Arquivo de Novembro, 2008

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E vai um politiqueiro para o país de Gales!

Novembro 20, 2008

[Nota: Este post é um tanto corriqueiro, mas não há outra maneira de tratar uma notícia como esta]

1. Uma tentativa de tratamento “sério”

A Madeira tem um novo “homem bom”: o herói é o líder do PS/Madeira, que afirma que, no arquipélago, há um poder autoritário, e que as instituições nacionais são complacentes com isso (Governo PS incluído?):

Por isso, compromete-se, “sempre que houver um desrespeito das regras do Estado de Direito, a apresentar uma exposição aos órgãos competentes”. E avisa: “Se isto fosse uma coisa entre madeirenses, este assunto já estava resolvido! Mas são as instituições nacionais que toleram alguém que atenta contra o Estado de Direito e contra a pátria”.

É isso! Está criado um novo Baltazar Garzón, à la Madeira. Um verdadeiro Dom Quixote, disposto a lutar contra os moinhos que se atravessem no caminho do seu sucesso político.. perdão, dos valores maiores da justiça e do Estado de Direito!

O que é mais ridículo é que ele se lembre de falar na promiscuidade entre as instituições e o Governo Regional da Madeira, quando o Parlamento nacional (liderado pelo PS) aprovou, por unanimidade, um Estatuto Político-Regional dos Açores inconstitucional. Será que João Carlos Gouveia está disposto a falar nisso, ou os constrangimentos partidários impedirão este grande herói de dar um saltinho ali ao arquipélago do outro Carlos (César) para verificar os “atentados ao Estado e à Pátria“? Não se esqueça o João que um herói tem de lutar para todos os lados…

Ah, e não se esqueça o defensor acérrimo dos Madeirenses do Governo do seu amado PS, que cortou verbas da Madeira, por constrangimentos orçamentais, mas não se coibiu de aumentar as dos Açores desse símbolo da democracia chamado Carlos César.

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2. Os comentários (corriqueiros e execráveis) que me apetece fazer

Mas são as instituições nacionais que toleram alguém que atenta contra o Estado de Direito e contra a pátria” – isto vindo de um ex-acusado de terrorismo, que foi absolvido, e que por acaso ocorre ser protegido do PS. É claro que ele tem toda a autoridade moral para falar no assunto.

Mas esperem lá! “Se isto fosse uma coisa entre madeirenses, este assunto já estava resolvido“?!? Quantos votos teve o PSD-M de Alberto João Jardim nas últimas eleições regionais? O suficiente para lhe dar uma confortável maioria absoluta. Presumindo que “resolver o assunto” seja fazer o actual incumbente sair do poder,e tendo em conta que toda a polémica começou quando o nosso herói foi acusado (e absolvido), pelo Alberto João, de participar num grupo terrorista de libertação da Madeira dos loucos anos 70… Suponho que aquilo de que o João Carlos se queixa é do intervenionismo das leis que proíbem o terrorismo, e dos bandidos do continente que suprimiram os atentados da FLAMA…

Claro! Se isto fosse uma coisa entre Madeirenses, este assunto já estava resolvido“… à bomba! Não havia nem SIS, PSP, PJ, GNR, nem FA, nem MP ou tribunais. Os “heróis” poderiam agir impunemente. Umas bombitas no parlamento regional e no governo regional, e mais uns tirozitos na testa dos que ripostassem, e pronto! “O assunto já estava resolvido“. Pois claro!

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Palhaçada

Novembro 20, 2008

Volto a abrir as páginas dos blogues e dos media depois de alguns dias ocupados (e que vão tornar-se ainda mais nos próximos meses), e vejo notícias e comentários a umas palavras da líder do PSD. E comentários aos comentários às palavras da líder do PSD. E comentários aos comentários aos comentários às palavras da líder do PSD.

