Arquivo de Maio, 2009

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Ilda Factor (#Europeias)

Maio 31, 2009

Cartazes nada atraentes apelando à soberania, um estilo burguês e fraco nos debates, um apego à mensagem anti-liberal tão cara à cassete comunista: o surgimento do BE como terceira força política nas sondagens, ultrapassando confortavelmente a CDU, não foi apenas por mérito próprio. Ilda Figueiredo começou mal a (pré)campanha para as Europeias. 

Só que a campanha oficial começou, e a força da máquina comunista começou a fazer-se notar. Nas peças dos noticiários de ontem, Ilda aparecia rodeada de muitos apoiantes, enquanto meia-dúzia de bloquistas faziam campanha numa rua deserta. Não só de aparelho se faz uma campanha, é certo. Mas Miguel Portas tem-se mostrado um candidato apagado (embora se note ultimamente uma tentativa de contrariar isso), ao passo que a candidata comunista aparentemente aprendeu com os erros, apresentando agora uma mensagem mais prática (veja-se esta notícia do Público) e um estilo mais natural.

Os resultados parecem estar à vista. Algumas sondagens mostram  uma estabilização (por vezes até uma pequena subida) da CDU e uma queda abrupta do até então crescente BE, vindo comprovar a sua volatilidade. Acrescente-se a isso a abstenção (que se prevê situar nos 60%), conjugada com a fidelidade do eleitorado comunista, e os resultados de 7 de Junho podem ser surpreendentes. Não é por acaso que Francisco Louçã tem aparecido mais na campanha do Bloco.

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Eu também voto

Maio 30, 2009

Num post intitulado “Eu voto” (a que cheguei por aqui), Bernardo Pires de Lima chama os abstencionistas de “gente irresponsável”, que não votam incentivados por uns “ingratos de merda” – pessoas com “responsabilidade pública”, a.k.a. comentadores que apelam à abstenção. Para justificar os epítetos, Pires de Lima apela à “conquista” de Abril. Aqui fica o post:

Há gente irresponsável que opta por não votar. É coerente. Há gente com responsabilidade pública que não só não vota, como apela à abstenção. Estas pessoas, entre eles alguns opinadores, desprezam o voto. Têm-lhe uma raiva incontida, dão-lhe um significado diminuto. São, por outras palavras, uns ingratos de merda.

Poucos portugueses lutaram para que muitos pudessem votar um dia. O mínimo que estes milhões poderiam fazer era honrar essa conquista. Infelizmente não o fazem. Depois não se queixem.

A abstenção é um meio para se medir a temperatura da relação entre o poder político e os cidadãos. Acabar com ela é criar uma temperatura artificial, sem correspondência com a verdade: é uma artimanha. Bem sei que o autor não está a defender isso, mas faz o argumento que os que pretendem instituir o voto obrigatório usam. De qualquer forma, não ir votar não é nenhuma imoralidade digna dos insultos de Bernardo Pires de Lima.

É moral não ir votar, pelo menos tão moral quanto ir votar. Se não, pergunto: e quem vota, guiado por mensagens políticas enganosas, por promessas de tachos ou uns 5 euros, ou por um amigo que “é lá da política”, e que traz uma camioneta para carregar os amigos, pedir? No fim de contas, não seremos nós, os votantes, os “irresponsáveis” e os políticos “os ingratos de merda”? É essa realidade mais moral, mais correcta ou menos “merda” do que a de quem não vai votar? Entenda-se: não estou a dizer que ir votar seja menos bom do que não ir votar.

Mas “honrar essa conquista” de Abril não passa também pela liberdade de não votar? Deve uma pessoa que não acredita em nenhum partido, que não confia em nenhum líder, que não quer votar em nenhuma das alternativas, ainda assim dirigir-se à urna de voto? Faz “totoloto” para escolher? Exigir (mesmo que apenas moralmente) que uma pessoa vote em alguém quando não o quer fazer não passa de uma forma de ditadura em democracia. Não há problema em apelar-se à participação eleitoral. Mas ninguém deve ser desmerecido por não legitimar o arco-íris político conjuntural, ou por não “honrar” os combatentes da liberdade. Até porque quem se abstém pode estar a queixar-se. E, nesse sentido, a insurgência que representa a abstenção deve ser tão respeitada quanto o voto.

