Arquivos para a Categoria ‘Economia & Negócios’

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Blog Room: Fatia Dourada

Junho 27, 2009

Maria João Marques, O Insurgente:

Com a novela ‘não sei o que se passa na PT, não tenho que saber nem me envolver em negócios de uma empresa privada, Deus me livre de querer interferir na comunicação social, mas agora que sei vou proibir o negócio para que não suspeitem de mim’ da PT e tentativa de compra de parte do capital da TVI, algo que era evidente tornou-se estonteantemente claro: a participação do Estado em empresas (empresas públicas ou através da CGD), a CGD ou as golden shares em empresas privatizadas não existem para servir nenhum interesse estratégico do país mas tão-só para defender os interesses tácticos de cada governo.

Enquanto não obrigarmos o Estado a livrar-se destes tentáculos mais ou menos assumidos com que controla as empresas e a nossa pequena economia, nenhum governo estará imune à tentação de estender a sua influência a sectores onde não deve – e, bem vistas as coisas, não deve estar em nenhum sector empresarial.

Não, não, não. Não destruam a fatia dourada do Estado. Transfiram-na mas é para mim, s.f.f. Eu juro que só a uso para o bem comum.

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Facebookianismos: (R)evolução económica

Maio 25, 2009

Estado no Facebook: Cada vez mais convencido da necessidade de uma mudança de paradigma no país. Só um choque significativo poderia acordar-nos deste entorpecimento colectivo. Duvido é que tenhamos uma liderança forte capaz disso (se o Reino Unido só teve uma Thatcher..).

Estado no Facebook: Mas não aguento a imagem de ver este país continuar a decair aos poucos à sombra de um Estado clientelista, de uma classe média medíocre, que quer direitos sem deveres, e de uma elite mesquinha, a lutar pelos concursos públicos. As poucas vitórias que temos são o paliativo de um doente que definha. O Estado é a droga que nos mata, mas sem a qual não sabemos viver.

Estado no Facebook: Enfim.. somos uns tristes. A liberdade assusta-nos tanto que repudiamos o desmantelamento da despesa pública. Temos tão baixa auto-estima que colocamos no Estado o dever (e o poder!) de criar os nossos empregos e de nos dar saúde, segurança social e educação. Só que ele não o sabe fazer, e vê tudo com os seus olhos de polícia: controla, controla, controla. Abdicamos da nossa liberdade em nome de uma falsa segurança. Read the rest of this entry ?

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Carrapatoso no PSD?

Março 31, 2009

António Carrapatoso anunciou que deverá deixar as funções de Presidente da Vodafone Portugal no fim deste ano.

“Provavelmente algures no tempo quero fazer outras coisas na vida. Dezoito ou dezanove anos à frente de uma empresa é tempo suficiente.” E, “para bom entendedor meia palavra basta”.

Notícias e palavras que suscitaram comentários sobre um eventual ingresso na política activa. Esta não é uma hipótese descabida – Carrapatoso intervém sobre assuntos cívicos com alguma regularidade, foi um dos líderes da iniciativa Compromisso Portugal, e já se falava nesta possibilidade. 

A verdade é que sei pouco sobre ele. Do que sei, concordo com as ideias que conheço, e admiro-lhe a coragem em opôr-se frontalmente ao excessivo papel do Estado na sociedade portuguesa. Por outro lado, Carrapatoso é um self-made man que vem de fora da política. Não está enquadrado no pântano do velho sistema medíocre.

Por isso, e caso o PSD não chegue este ano, talvez este valha a pena.

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Insólitos: Intervenções Divinas

Fevereiro 7, 2009

Alberto João Jardim sugeriu, há dias, que o caso Freeport fora um castigo de Deus a Sócrates, pelo mal que ele teria feito à Madeira. Eu cá acho que a crise que se abateu sobre a Islândia se deve ao reinício da caça à baleia. Deus viu essa monstrusidade (nesta qualificação não há ironia) e, tumba!, dá-lhes uma crise, que é para eles aprenderem a não pôr a ganância acima da compaixão.

Espera-se agora o castigo divino contra o próprio tio Alberto… Será que lhe vai cair um tsunami em cima? É provável que isso não baste para calar o profeta insular. Uma sugestão: já que ele é tão humanista, transforme-se o senhor num homossexual chinês. Aposto que vai adorar ser objecto da chacota que pessoas como ele fazem dos que lhe são diferentes – e que, como tal, se tornam alvo fácil do seu populismo antropófago.

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O mito do fim do Capitalismo

Fevereiro 4, 2009

Carl Mortished, The Times:

A great deal of cant is talked about the end of globalisation. No such process is under way. Instead, we have an adjustment in relative costs and competitive advantage.

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Press Room: Qimonda (o totoloto das ajudas estatais)

Janeiro 23, 2009

Até quando vai o Estado* continuar a alimentar esta pipa furada? Não é só uma questão de princípio – responsabilidade individual, livre concorrência, selecção pelo mercado e não pelo Estado dos concorrentes que triunfam e que fracassam -, trata-se de uma relação custo-benefício. Manter a Qimonda a funcionar artificialmente não só passa uma péssima mensagem ao mercado de irresponsabilidade e incitação à promiscuidade entre governos e empresas, como bem pode delapidar os cofres públicos, sem retorno evidente, para além de, certamente, desperdiçar o (que resta do) capital político do Ministério da Economia.