Que palavras? Ferreira Leite falava num almoço ou jantar (não sei qual dos dois se aplica, não me apetece rever as notícias em busca dessa informação balofa, era uma refeição, isso é certo), acerca da reforma na educação. Referindo-se àquilo que considera ser um erro do Governo neste processo – a hostilização dos professores – ironizou, com as seguintes palavras:

Até nem sei se não seria bom estar seis meses sem democracia para por tudo na ordem e depois voltar à democracia.

Isto, “provocando o riso dos que a ouviam hoje”, segundo o Jornal de Notícias. Ou seja, MFL estava a falar no autoritarismo que ela vê na forma como o Governo põe em prática a sua agenda, que ela acha dispensável.

O que se passou a seguir foi um autêntico despropósito. Diria mais: uma palhaçada. Não há outra palavra mais adequada para descrever o episódio que se gerou em torno das declarações de Ferreira Leite. Mas em que país é que vivemos?

Não se esperava outra coisa dos representantes do PS. É esse o seu papel: criticar tudo e mais alguma coisa no PSD, agarrando-se ao que puderem usar para denegrir a sua líder – estamos a menos de um ano das legislativas (veja-se o “profile” das intervenções políticas de Augusto Santos Silva, o cão-de-ataque do Governo, que afirmou que “existem fundadas dúvidas sobre o que a drª Ferreira Leite pensa e sente acerca da democracia“).

O que é um bocado chocante no PS é a utilização de Alberto Martins, sob o pretexto de ser líder da bancada parlamentar, para, com toda a sua dignidade de arauto da democracia (qual ironia, está hoje ele contra os alunos que atiram ovos à Ministra, quando o próprio fez parecido para se tornar herói por acaso da revolta de 1969), “julgar”, num tom fúnebre, Manuela Ferreira Leite uma ditadora. Que dirão agora os socialistas que tanto atacaram o Partido Republicano por ter escolhido a sua candidata a vice-presidente com base no seu sexo? Tenho a suspeita de que ficarão calados…

Mas é certamente assunto mais sério o tratamento que alguns media e bloggers deram a estas palavras descontextualizadas, como se fossem para ser tomadas à letra, tirando a partir daí conclusões (ou levando os espectadores a tirar essas conclusões) sobre o carácter político de Ferreira Leite. Veja-se o que se fez na SIC-Notícias, cortando as “polémicas” declarações de MFL do seu contexto – o que lhes altera completamente o sentido (contraste-se com a cobertura feita pela TVI).

Se houve realmente quem não compreendesse o que Manuela Ferreira Leite queria dizer, este fait-divers bem vem atestar o péssimo estado dos sistemas de ensino básico, secundário e superior, que nem conseguiram ensinar o significado de uma figura de estilo tão elementar quanto a ironia aos seus ex-alunos.

Caso contrário, arrogo-me dizer que há uns No Name Boys do PS infiltrados por aí, dispostos a fazer tudo o que esteja ao seu alcance pela manutenção dos socialistas em São Bento, mesmo que isso signifique deturpar o conteúdo da informação e, não será exagerado dizer, mentir. Nesse caso, o Partido fica a dever a estes senhores uns quantos salários.

Podemos discordar do pensamento de Ferreira Leite, segundo o qual, “em democracia, efectivamente, não se pode hostilizar uma classe profissional, para de seguida ter a opinião pública contra essa classe profissional, e então depois entrar a reformar – porque, nessa altura, estão eles todos contra. Não é possível fazer uma reforma da justiça sem os juízes, fazer uma reforma da saúde sem os médicos“.

MFL realmente disse, antes dessa explicação, que “Eu não acredito em reformas, quando se está em democracia…“, mas vai um longo caminho daí a colocar, por baixo da fotografia dela, a expressão a líder do PSD diz não acreditar “em reformas, quando se está em democracia” (Público).

O que MFL não acredita, portanto (é preciso frisar muito isto para os infelizes que parecem não ter tido Língua Portuguesa no seu percurso académico), é nas reformas segundo a forma escolhida pelo Governo – ou seja, “eu digo como é que é e faz-se“, o que, segundo ela, só é possível em ditadura. Daí a “proposta”: se se quer fazer isso, que se suspenda a democracia por seis meses.