Eu também voto, Bernardo Pires de Lima. Só não acho que isso me dê qualquer tipo de vantagem moral sobre quem escolhe não votar. Porque, afinal de contas, não falar também é uma forma de dizer alguma coisa.

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Imposto Vital

Maio 27, 2009

Vital Moreira lançou uma proposta genérica de criar um imposto europeu. Seguiu-se uma chuva de críticas contra um hipotético aumento de impostos às quais eu não me posso juntar. É que, face a esta proposta genérica, não se pode dizer muito. A criação de um imposto europeu não significa necessariamente um aumento de impostos para os europeus.

Os Estados-membros contribuem para o orçamento comunitário mediante valores acordados. Numa perspectiva federalista, faz todo o sentido que esse valor seja cobrado directamente pela União aos contribuintes, sem o intermédio dos Estados. Assim, estes diminuiriam a sua contribuição na mesma proporção dos impostos arrecadados pela Comunidade. Nesse caso, a decisão entre ter ou não um imposto europeu dependerá da concepção que se tenha da União Europeia e não da ideologia fiscal.

Contudo, os críticos têm razão em pedir explicações. Não é acertado da parte de Vital Moreira propor uma coisa que pode assumir diversos sentidos. Parece-me até que esta falta de explicações contou contra o candidato socialista: todos julgaram que se tratava de subir os impostos.

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What if.. KoWARea ou um pré-aviso de guerra

Maio 27, 2009

Mais um fim de noite a preparar-me para ir dormir. Estava a ouvir Hallelujah, de Leonard Cohen, quando leio um tweet da @BreakingNews: Coreia do Norte afirma que decisão da Coreia do Sul de integrar o PSI é “declaração de guerra” e vai usar meios militares. O PSI é um programa internacional de não-proliferação nuclear, iniciado com a Administração Bush, tendo por objectivo interceptar navios suspeitos de transportarem componentes de mísseis ou engenhos nucleares para a Coreia do Norte. Depois dos testes nucleares de ontem, o Governo sul-coreano anunciou que aderiria a esta iniciativa. O meu comentário jocoso ao acordar (“o que será que vai acontecer esta noite?”) tornava-se assustadoramente premonitório.

Só que, pouco depois, a @BreakingNews lançou outro tweet que, de certa forma, desmentiu o primeiro: “a qualquer acto hostil contra os nossos navios, incluindo busca e arresto, responderemos imediatamente com um poderoso ataque militar”, citando o regime. Esta informação naturalmente acalmou-me: afinal, não havia uma verdadeira declaração de guerra, mas sim um aviso. Uma ameaça de pouca credibilidade, diga-se, tendo em conta a falta de palavra que o regime tem demonstrado. O facto de Pyongyang dizer que o armistício acabou pode suscitar dúvidas, mas para mim parece tratar-se de um bluff, com o objectivo de fazer o vizinho do sul recuar nas suas intenções de aderir ao PSI.

No entanto, isto não deixa de ser uma jogada muito arriscada. E se a Coreia do Sul não ceder? 

Nota: mais uma vez, o twitter demonstrou ser a plataforma mais rápida de disseminação de informação pela internet. Com um problema: a @BreakingNews induziu em erro os tuiteiros que a seguem, que levaram um susto ao lerem o que parecia ser uma notícia de início de guerra.

Para saber mais: North Korea threatens military action, BBC.

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Press Room: NuKorea

Maio 26, 2009

A propósito do post anterior, vale mesmo a pena ler este artigo da Reuters.

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NuKorea

Maio 25, 2009

Foi assim que uma noite tranquila em Portugal  se tornou num inferno vermelho: a Coreia do Norte confirmou a realização de testes nucleares no seu subsolo, após a Coreia do Sul ter detectado um tremor de terra artificial. A situação despoletou o alerta militar nos países da região, mas não é novidade. Em Outubro de 2006, o estado comunista já tinha realizado um primeiro teste nuclear.

Tudo isto vem no seguimento de uma décade de avanços e recuos, num jogo do gato e do rato que o Estado pária tem feito com a comunidade internacional. A opção nuclear é um espectro que Pyongyang tem aproveitado como instrumento para obter benefícios externos e a legitimação interna do regime. Os EUA chegaram a aceitar construir centrais nucleares eléctricas no país, em troca do fim do programa nuclear com fins militares, o que foi inicialmente aceite. Mas a verdade é que os acordos firmados foram sendo sucessivamente descartados ou violados pelos responsáveis coreanos. O resultado é que, hoje, a Coreia do Norte está mais perto de ter armas nucleares do que nunca.

