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Europeias: Notas sobre os resultados (I)

Junho 8, 2009

1. A primeira ilação deve ser tirada no contexto europeu. O PPE venceu, pela terceira vez consecutiva, as eleições, o que significa uma derrota clara das teses anti-liberais que pronunciavam o fim do capitalismo. Durante mais de meio ano, o Ocidente enfrentou uma ditadura do consenso entre opinion makers (entre os quais o Vaticano, que resolveu uma vez mais sair dos assuntos de espírito, para se preocupar com essas coisas carnais), afirmando que a única forma de resolver a crise seria desmantelar o mercado. É muito significativo, por isso, que se tenham alcançado esses resultados, logo no espaço geo-político onde há maior intervencionismo do Estado - a Europa. Durão Barroso é a personificação desta vitória, continuando a ser a “cabeça” da segunda maior democracia do mundo. Começa aqui o segundo round de mais um confronto entre socialistas e liberais, proteccionistas e “globalizadores”, enfim Estado e mercado.

2. Por outro lado, tenho de deixar uma palavra de desagrado com a ascensão dos partidos xenófobos: o que representa, sem dúvida, a irracionalidade de um certo eleitorado que, à boa maneira medieval/tribal, continua a culpar os estrangeiros pelas “doenças, fomes e guerras“. Independentemente das divergências de concepção do Estado e da sociedade que tenho com a esquerda democrática, sei que dela não vem este tipo de desumanidade. Sem dúvida que, tendo de escolher entre um PS ou um PNR, optaria pelo primeiro – é uma questão de princípio, mais do que de ideologia. Não defendo a ilegalização destes partidos, porque isso não é solução (a ser assim, também teríamos de ilegalizar comunistas e anarquistas). A melhor forma de lidar com eles é demonstrando que não têm chance numa sociedade avançada que aprendeu a lição com as experiências nazi e fascistas. Infelizmente, não foi isso que aconteceu desta vez.

3. Uma possibilidade que não gostaria que fosse real seria os europeus terem votado contra a Europa – i. é, contra o federalismo. Não haja dúvidas de que “a União faz a força“. Os exemplos são claros, mesmo no quotidiano. Por isso, num contexto global cada vez mais competitivo e ainda politicamente difícil, a pulverização dos centros de decisão internacionais dos europeus (diplomacia, defesa) apenas contribui para a decadência dos seus povos. Mas é apenas uma hipótese, uma hipótese em que, por ser inconclusiva e não comprovável, prefiro não acreditar.

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