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Não é da bebida*, é mesmo do Casino!

Fevereiro 18, 2009

Ainda me lembro de assistir, em criança, a uma comédia (e respectiva sequela) protagonizada por Whoopi Goldberg, em que uma artista de cabaré se via obrigada a refugiar-se numa instituição eclesiástica, ao ser perseguida por uns bandidos: “Do Cabaré para o Convento“. Os responsáveis católicos portugueses têm vindo a executar um movimento inverso (também com direito a sequela): desta vez, da paróquia para o Casino. Depois do Cardeal José Policarpo (e de um bispo qualquer), foi a vez do Cardeal Saraiva Martins participar numa tertúlia no Casino Figueira.

Saraiva Martins insiste no erro e volta a aconselhar cautela às jovens portuguesas antes de se casarem com muçulmanos. Eu não sei o que tem o Casino, mas que enlouquece (ainda mais) os nossos queridos sacerdotes, lá isso faz! Julgo que seja do cheiro da tentação: o cheiro do álcool dos copos dos clientes do bar; o cheiro das bailarinas que se costumam desnudar no meio daquele mesmo palco onde se realizam as clericais tertúlias; o cheiro do empolgamento sexual dos senhores que, da plateia, assistem às meninas; o cheiro dos adultérios que ali se cometem, entre os senhores empolgados e as senhoras desquitadas; o cheiro das máquinas que ali perto levam as pessoas à ganância; o cheiro das roletas que as levam à perdição; e o cheiro da liberdade. Enfim, o pecado total que os reprimidos padres têm a oportunidade de sentir (e desejar?) numa oportunidade única, que repetem à vez.

*Vide: O que é que ele bebeu?


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