É certo que o país está a anos de conseguir elaborar armas e mísseis verdadeiramente ameaçadores. Só que a situação não deixa de ser muito preocupante. A possibilidade de um Estado instável e tirânico ter um arsenal nuclear é muito perigosa. Mas, para além disso, o regime sempre constituiu uma ameaça à ordem internacional e, provavelmente a única forma de resolver o problema seria reunificar as duas Coreias. Essa hipótese ficará minada no momento em que a Coreia do Norte tiver armas nucleares. Read the rest of this entry ?

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Facebookianismos: (R)evolução económica

Maio 25, 2009

Estado no Facebook: Cada vez mais convencido da necessidade de uma mudança de paradigma no país. Só um choque significativo poderia acordar-nos deste entorpecimento colectivo. Duvido é que tenhamos uma liderança forte capaz disso (se o Reino Unido só teve uma Thatcher..).

Estado no Facebook: Mas não aguento a imagem de ver este país continuar a decair aos poucos à sombra de um Estado clientelista, de uma classe média medíocre, que quer direitos sem deveres, e de uma elite mesquinha, a lutar pelos concursos públicos. As poucas vitórias que temos são o paliativo de um doente que definha. O Estado é a droga que nos mata, mas sem a qual não sabemos viver.

Estado no Facebook: Enfim.. somos uns tristes. A liberdade assusta-nos tanto que repudiamos o desmantelamento da despesa pública. Temos tão baixa auto-estima que colocamos no Estado o dever (e o poder!) de criar os nossos empregos e de nos dar saúde, segurança social e educação. Só que ele não o sabe fazer, e vê tudo com os seus olhos de polícia: controla, controla, controla. Abdicamos da nossa liberdade em nome de uma falsa segurança. Read the rest of this entry ?

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Facebookianismos: James Watson e o racismo

Maio 25, 2009

Lendo a entrevista ao “i” de James Watson, compreendi o que ele queria dizer, e juntei-me aos que se revoltaram contra quem o repudiava. Depois, li um artigo sobre ele de há dois anos, do Independent (a que cheguei por um link no Facebook), e passei também a repudiá-lo. Ele serviu para um propósito: desvendar o ADN. De resto, é um abjecto.

James Watson e outros como ele são muito bem aceites nas comunidades em que jovens como eu tratam as pessoas de outra cor por “os pretos”, gozam com eles e comentários racistas são encarados como coisa normal. Para cúmulo, já fui chamado de “fundamentalista” por me revoltar contra esses pensamentos. “Para cúmulo”, porque acho que as organizações anti-racistas criam problemas e tornam tudo artificial.

Mas admito que superar o racismo que temos dentro de nós não é tarefa fácil para ninguém, e, certamente, não ao alcance de todos. Eu, que tenho tido dificuldades em libertar-me dos meus pais sem me libertar das coisas boas que eles defendem, sofri o grande dilema de encontrar uma forma de não ser racista diferente da da minha mãe – o que não me dá o direito de ser racista. Acho que nem todos percebem isso.

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Press Room: Manuela Moura Guedes vs Marinho Pinto

Maio 23, 2009

O verniz estalou entre Manuela Moura Guedes e Marinho Pinto, no Jornal Nacional desta 6.ª. Pode-se dizer que foi o primeiro grande embate televisivo entre os apoiantes e os opositores ad-hoc da Situação. A propósito, vale a pena ler a análise de António Balbino Caldeira. Aqui fica o vídeo oficial:

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Press Room: plano terrorista em Nova Iorque

Maio 21, 2009

Um plano terrorista envolvendo explosivos C4 e mísseis anti-aéreos foi desmantelado há pouco pelas autoridades americanas. A sorte foi os terroristas terem feito a compra a um informador do FBI, que vendeu armamento falso. Os atentados iriam ocorrer esta noite. Mais uma vez, o twitter antecipou-se a tudo e a todos: o @BreakingNews avançou com a notícia muito tempo antes de qualquer site noticioso ou cadeia televisiva.