Via ABC do PPM:
Arquivos para a Categoria ‘Quase insólitos’

O amor é lindo
Março 16, 2009
Sobre Nino
Março 3, 2009São um pouco limitadas as informações sobre o que se anda a passar na Guiné-Bissau. Como não percebo minimamente a envolvência (e os media portugueses não se esforçam por isso), prefiro não comentar, excepto numa coisa. Se (e repito o “se”) o que se diz por aí é verdade, serei politicamente incorrecto e direi o que ninguém se atreve a afirmar em público: bem feito.

Blog Room: J’Accuse? (pedindo descupla pelo plágio)
Fevereiro 15, 2009Quando é que Dias Loureiro irá repudiar as notícias “difamatórias” de que é vítima e denunciar a “campanha negra” contra a sua pessoa, acusando os jornalistas de usar técnicas de “deturpação e insídia”? E será que também terá direito ao seu – ou à sua – Émile Zola à portuguesa, alcançando a pequena glória de ser comparado a Alfred Dreyfus?

Blog Room: Paulo, esta é para ti!
Janeiro 27, 2009Alfrsa (O Poder da Aleatoriedade):
Estúpido que nem uma porta, feio que nem uma porta, surdo que nem uma porta, mudo que nem uma porta… Mas afinal qual é o problema que temos com as portas? Não acho as portas feias!
Proponho:
- Feio que nem a Milu
- Estúpido que nem o Socras
- Surdo que nem qualquer pessoa com idade compreendida entre os 58 anos e a morte
- Mudo que nem a Manela
As portas só necessitam da nossa compreensão e carinho, só isso!

Press Room: Fidel já tem substituto
Janeiro 20, 2009O francês Lluis Colet, de 62 anos, bateu no este sábado, em Perpignan (França), o recorde mundial do discurso mais longo, ao falar, sem interrupções, durante 124 horas, isto é, durante mais de cinco dias, noticia a «Globo».
O indivíduo tinha de ser funcionário público.

Press Room: O que é que ele bebeu? (2)
Janeiro 14, 2009Soube, há pouco, pela RTP-N que, na conferência de ontem à noite, D. José Policarpo se referiu também à pretensa curabilidade dos comportamentos homossexuais. Perante o ar incrédulo de Fátima Campos Ferreira, o já nosso herói afirmou que curou “vários casos” de amigos dele que eram homossexuais e que “hoje são óptimos pais de família“.
Isto faz-me lembrar aquele outro mal que muitos apontam a certos seres-humanos. Chamam-lhe raça negra, e também houve quem alegasse ter-se curado de tamanho mal. O resultado dessa obsessão foi a criação de um monstro denominado Michael Jackson. Mas é destas paranóias que se fazem algumas religiões. Perante as palavras de D. José Policarpo, também me veio à memória uma seita que clama curar a homossexualidade dos seus crentes. Ao defender que consegue tratar esse pecado, o Cardeal equiparou a sua Igreja à Cientologia.
De qualquer forma, se o Cardeal tem algum novo dado científico que aponte para a curabilidade da suposta “doença“, convinha que se dirigisse à comunidade especialista na matéria. Até tem muito por onde escolher: há psicólogos, psiquiatras e neurologistas. As reuniões deles ocorrem a todo o momento, nos pontos mais incríveis do planeta, numas coisas chamadas congressos científicos.
Caso contrário, eu continuo a crer que lhe meteram alguma coisa na bebida. Ou que os cigarros que o Cardeal adora fumar incluem umas quantas substâncias ilícitas.

Silêncios e palavras
Dezembro 15, 2008Hoje fui pagar contas. Água, gás, TV/Net. Enquanto esperava na fila da remodelada sala de atendimento das Águas de Coimbra, um aviso no plasma chamou-me a atenção. Pedia aos utentes paciência, já que os colaboradores da distribuidora de água estavam a receber formação para lidar com o novo software. Pouco depois, uma das “colaboradoras” levantou-se do seu balcão e chamou o seu superior. Da sala ao lado saiu um senhor com um ar bonacheirão, que se posicionou por trás da senhora, dando-lhe indicações num tom também ele bonacheirão. Pus-me a imaginar a vida daquele senhor – e do quanto eu detestaria ser um burocrata -. Todos os dias passados numa repartição, numa pequenez imensa, das 9 às 17. Todo aquele ar empoleirado. Toda aquela fluidez no discurso, no tom e na pose, reflexo de uma mediocridade e ineficiência sem limites. Todo o estilo provinciano, arcaico e hipócrita. Depois, reparei que ele sorria, e o seu sorriso fez-me lembrar o meu pai. Pedi desculpas silenciosas por o ter silenciosamente tratado daquela maneira. Julguei, e pior, julguei a priori (vulgo, preconceito). Afinal, era um homem que eu não conhecia, e que até sorria! Maldito espírito humano julgador e prepotente, o meu.
Mas eis que o senhor, como que ouvindo os meus lamentos, se apressou em descarregar a minha consciência, num acto de sacrifício. Colocado diante dos problemas informáticos que se punham perante a celebração de um contrato com um novo cliente (o programa informático não tinha uma terceira opção para a situação de um empreiteiro, que não era nem consumidor doméstico, nem pretendia estabelecer uma actividade comercial duradoura no local), o senhor virou-se para o cliente, e num rasgo exemplar para as suas subordinadas, disse: “Você havia de ter vindo era à tarde, que eu, na Segunda de manhã…”, ao que a fiel funcionária de atendimento juntaria: “…não está cá”. “Não estou cá”.

