Arquivos para a Categoria ‘Geral’

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Sunday Talk: Balanços 2

Julho 19, 2009

Ao contrário de José Sócrates, que é o motor de campanha de um governo moribundo, Ferreira Leite é o ponto mais fraco, na percepção pública, do PSD. O contraste não poderia ser melhor ilustrado do que pela realidade. O cartaz de pré-campanha do PS apresenta Sócrates numa multidão de mulheres, olhando para ele com a certeza de que aquele é o seu líder, um gradiente distribuído entre elas fazendo as cores da bandeira; só no logótipo vemos alusão ao Partido Socialista. O cartaz do PSD, lançado na sequência da vitória nas Europeias, pisca o olho ao eleitor, insinuando que dará a mesma luta nas legislativas, em nome do país. Vê-se laranja por todo o lado, nota-se a simplicidade (a falácia do “não fazemos marketing político”), mas nem um fio de cabelo de Manuela Ferreira Leite.

E isto diz tudo: enquanto marca, o PSD está em ascensão e o PS em queda livre. Enquanto produto, Manuela Ferreira Leite permanece numa embalagem pouco cuidada, cheia de gaffes, de passado difícil com o consumidor, sexualmente inferior (é mulher), ao canto da prateleira, enquanto José Sócrates vem em pack, uma embalagem colorida, com promoções, cheio de pequenos pormenores, colocado na entrada do supermercado em pirâmide. E parte de uma vantagem no mercado (as pessoas já compraram o produto, ainda têm a embalagem vazia em casa). É certo que falar na sua seriedade é uma boa aposta porque é o que Ferreira Leite tem de melhor e mais visível. De facto, o conteúdo de MFL é visto como mais fidedigno mas, por outro lado, quem disse que as pessoas querem ouvir a verdade sobre o que estão a comprar? Read the rest of this entry ?

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Elementos para um apoio

Junho 3, 2009

Duas notas prévias antecedem as considerações. A primeira é para dizer que o PSD é o partido a que estou indesmentivelmente ligado. Portanto, parte sempre em vantagem no que toca a escolher quem eu apoio ou em quem voto. A nota segunda serve para denunciar a notória falta de democraticidade nas escolhas dos partidos (e do PSD) para candidaturas no nosso país, seja nas autárquicas, nas europeias ou nas legislativas. As escolhas são feitas dentro dos comités dos partidos, em processos pouco transparentes, e são utilizadas para fortalecer o líder e os interesses que lhe sejam sensíveis. É uma situação que não deve continuar, e o PSD poderia muito bem ser o precursor do alargamento das primárias internas a todos os candidatos (tenho dúvidas quanto ao Presidente da República, dada a forma como se processam as campanhas presidenciais). Não o fez quanto aos candidatos às Europeias (ou aos das Autárquicas), e tudo indica que perderá as próximas oportunidades para isso.

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1. Durão Barroso é o principal e o primeiro motivo que me impeliu a votar no PSD. Não é preciso dizer muito. Ele representa o mais próximo possível do mercado livre e da globalização em Bruxelas. Não tem um complexo anti-americano (embora talvez tenha algum complexo de inferioridade…). Teve a coragem de apoiar Bush, quando 2/3 da Europa o demonizava, e deu a Portugal notabilidade política internacional. Essa sua capacidade internacional já vinha, de resto, sendo notada: enquanto Ministro dos Negócios Estrangeiros, conseguiu concluir um acordo histórico de paz entre a UNITA e o MPLA em Angola. Enquanto Presidente da Comissão, contornou um cepticismo xenófobo inicial, soube gerir assuntos difíceis, e assumiu protagonismo ao desafiar as políticas económicas de Sarkozy violadoras da Ordem Comunitária. Neste momento, está a preconizar a primeira luta a sério contra a burocracia em Bruxelas. Enquanto o PS debate internamente sobre se apoia ou não o actual presidente, o PSD é a garantia do voto dos representantes portugueses no Parlamento Europeu em Durão Barroso. Read the rest of this entry ?

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Voto.. perdão, inquérito obrigatório

Junho 1, 2009

Há pouco, dirigi-me ao site da minha Faculdade, em busca de actualizações, a propósito da época de exames que se avizinha. À entrada, um dos “destaques” chamou a minha atenção: “Inquéritos Obrigatórios“. Resolvi clicar no link respectivo.