[Nota: o Público, de facto, apresenta todas estas citações, mas sempre referindo-se a elas como se se tratassem de afirmações convictas de Ferreira Leite, o que já se demonstrou incorrecto. Mais avisada será a cobertura dos acontecimentos feita pelo DN - que tanto tem sido acusado de parcialidade a favor do Governo -, que cita integralmente e coloca a questão da ironia:

Um tiro no pé? Ou um exercício de ironia fina? Manuela Ferreira Leite causou ontem um turbilhão político dentro e fora do PSD por causa de um discurso proferido num almoço organizado pela Câmara de Comércio Americana em Portugal, num hotel de Lisboa.

"Eu não acredito em reformas, quando se está em democracia [pausa]. Quando não se está em democracia é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se [pausa]. E até não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia”, afirmou Manuela Ferreira Leite, perante alguns sorrisos (poucos) dos presentes na sala do hotel. “Agora, em democracia efectivamente não se pode hostilizar uma classe profissional para de seguida ter a opinião pública contra essa classe profissional e então depois entrar a reformar”, continuou a líder do PSD.]

Eu, pessoalmente, não vejo forma de fazer uma verdadeira reforma sem se enfrentar as forças de bloqueio que, naturalmente, reagirão a quaisquer alterações estruturantes. Coisa que, note-se, não é sinónimo de enxovalhar quem quer que seja, e é isso que a líder do PSD critica.

Estar disposto a esse combate é a base, é a fundação sobre a qual se edifica a mudança – se bem que seja possível criar a ilusão de reforma, atacando essas forças, para daí dizer que a reacção delas é sintoma da existência de reformas, que é o que o Governo parece ter vindo a fazer as mais das vezes (aliás, Ferreira Leite fala nisso, quando se refere à justiça e ao discurso de tomada de posse de José Sócrates).

Mas discutir as ideias da líder do PSD sobre a forma de se fazerem reformas é muito diferente de se afirmar que ela anda por aí a questionar a democracia. O que ela não fez.

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Adenda: O Miguel Botelho Moniz fala no erro de MFL em ter-se permitido a esta situação, pondo-se a jeito. Concordo que, de facto, houve um erro táctico. Em plena crise política, com o Governo encurralado pelos professores, MFL deveria, talvez, ter ficado no seu canto por estes tempos, seguindo a máxima: “nunca interrompas um inimigo a meio do seu erro”. Seria de esperar que qualquer eventual “escorregadela” ou situação dúbia fosse aproveitada para a encostar à parede – sobretudo, tendo em conta a hostilidade da parte de alguns media, como ela própria já havia reconhecido -. O que veio a acontecer: o PS encontrou, com a ajuda (indispensável) de alguns media, uma cobertura para a Ministra poder recuar na questão da avaliação dos professores, como lembra o Bruno Alves. De qualquer forma, é certo que MFL podia ter evitado esta situação, mas é sempre fácil julgar no dia seguinte.

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Ovos na Ministra… outra vez

Novembro 15, 2008

DN (14/11/2008), via O Insurgente:

O que era para ser uma reunião entre o Ministério da Educação e os conselhos executivos de 200 agrupamentos e escolas de Lisboa e Vale do Tejo, tornou-se numa invasão da escola Secundária D. Dinis, em Chelas. Já depois de os secretários de Estado da Educação terem começado o encontro com os professores, cerca de 200 alunos aglomeraram-se junto ao auditório e arremessaram ovos e tomates contra as paredes, depois de não terem conseguido atingir os carros dos governantes. Isto durante dez minutos e sem qualquer intervenção da polícia.

