
Falar ou não falar, eis a questão
Novembro 21, 2008Discordo da decisão de Manuela Ferreira Leite de não comentar a polémica que se gerou em torno das suas palavras. Creio que este seria o momento adequado para a candidata a PM apresentar um discurso estruturante sobre democracia, utilizando o momentum como pretexto e alavanca.
“Não tenho propriamente nada que esclarecer porque as questões de luta partidária são algo complexo”, respondeu Manuela Ferreira Leite aos jornalistas, quando instada a esclarecer o sentido das suas afirmações. Referindo-se ainda à luta partidária, a presidente do PSD acrescentou: “Faz parte da vida, mas convivo bem com ela”.
Também não acho que MFL devesse responder aos jornalistas (e aí concordo com ela). Esse tipo de abordagem foi feita por Marques Guedes, o que é suficiente. Ela não tem de pedir desculpas a ninguém, nem sequer de fazer quaisquer reparos às interpretações que foram feitas. Mas deveria intervir directamente no assunto.
Penso que a líder deveria ter-se resguardado por uns dias, aproveitando o momento para preparar um discurso estruturante, para depois apresentá-lo, num registo cara-a-cara com os portugueses, explicando a sua visão sobre os valores democráticos, a sua experiência na vida pública democrática, e a proposta alternativa de um reformismo unificador, por oposição à prepotência que ela vê na actual maioria.
Aquando do “episódio Wright”, ao contrário do que é comum em política, Barack Obama não se escusou a falar, antes enfrentando as câmaras sobre o assunto, e, num discurso magistral sobre a questão racial, transformou um aspecto negativo num ponto a seu favor. Cada vez há menos regras de ouro na política, desde que se as saiba contornar.
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