Ao contrário de José Sócrates, que é o motor de campanha de um governo moribundo, Ferreira Leite é o ponto mais fraco, na percepção pública, do PSD. O contraste não poderia ser melhor ilustrado do que pela realidade. O cartaz de pré-campanha do PS apresenta Sócrates numa multidão de mulheres, olhando para ele com a certeza de que aquele é o seu líder, um gradiente distribuído entre elas fazendo as cores da bandeira; só no logótipo vemos alusão ao Partido Socialista. O cartaz do PSD, lançado na sequência da vitória nas Europeias, pisca o olho ao eleitor, insinuando que dará a mesma luta nas legislativas, em nome do país. Vê-se laranja por todo o lado, nota-se a simplicidade (a falácia do “não fazemos marketing político”), mas nem um fio de cabelo de Manuela Ferreira Leite.
E isto diz tudo: enquanto marca, o PSD está em ascensão e o PS em queda livre. Enquanto produto, Manuela Ferreira Leite permanece numa embalagem pouco cuidada, cheia de gaffes, de passado difícil com o consumidor, sexualmente inferior (é mulher), ao canto da prateleira, enquanto José Sócrates vem em pack, uma embalagem colorida, com promoções, cheio de pequenos pormenores, colocado na entrada do supermercado em pirâmide. E parte de uma vantagem no mercado (as pessoas já compraram o produto, ainda têm a embalagem vazia em casa). É certo que falar na sua seriedade é uma boa aposta porque é o que Ferreira Leite tem de melhor e mais visível. De facto, o conteúdo de MFL é visto como mais fidedigno mas, por outro lado, quem disse que as pessoas querem ouvir a verdade sobre o que estão a comprar? Read the rest of this entry ?