A notícia refere ainda que a polícia ficou à porta do estabelecimento, e que os alunos só não invadiram a sala da reunião porque.. não quiseram. Uma vez mais, a segurança dos membros do Governo falhou redondamente, ao negligenciar um potencial risco para a Ministra da Educação. Mas o mais ridículo de toda a situação é a responsável ter respondido com uma teoria da conspiração:

Questionada sobre estes acontecimentos, a ministra da Educação defende que os alunos que causaram os distúrbios não eram da Secundária D. Dinis, mas alunos que foram recrutados para ir à escola, tese também adoptada por Jorge Pedreira. “Há seguramente uma tentativa de envolvimento dos alunos, com o pretexto do Estatuto, num conflito laboral entre o Ministério da Educação e os professores”, afirmou Maria de Lurdes Rodrigues em conferência de imprensa.

Isto, depois de a reportagem do DN indicar claramente que se tratava efectivamente de alunos daquela escola:

Do habitual “ministra para a rua”, os alunos passaram para incentivos ao Benfica, entoados em tom de claque de futebol, e acabaram a entoar cânticos em honra do “Piruças”, alcunha de um colega de escola. Para esta significativa concentração em tempo de aulas contribuiu o consentimento de alguns professores da escola. “Fomos dispensadas das aulas”, contam Claudia e Sofia, entusiasmadas por a professora ter sido sensível aos seus apelos. “Então, também queríamos ir gritar contra a ministra, era injusto ficarmos de fora da manifestação”. [...]

Frustrada a tentativa de atingir os carros onde seguiam os secretários de Estado Jorge Pedreira e Valter Lemos, os alunos receberam permissão para entrar na escola. Deu-se então uma verdadeira investida contra as portas do auditório onde decorria a reunião com os conselhos executivos.

De qualquer forma, parece que a Ministra está a provar um pouco do seu próprio veneno: depois de ter conquistado popularidade com um discurso de diabolização dos professores, contribuindo para o clima de desrespeito que se vive em muitas escolas, agora a revolta volta-se contra ela. Bem ou mal, os estudantes estão a dar uma verdadeira lição de ciência política a Lurdes Rodrigues.

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Estaria o Vasco disposto a levar as suas convicções às últimas consequências?

Novembro 15, 2008

Vasco Lobo Xavier, Mar Salgado:

Imagino uma pequena história: um avião despenha-se numa ilha deserta onde não há qualquer tipo de alimentação. Os sobreviventes (um magricelas da Animal, um reco de 120 quilos e grossas pernas para fumar e um enorme e suculento capão de fazer inveja aos de Freamunde) vão ter de se comer. O tipo da Animal sugere que tirem à sorte. Eu torço para que lhe saia a palhinha mais curta.

Suponha agora o Vasco que um bando de alienígenas com uma inteligência igual a, vá, dez vezes a nossa, e um desenvolvimento científico e cultural correspondente, despenha a sua nave a meio de uma viagem intergaláctica, num planeta “deserto”, e que tem de decidir como vão tratar os “animais”, e quem o vai fazer, porque a colonização que se avizinha será longa (já que os sistemas de comunicação foram ao ar). Entre os sobreviventes do acidente está um reputado defensor dos animais no seu planeta, mas também um famoso orador que partilha inteiramente do pensamento do Vasco Lobo Xavier na matéria, segundo o qual os animais são umas “coisas”, e que só têm utilidade enquanto instrumentos ao serviço do prazer da espécie maior, sem direito a qualquer tratamento minimamente digno.

Quem prefere que ganhe o debate? O que defende que as espécies menores sejam respeitadas, ou o que diz que vale tudo porque, afinal, são todos (humanos incluídos) uns meros animais selvagens que só existem para servir a espécie “inteligente”?

O facto de sermos mais inteligentes e de termos dominado o planeta não nos deve permitir fazer aquilo que bem entendamos com as outras espécies animais, ou a suprema justiça da sorte ainda nos pode cair em cima, virando o feitiço contra o feiticeiro – o que, a crer na equação elaborada por alguns dos maiores cientistas do séc. XX, sobre inteligência extraterrestre, não é tão difícil de acontecer quanto isso.