Na página do “destaque”, uma curta mensagem informa que haverá inquéritos online dirigidos aos alunos, para que estes possam dar a sua opinião relativamente às “cadeiras que o aluno efectivamente frequentou“. No entanto, estes Inquéritos Pedagógicos terão “carácter obrigatório e o seu não preenchimento bloqueia as inscrições do próximo ano lectivo ou o pedido de certificado de habilitações” e deverão ser, portanto, preenchidos na primeira metade do mês de Junho.

Ou seja, já que os alunos não costumam responder a estas coisas com a disponibilidade que os responsáveis da Faculdade de Direito de Coimbra gostariam, esqueça-se qualquer princípio de proporcionalidade, e impinja-se um mero inquérito, sob pena de uma expulsão “de facto” do curso. Pergunto-me se quem teve esta brilhante (e estalinista) ideia também se inclui entre os que defendem o voto obrigatório, sob pena de prisão ou multa elevada. É que o princípio é o mesmo.

Quanto a mim, já sei o que farei: como a pena para o incumprimento é demasiado pesada para me negar a responder, darei a mesma resposta (ou marcarei a primeira cruz) a todas as perguntas, e aconselharei os meus colegas a fazerem o mesmo. Por mais que os digníssimos professores me queiram ouvir, não admito que pequenos tiques tiranetes me imponham que estudos de opinião (porque é disso que se trata) devo ou não devo responder. Não se ouve pessoas à força, ainda que se tenha as melhores intenções paternalistas.

O bondoso “destaque” termina garantindo que “fica assegurado o sigilo de cada resposta individual“. Até me espanta que não tenham exigido a supervisão de um professor catedrático para responder, mas fico mais descansado: assim posso pôr em marcha o meu boicote “de facto”. Porque a nossa natureza livre encontra, muitas vezes, maneira de contornar os obstáculos administrativos do poder burocrático – e esta é uma delas.

Adenda1: temo que os inquéritos se destinem a toda a Universidade. Não é só um punhado de tiranetes: é um bando deles.

Adenda2: chegou, entretanto, ao meu conhecimento que é possível haver dispensa, se se invocar uma espécie de estatuto de objector de consciência. Para além de isto soar a draft (dando, com isso, um ar “estadista” a esta “treta” dos inquéritos), e de marginalizar quem não gosta destas coisas, a situação é muito engraçada. Quem queira fugir a uma actividade burocrática, deve dirigir-se aos serviços burocráticos, comprar um formulário burocrático e enviá-lo ao reitor, para que ele se digne a conceder, burocraticamente, tal estatuto de apátrida. Ou seja, para se fugir (sublinhe-se “fugir”) a burocracias, tem de se entranhar a burocracia.

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O dia em que Vital apanhou Ta-Tau

Maio 2, 2009

Era para ser mais uma tarde tuiteira normal. Nada fazia prever mais do que os habituais comentários e análises sobre o 1.º de Maio e as críticas da oposição, quando um tweet da Alberta Marques Fernandes anunciou que Vital Moreira (PS) tinha sido agredido numa manifestação da CGTP. Depois de ter cumprimentado Carvalho da Silva, o euro-candidato do PS teve de fugir de uma multidão em fúria, que gritava palavras de ordem como “traidor”, “vendido”, “comunista de m*rda” ou o antigo “f-d-p”. Sob um banho de cuspe, Vital terá sofrido palmadas, murros, pontapés, objectos atirados (vi uma bandeira a voar directamente para as costas dele) e dejectos animais.

Admito que passei a tarde a rir-me da triste situação. E a verdade é que se tratou de algo injusto: há pessoas que mereciam bem mais este tratamento. Mas Vital manteve tudo no sítio: cabelo, bigode, sorriso e a voz tranquila e oscilante de sempre, com picos de atrevimento.

Um dirigente sindical da CGTP pediu de imediato desculpas, atribuindo as culpas ao desespero sentido pelos trabalhadores perante o triunfo do neoliberalismo. Era o ensaio para o que se seguiria: o Secretário-Geral da Central Sindical lamentou, mas não pediu desculpa (veio a fazê-lo mais tarde, pressionado pelos jornalistas); mas colocou a tónica na questão do sofrimento do proletariado. O PCP, por entre insinuações de que os seus militantes não tinham nada a ver com aquilo, culpou o PS e Vital, e também se recusou a pedir desculpas.

