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A cooperação estratégica acabou. E agora, Sócrates?

Dezembro 3, 2008

Não há volta a dar. O Presidente foi preterido pelo Primeiro-Ministro e pela maioria que ele comanda, em nome das ligações partidárias com a actual liderança regional dos Açores. O que se entende como uma opção: José Sócrates prefere lançar uma mensagem clara de solidariedade para com os fiéis correlegionários (garantindo todo o seu empenho no próximo ciclo eleitoral), bem como de determinação nas suas ideias, a manter a ligação a uma Belém que pode “fugir” numa segunda legislatura.

Ontem, ao início da tarde, no limite do prazo para a apresentação de propostas de alteração, o PS anunciou que não iria propor qualquer mudança na lei. Alberto Martins, líder da bancada da maioria, começou por dizer que a mensagem de Cavaco à Assembleia, aquando do segundo veto, foi estudada “com toda a atenção” e com o “maior sentido de cooperação”. E acrescentou até que o PS acompanha em “grande medida” as preocupações do Presidente”. Dito isto, anunciou que os socialistas não mudam uma vírgula no texto. Uma “divergência política” com Belém, acrescentou – “Uma vez que o Presidente da República não recorreu ao TC , foi um veto de natureza puramente política. A nossa divergência é também puramente política”. Para o dirigente, os dois artigos em questão “não põem em causa os poderes do Presidente”.

[...]

A opção a tomar face às reservas manifestadas por Belém está longe de ser consensual no PS. Vários dirigentes do partido defenderam que a maioria deveria dar eco às preocupações do Presidente da República. Segunda-feira José Lello afirmava ao DN que é “preciso contenção”. Ontem, vários deputados da maioria manifestaram-se surpreendidos com o desfecho. “Não havia necessidade de comprar esta guerra”, afirmou um responsável socialista.

Para Joaquim Aguiar, analista político (e membro da comissão política de Cavaco Silva na candidatura presidencial), a decisão socialista revela que para o PS “já não há objectivo para que valha a pena manter a cooperação estratégica”. Ou seja, “essa cooperação acabou“. E o que acontecerá, prognosticou, é que “um conflito político acabará a ser decidido por via judicial” no Tribunal Constitucional. [sublinhado nosso]

Mas isto poderá ter custos elevados, pois não se espera que Belém continue a servir de guarda-chuva e pára-raios. Lembram-se daquele estudo do Pedro Magalhães? Está para se saber como é que um Governo com o país em recessão, o desemprego em vias de aumentar, e em clima de hostilidade com o PR consegue reeleger-se. Com uma alternativa (PSD) fraccionada e em guerra civil, talvez. A equipa de Ferreira Leite começa a ceder. Mas não vá tão longe, CAA. Durão Barroso esteve para ser corrido a pontapé da liderança da oposição, e veja onde acabou…

No entanto, o mesmo CAA linka para algo que explica como o “salvamento” do BPP pode compensar, politicamente, esta morte da cooperação estratégica:

Para falar só nos grandes accionistas, quanto é que Rendeiro, Saviotti, Balsemão, Vaz Guedes e Cia. — que vêem o banco e o seu próprio cabedal salvos da falência — ficam a dever à diligência de Constâncio para encontrar uma solução e à disponibilidade do Governo para dar o aval do Estado à operação de resgate do BPP por vários bancos comerciais?

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