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Sarah Palin: bode expiatório ou o futuro do GOP? [actualizado]

Novembro 13, 2008

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A propósito de um post meu de há dias, sobre a falsidade de uma suposta gaffe de Sarah Palin, vale a pena ler a síntese do Nuno Gouveia (Eleições Americanas de 2009) de outras falsas notícias que foram lançadas contra a candidata vice-presidencial de John McCain. Há uma verdadeira campanha contra Palin no interior do Partido, e resta saber se ela conseguirá superar esses ataques ou não. Certo é que há, de facto uma guerra a decorrer:

Esta guerra contra Palin no GOP tem dois objectivos: por um lado, fazer dela um bode expiatório para a derrota de John Mccain; por outro, danificar a suas aspirações em relação ao futuro do Partido Republicano. O Senador do Arizona terá “dado” ordens aos seus conselheiros mais próximos para defender Palin nestas polémicas, e ao que parece, não está contente com estas críticas à sua running mate.

Entretanto, Palin iniciou esta semana o que pode já ser considerado a sua pré-campanha para as presidenciais de 2012: uma bateria de presenças públicas nos media, com entrevistas às principais cadeias noticiosas (v.g., CNN e Fox News), culminando com uma conferência de imprensa na reunião anual da Associação de Governadores Republicanos (RGA), em que a governadora surgiu ladeada por vários homólogos, numa tentativa de a tornar na figura central do GOP (não sem algumas contestações por parte dos adversários internos).

Ler também:

How Far Will Sarah Palin Go? – Time

Look out 2012… – James Pinkerton (Fox Forum)

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Ovos na Ministra

Novembro 13, 2008

Ri-me um bocado ao ver a história num dos noticiários das 20.00: o automóvel de M.ª de Lurdes Rodrigues tinha levado com uma chuva de ovos por parte dos alunos que se manifestavam à entrada de uma escola, onde a Ministra pretendia fazer mais umas acções de propaganda.

Mas o caso é sério e desde logo me provocou indignação. Não tanto com os alunos e respectivos pais. As pessoas tomam este tipo de atitude e pronto, não há muito que se possa fazer. Eu não o faria, e acho que não se deve fazer, nem instigar ninguém (sobretudo crianças) a fazê-lo. Mas enfim.

Não, o que me indignou foi ver, nas imagens, o veículo onde seguia um responsável de Estado totalmente desprotegido, com alguns agentes da PSP quietos a ver o espectáculo. Depois, surgiram relatos de que a polícia teria abusado da força e que alguns alunos tinham ido parar ao hospital. Se assim é, alguém me diz como é que o automóvel ficou cheio de gemas? E se, ao invés de ovos, se tratasse de balas vindas da arma de um atirador furtivo? Provavelmente, teríamos assistido a imagens em directo de um cemitério. Talvez seja tempo de repensar a segurança dos governantes.

E outra pergunta: quem é que prepara a logística das viagens ministeriais? Não se entende como é que nenhum responsável da Escola, ou do Ministério que tivesse ido preparar o local para receber a Ministra, não se tenha apercebido previamente do ajuntamento, reportando para os devidos responsáveis sobre a eventual “situation” que poderia ali surgir.

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A oposição e o pesadelo das Entidades Reguladoras

Novembro 12, 2008

Foi com alguma desilusão que vi hoje a oposição comentar o recente episódio que envolve o Ministro da Economia e o Presidente da Autoridade da Concorrência. Todos os partidos representados na AR preferiram limitar a sua argumentação no caso concreto, afirmando querer ouvir os visados para perceber o que se passou desta vez.

Não tenho nada contra isso. Mas espanta-me que ninguém tenha questionado a actual moldura do sistema regulatório português. É como se, após um acidente de avião, durante o inquérito para apurar as causas, se fizesse as despistagens de álcool e estupefacientes no piloto, mas não se avaliasse o estado das condições climatéricas nem se procurasse por eventuais defeitos da maquinaria.

Enquanto continuar este grande consenso político em torno de um modelo falhado e incapaz, os episódios infelizes a que temos assistido vão continuar. Por mais inquéritos e audições parlamentares que se façam.

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Press Room: afinal a história sobre Palin e África era… mentira!