Muitas pessoas ficaram revoltadas com esta reacção do sindicato e do partido. No entanto, se atentarmos às suas especificidades, não se podia esperar outra coisa. É que, desde logo, a ideologia comunista defende a tomada do poder pela força. O Comunismo legitima acções violentas por parte do proletariado oprimido contra o seu opressor; a revolução sangrenta é, aliás, a única forma vista como possível para derrubar a exploração do homem pelo homem. Por outro lado, temo que uma maioria quase unânime das bases dessas organizações tenha apoiado esta acção espontânea, o que faria com que um pedido de desculpas por parte dos dirigentes os tornasse no alvo de todas as críticas internas – e não se esqueça que o PCP é o partido mais “virado para dentro” do nosso sistema político.

Parece ter sido um erro táctico. Mas foi a reacção natural.

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Passo a palavra

Março 9, 2009

Agradeço ao Tiago Loureiro o convite para participar nesta espécie de corrente, em que quem tem a “batata quente” deve dirigir-se ao livro mais próximo (ou fingir que não viu o livro mais próximo – foi o que me aconteceu porque o livro mais próximo não era meu e falava de psicologia), em seguida abri-lo na página 161 (não me perguntem porquê) e encontrar a 5.ª frase completa, transcrevendo-a. Depois, é escolher cinco pessoas e passar a “batata”. Eis o que vem no meu livro mais à mão:

Mas, caso sejamos parte de um multiverso, então o nosso universo poderá ter propriedades que estão fora do alcance da explicação científica tradicional.

Brian Greene, “O Multiverso“, in Grandes Ideias Perigosas (coord. John Brockman, Edições Tinta da China).

Tenho então de escolher cinco pessoas para passar a corrente. Não podendo colocar todos os que gostaria, aqui vai: duas das revelações de 2008, Nuno GouveiaMaria João Marques, um dos meus bloggers-referência Pedro Magalhães, e os meus ex-colegas e conterrâneos Pedro Fernandes Martins e José Miguel Iglésias. Fico à espera que sigam o repto.

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Novo Layout

Janeiro 21, 2009

Se já visitou este blog antes, terá reparado na enorme mudança que significa este novo layout. Abandona-se assim o registo alternativo do theme anterior, com dois post em destaque na página inicial, passando para o habitual estilo de disposição em coluna, o que me retira a possibilidade de verificar tão facilmente a popularidade de cada post, mas facilita a vida ao leitor.  Hope you like it!

Enquanto eu próprio me habituo ao novo modelo do blog, aproveito para deixar aqui o meu endereço no twitter: twitter.com/maverick47

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Transition theme

Janeiro 20, 2009

Dentro em breve, este blog terá um novo layout. Até lá, estaremos numa “transição” que deixa antever algumas coisas…

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100

Setembro 29, 2008

Porque este é o centésimo post…

http://voltasdasxikas.blogs.sapo.pt/arquivo/baloes.gif

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Back on track

Setembro 29, 2008

De regresso, um pouco enferrujado e com preguiça, depois daquela pausa. Coisas arrumadas na nova casa de Coimbra, efectuada a entrada no novo ano lectivo (o terceiro para este futuro jurista ou coisa parecida), problemas com a internet e o wireless resolvidos.

Duas semanas de interregno, e parece que, entretanto, uma crise financeira se abateu, chegou mais um fait-divers sobre abuso de poder num município (desta vez, Lisboa) e, na blogosfera, o verniz saltou entre Rui Tavares e Rodrigo Adão Fonseca (com amigos à mistura). Enfim, os mesmos sinais do Apocalipse de sempre.

Ah, e acabou em empate o primeiro de(em)bate entre os candidatos à liderança do outro lado do Atlântico Norte.

Good to be back.

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Interrupção

Setembro 14, 2008

Este blog entrará num interregno de uns poucos dias, “por motivos de força maior” (passe o cliché). Ainda assim tentarei postar qualquer coisa durante este período.

Para já, fica uma chamada para este artigo de Paulo Gorjão (citando Timothy Garton Ash).