que tentam destruir a liberdade individual, e a melhor forma de a proteger é desenvolvê-la. Até porque, a crer em certos comentários que se têm feito em Portugal, sobre os homossexuais, muito boa gente ficaria satisfeita se situações similares se passassem por cá.

É também por isso que a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, e da adopção por esses casais, é tão importante entre nós – porque só há uma maneira de sermos diferentes do fundamentalismo: sendo-o.

Urgent action is needed to halt the execution of 128 prisoners on death row in Iraq. Many of those awaiting execution were convicted for the ‘crime’ of homosexuality, according to IRAQI-LGBT, a UK based organisation of Iraqis supporting gay, lesbian, bisexual and transgender people in Iraq.

According to Ali Hili of IRAQI-LGBT, the Iraqi authorities plan to start executing them in batches of 20 from this week.

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O amor é lindo

Março 16, 2009
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Olá, Nino, quero tratar de ti… acredita que nunca me senti assim… Yeah! Yeah! Yeah! Na-Na-Na Na-Na

Março 12, 2009

Cândida Pinto:

É verdade que nenhum vive aqui na Guiné o que é revelador do país que Nino Vieira construía: bom para quem se não era bom para nenhum dos filhos dele? Identificaram-se pelo menos duas famílias: a viúva Isabel de preto, e os filhos que vivem na Bélgica e que hoje chegaram de luto carregado, e uma outra família de branco: Nazaré e os seus três filhos que vivem em Paris todos de branco ou bege.

Apesar da agitação da última semana, e sobretudo de ontem à noite, tudo decorreu sem problemas. Desfilaram os carros que impressionam em Bissau, os Hummer, os Audi Q7 mas não desfilaram Chefes de Estado. Será que Nino Vieira não tinham nenhum amigo entre os Presidentes africanos, ou europeus, ou asiáticos, ou americanos? Ou será que ninguém quis associar-se a um Nino demasiado suspeito nos últimos anos?