Novembro 11, 2008

Lembra-se daquela história de a candidata vice-presidencial republicana Sarah Palin não saber que África era um continente? Ainda hoje uma amiga minha usava esse exemplo para falar na incapacidade de Palin. Pois bem. A notícia terá sido baseada nas afirmações de um insider da campanha de McCain… que afinal era falso! Ninguém sabe de quem se trata, ou se a pessoa realmente existe. O certo é que não havia ninguém com o seu nome a trabalhar para John McCain.

Rachel Weiner, Huffington Post (!!!):

A former campaign adviser to John McCain named Martin Eisenstadt has outed himself as the proud source of the “Sarah Palin doesn’t know Africa is a continent” story. The New Republic and MSNBC have picked up the Eisenstadt scoop.

But it’s not at all clear that Eisenstadt exists.

[...]

Even if he did exist, Eisenstadt doesn’t appear to have been high up enough in the McCain campaign to be privy to Sarah Palin’s private utterances. According to his own bio, his role in the campaign was “offering advice and liaising with the Jewish community in particular.”

The New Republic has retracted its blog post; MSNBC’s David Shuster very quickly admitted that “there may be some indications” the story was made up.

O artigo lembra que isto não significa que a história seja mentira. Mas tal hesitação, vinda do Huffington Post, só pode significar que a história é, efectivamente, mentira. Se a fonte não existe, não passa de um embuste, como podemos esperar que a mensagem que carrega seja verdadeira? A menos que um dos destemidos inimigos internos de Palin na campanha tenha subitamente  ficado com medo de contar mais uma história. Ainda por cima verdadeira – o que já não importa assim muito, a crer nos critérios de selecção das fontes pelos media.

Mas uma coisa é certa: afinal os republicanos tinham razão quando se queixavam da comunicação social. Duvida-se seriamente que uma informação contra Obama veiculada por fonte tão ténue passasse pelos editores políticos – se nem os ataques feitos por dirigentes republicanos com nome, cara, carta de condução e percurso político e governativo tinham eco…

E uma pergunta impõe-se: que outras mentiras se terão dito sobre Palin? Não há dúvidas de que, independentemente das suas concepções ideológicas, a governadora foi particularmente alvo de uma certa “intolerância” de parte da comunicação social. E não se trata apenas da “falta de paciência” e dos dados hiperbolizados contra McCain que vimos, mas de um escrutínio sistemático e intenso, que apenas tem paralelo naquele que foi feito a Hillary Clinton. Por mim, creio em dois motivos fundamentais: o sexo e a origem de Sarah Palin.

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Continua o pesadelo das Entidades Reguladoras

Novembro 11, 2008

Já se sabia que o Ministro da Economia é para lá de medíocre nas funções que exerce. Já se sabia que ele é um oportunista político que quase literalmente se cola a quem possa beneficiar a sua imagem. E já havia casos de suspeição sobre a idoneidade da sua actuação.

Mas agora há mais um facto. E grande.

Manuel Sebastião, actual presidente da Autoridade da Concorrência, foi procurador de Manuel Pinho, em negócios particulares do actual ministro da Economia.

Na altura dos factos, Manuel Sebastião fazia parte da equipa de administradores que acompanhavam Vítor Constâncio no Banco de Portugal (BdP). Manuel Pinho era um alto dirigente do Banco Espírito Santo (BES), um dos bancos que o Banco de Portugal tinha de supervisionar e fiscalizar.

Ou seja, o Ministro nomeou, para líder de uma entidade reguladora, alguém que, no passado, enquanto membro de outra entidade reguladora (o Banco de Portugal), tinha entrado em manifesto conflito de interesses, ao praticar, com um dirigente de um Banco “regulado” (que, por acaso, é o actual Ministro) um “acto da vida privada” nas palavras do próprio sr. Manuel Sebastião.

Ilações?