Q & A (3)
Outubro 4, 2008É a esquerda, estúpido!
A esquerda, cobardemente, continua a não pensar, a não agir, a não arriscar um passo. Onde está a esquerda?
José Saramago, via Correio da Manhã.

Press Room: Investimento aeronáutico “voa” graças a nós, os porcos…
Setembro 6, 2008Há quem se indigne por o Finantial Times apelidar os Estados do Sul (Portugal, Italy, Greece, Spain) de PIGS, pelo seu desenvolvimento fracassado e (des)consolidação orçamental.
Mas, então, o que chamar a um País que deixa partir um investimento milionário por causa da burocracia? O Governo ainda chegou a atribuir ao projecto aeronáutico Skylander a classificação de PIN, mas não teve (nem tem) a coragem de fazer o mais importante. Na verdade, não era preciso qualquer apoio político do Executivo Sócrates. Bastava que as nossas regras fossem mais simples e os burocratas afastados, e nem a mão (in)visível do intervencionismo sarkozyista teria sido suficiente para nos “roubar” investimento – com PIN ou sem PIN.

Gus
Setembro 1, 2008Um furacão (de nome Gustav) estará na iminência de se abater sobre a costa americana do Golfo do México, gerando expectativas acrescidas pelo facto de New Orleans poder ser afectada. É que este será o grande teste às obras anti-catástrofe introduzidas na cidade, bem como às reformas feitas na gestão de crise. Pelo menos quanto ao segundo factor, até agora tudo aponta para que a lição tenha sido aprendida – a evacuação das populações foi perfeita e os assaltos às propriedades têm sido evitados.
Isto faz-nos lembrar uma coisa: que não se evitam as catástrofes naturais, lida-se com elas. E que há inúmeros tipos de catástrofe que podem ocorrer, não se podendo prever todos. Isso não significa descurar os protocolos de segurança e as obras de minoração dos efeitos, que se devem concentrar nas crises mais prováveis de acontecer, e mais danosas caso aconteçam. Mas significa que, por mais protocolos e obras que se façam, no fim do dia aquilo que mais conta é o papel da liderança no momento da catástrofe.
É certo que o desempenho da liderança depende muito das qualidades, e mesmo da criatividade de quem a ocupa. Mas também aqui há uma preparação que deve ser feita e, para isso, duas coisas são essenciais: o treinamento de técnicos especializados em gestão de crise, e a estrita delimitação de competências de decisão (e da estrutura de comando). Sem isto, por melhor que seja a liderança, esta vê-se impedida de agir prontamente e com adequação.
Na sequência do furacão Katrina, depois de os diques cederem e de os mecanismos de evacuação terem falhado, mais do que a incompetência, o que propulsionou os efeitos negativos da catástrofe foi a inexistência de meios de coordenação adequados entre as forças locais, estaduais e federais, como exigiria uma situação desta natureza. Se, na segurança externa, o 11/9 motivou a plena sedimentação da resposta a ameaças à defesa do território norte-americano, já então concentradas no poder federal, a confusão que sempre existiu na gestão da segurança interna atingiu uma notoriedade sem precedentes ao levar a uma inaceitável abstinência de ajuda às populações de New Orleans.
O Partido Republicano reduziu a sua convenção ao mínimo indispensável. Do ponto de vista político, penso que seria melhor um adiamento, mas os compromissos associados, a multiplicação de custos e o mal-estar que isso provocaria na imprensa (que também veria os seus custos multiplicar) tornam a decisão compreensível. Mas é uma pena não poder assistir à resposta dos republicanos aos ataques democratas da última semana, nem aos discursos de George W. Bush e Rudy Giuliani.
Nuno Gouveia refere uma polémica em torno de um dirigente democrata, que afirmou que “aparentemente, Deus é democrata”. Não tenho grande complacência para com a ditadura do politicamente correcto, e por isso coloco-me na defesa de Don Fowler. Não cabe em ninguém que isto seja um verdadeiro agradecimento; trata-se de uma mera brincadeira descontraída, e creio que em nenhum momento o político quis manifestar qualquer sentimento de desrespeito pelas eventuais vítimas ou de voluntariedade face à catástrofe.
O que é lamentável é a hipocrisia do politicamente correcto, em que se pode pensar e agir com todo o calculismo e desonra, desde que se faça um discurso público de passividade e abnegação.