Depois de todas estas injecções de rios de dinheiro, quanto dinheiro retornará para o Estado e qual será o valor acumulado do salário dos trabalhadores? Chega para cobrir o investimento feito? Há garantias credíveis (por um lado, compromisso da empresa e, por outro, estudos de viabilidade) de que a Qimonda resistirá a longo prazo?

Já nem são questões ideológicas que coloco. Mesmo num quadro económico social-democrata, é o bom-senso transcendente ao debate esquerda/direita que impõe estas questões. Um conselho: façam-se os estudos; é bem possível que saia mais barato (e rentável) a CGD conceder empréstimos aos trabalhadores da Qimonda para que criem o seu próprio posto de trabalho, em vez de se gastar milhões para manter uma empresa falida em situação precária. Se calhar, até dá e sobra para fazer retornar ao Estado um pouco do dinheiro injectado na CGD e, com isso, atribuir devoluções fiscais às empresas [tecnológicas].

Mas, antes de mais, era, no mínimo, exigível que se fizessem os estudos. Não se devem (nem se deveria poder) tomar decisões desta dimensão com a mesma leviandade com que se escolhe os números de uma ficha de totoloto, tendo na base um puro preconceito ideológico favorável ao intervencionismo estatal.

* Não me venham dizer que se trata de empréstimos de direito privado. O próprio Governo admitiu que deu indicações à CGD para viabilizar um dos negócios e, como já se referiu, o BCP, que viabilizou o outro empréstimo, é actualmente liderado por socialistas (após um processo de curiosos contornos). Aliás, este tipo de situação possivelmente é ainda mais grave, por ser mais promíscua do que seria se o próprio Estado desse directamente o dinheiro.

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Silêncios e palavras

Dezembro 15, 2008

Hoje fui pagar contas. Água, gás, TV/Net. Enquanto esperava na fila da remodelada sala de atendimento das Águas de Coimbra, um aviso no plasma chamou-me a atenção. Pedia aos utentes paciência, já que os colaboradores da distribuidora de água estavam a receber formação para lidar com o novo software. Pouco depois, uma das “colaboradoras” levantou-se do seu balcão e chamou o seu superior. Da sala ao lado saiu um senhor com um ar bonacheirão, que se posicionou por trás da senhora, dando-lhe indicações num tom também ele bonacheirão. Pus-me a imaginar a vida daquele senhor – e do quanto eu detestaria ser um burocrata -. Todos os dias passados numa repartição, numa pequenez imensa, das 9 às 17. Todo aquele ar empoleirado. Toda aquela fluidez no discurso, no tom e na pose, reflexo de uma mediocridade e ineficiência sem limites. Todo o estilo provinciano, arcaico e hipócrita. Depois, reparei que ele sorria, e o seu sorriso fez-me lembrar o meu pai. Pedi desculpas silenciosas por o ter silenciosamente tratado daquela maneira. Julguei, e pior, julguei a priori (vulgo, preconceito). Afinal, era um homem que eu não conhecia, e que até sorria! Maldito espírito humano julgador e prepotente, o meu.

Mas eis que o senhor, como que ouvindo os meus lamentos, se apressou em descarregar a minha consciência, num acto de sacrifício. Colocado diante dos problemas informáticos que se punham perante a celebração de um contrato com um novo cliente (o programa informático não tinha uma terceira opção para a situação de um empreiteiro, que não era nem consumidor doméstico, nem pretendia estabelecer uma actividade comercial duradoura no local), o senhor virou-se para o cliente, e num rasgo exemplar para as suas subordinadas, disse: “Você havia de ter vindo era à tarde, que eu, na Segunda de manhã…”, ao que a fiel funcionária de atendimento juntaria: “…não está cá”. “Não estou cá”.

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Nem o déficit escapa

Dezembro 2, 2008

Vi, na net, um vídeo de uma reportagem da TVI que revela que, afinal, as metas para o déficit de 2008 serão cumpridas à custa de receitas extraordinárias. A questão que levanto não é a da valoração sobre esse tipo de receitas, o que me parece significativo é isto vir de uma maioria PS que tanto criticou a anterior maioria por o ter feito, e que garante de pés juntos aos eleitores que não o faz.

Será que a culpa disto também é da crise internacional (que ainda não chegou)?

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Blog Room: Uma Falhada Tentativa de Vitimização

Novembro 28, 2008

Ricardo Costa, SIC:

Ninguém está a tentar linchar Constâncio. O que eu, por exemplo, digo e mantenho é que a supervisão falhou no Caso BPN. Falhou porque foi avisada, falhou porque sabia que o banco era mal gerido, falhou porque sabia que havia operações de fachada e falhou porque atrasou a acção da PGR. E contra isso já não há nada a fazer.

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A oposição e o pesadelo das Entidades Reguladoras

Novembro 12, 2008

Foi com alguma desilusão que vi hoje a oposição comentar o recente episódio que envolve o Ministro da Economia e o Presidente da Autoridade da Concorrência. Todos os partidos representados na AR preferiram limitar a sua argumentação no caso concreto, afirmando querer ouvir os visados para perceber o que se passou desta vez.

Não tenho nada contra isso. Mas espanta-me que ninguém tenha questionado a actual moldura do sistema regulatório português. É como se, após um acidente de avião, durante o inquérito para apurar as causas, se fizesse as despistagens de álcool e estupefacientes no piloto, mas não se avaliasse o estado das condições climatéricas nem se procurasse por eventuais defeitos da maquinaria.

Enquanto continuar este grande consenso político em torno de um modelo falhado e incapaz, os episódios infelizes a que temos assistido vão continuar. Por mais inquéritos e audições parlamentares que se façam.