Este é mais um caso que atesta não só a incompetência, como a má fé com que Manuel Pinho desempenha as suas funções. E se o principal visado nem é o Ministro, a verdade é que apenas ele exerce um cargo político (e, portanto, apenas a ele se podem impor consequências políticas). Depois, no imediato, o Presidente da Autoridade da Concorrência não tem qualquer condição para continuar no cargo. Fica provado que não tem a independência nem a imparcialidade requeridas para tal. Se, no passado, entrou em negócios com alguém que supostamente devia “regular”, pondo em causa a sua independência, como podemos esperar que não o voltará a fazer?

A um nível mais estrutural, verifica-se um padrão no sistema regulatório. Depois de casos como os da negligente regulação do Banco de Portugal (liderado por pessoas como Manuel Sebastião) – de que são paradigmáticos os exemplos do BCP e do BPN -, da péssima prestação da ERC quanto à comunicação social e da desautorização da ERSE pelo Governo, chega mais um episódio que volta a colocar em causa o actual modelo das entidades reguladoras. Já toda a gente viu (menos os responsáveis políticos, pelos vistos) que a sua arquitectura organizatória se presta a todo o tipo de clientelismos e da pior forma de corrupção: a que não se vê.

De formas teoricamente quase judiciárias – supostamente com funções de controlo independente e imparcial -, as entidades reguladoras passaram, na prática, a meios de aproximar ainda mais os gabinetes ministeriais dos conselhos de administração de certas empresas. Para não falar nas distorções de mercado e na instrumentalização a favor do Governo. Há quase uma corporativização do sistema, mediada por quem se menos esperava.

Espera-se que, a médio prazo, haja uma restruturação das normas que regem a nomeação, os critérios de escolha, e o modo de actuação das entidades reguladoras. E aconselha-se seriamente a que, no futuro, se consultem outros jurisconsultos na elaboração dessas normas, ou corre-se o risco de a solução para estes problemas se converter em mais problemas – talvez piores.

Nota: um elogio ao jornalismo de investigação do José Manuel Mestre, cujo trabalho tenho vindo a acompanhar com grande apreço. A ele se deve esta notícia. É uma pena que a SIC “maltrate” pessoas desta qualidade com directos sobre fait-divers como as cheias na Extremadura.

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A bandeira NAZI (3)

Novembro 8, 2008

O povo exigiu, o Presidente agiu:

O DN sabe que o chefe da Casa Civil de Cavaco Silva, Nunes Liberato, telefonou ao deputado Guilherme Silva que, por sua vez, entrou em contacto com Alberto João Jardim para pressionar o PSD/Madeira a levantar a suspensão do deputado do PND, José Manuel Coelho.

[...]

O processo de suspensão do deputado do PND, por ter utilizado símbolos nazis no Parlamento, seguido de proibição de entrada no hemiciclo regional, acabou por tomar proporções não esperadas pelo PSD/Madeira, a partir do momento em que todos os partidos na República começaram a exigir a intervenção do Chefe do Estado.

O silêncio de Alberto João Jardim sobre esta matéria acaba por dizer tudo. Se falasse teria de ser solidário com o seu grupo parlamentar, criando mais um problema a Belém. Neste caso, Jardim foi obrigado a calar-se para não criar mais um problema ao Presidente da República, envolvido que está na polémica em torno do Estatuto Político-Administrativo dos Açores. Tornou-se claro que a primeira decisão de suspender o deputado do PND foi tomada a quente e tudo indica que Alberto João Jardim estava por dentro do assunto, dado que o comportamento do deputado do PND tem sido tema debatido nas reuniões da comissão política do partido há muito tempo.

[...]

Certo é que a partir de ontem o presidente da Assembleia Legislativa, Miguel Mendonça, anunciou desde cedo que a suspensão apresentada pelo PSD ficara sem efeito, assumindo a ilegalidade da iniciativa, mas lembrando que era obrigado a cumprir as decisões tomadas em plenário pelos partidos. Em declarações ao DN, confirmou que o caso está sanado e que “dentro de uma semana o Parlamento irá entrar na legalidade”.

Diário de Notícias [sublinhado meu]