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Stuff: Duas notas negativas ao PS, uma ao PSD e outra a Haia, e um final feliz

Setembro 11, 2008

1. Um MAI desesperado pela (verídica ou não) onda de crimes sugeriu que as culpas pela insegurança eram do veto político do Presidente à Lei Orgânica da GNR. O Presidente respondeu musculadamente e o Ministro retratou-se. Agora, é Cavaco Silva que se junta aos descontentes com a liderança da Administração Interna. Cada vez faz mais sentido o pedido de demissão de Rui Pereira pelo PSD.

Nota: em boa verdade, há que reconhecer que esta guerra mediática pode ter muito a ver com os resultados de recentes inquéritos de opinião. Um PR em queda nas sondagens e um membro deslocado de um Governo cada vez mais impopular digladiam-se. Só um vencerá – e a História não tende a favorecer os mais fracos.

2. O PS quer dificultar a participação em eleições legislativas dos emigrantes. Como? Impedindo que possam votar por correspondência, restando-lhes dirigirem-se ao consulado mais próximo (o que, virtualmente, torna o exercício do direito de voto impossível a muitos deles). Porquê? O PSD é o grande beneficiário dos votos dos emigrantes – nas últimas eleições, dos quatro eleitos pelos dois círculos internacionais (UE e fora da UE), conseguiu três. E a esmagadora maioria dos votos foi feito por… correspondência. Manuela Ferreira Leite fala, e bem, em instrumentalização das leis da República.

Esta será a segunda grande utilização do poder com fins partidários por este Governo, depois dos cortes de gastos com a RA Madeira na sequência de uma estratégia assumida publicamente pelo PM de conquistar o bastião social-democrata a todo o custo (neste caso, Alberto João Jardim demonstrou porque é que está a três décadas no Governo Regional: demitiu-se e convocou eleições antecipadas, que lhe deram uma vitória esmagadora e, mais do que isso, detonaram o “grande plano” de Sócrates, ao revolucionarem o calendário eleitoral).

Num momento em que o Partido Socialista se debate com a forte possibilidade de perder a maioria absoluta, quatro votos tornam-se mais importantes do que o seu valor absoluto. E tudo vale – até golpes de secretaria que distorçam a natureza democrática do regime.

3. Na sequência de uma notícia aqui referida, o PSD vai chamar o Ministro da Economia, Manuel Pinho, para explicar a desistência de uma empresa aeronáutica em instalar uma unidade de produção no Alentejo. Subjaz a este pedido a intenção de escrutinar o empenho pessoal e circunstancial do Ministro e das agências especializadas no sucesso daquele projecto.

Porém, como referi no post sobre a notícia, a questão não passa tanto por isso, mas antes pela burocracia e entraves colocados pelo sistema (normas, Administração Pública) à concretização atempada de investimentos privados. Esses problemas não podem ser imputados a um só Ministro, correndo o risco de se cair em demagogia.

Desde quase sempre que os investidores privados em Portugal se deparam com uma situação de bloqueio – uma verdadeira Muralha burocrática que entrava a economia e potencia fenómenos de corrupção e arbitrariedade (favorecimento de grupos afectos ao Partido no poder). E a edificação da Muralha (ou, pelo menos, a sua solidificação no regime democrático pós-1974) é tanto resultado das experiências de governação do PS como do PSD. E não de um Ministro, por pior que ele seja

4. O Tribunal distrital de Haia ilibou o Governo holandês das acusações de cumplicidade no massacre de Srebrenica. O órgão judicial aproveitou uma brecha – criada pelo facto de os militares estarem então sob a alçada das Nações Unidas – para afirmar que a Holanda não pode ser responsabilizada, ao mesmo tempo que a ONU também não, por gozar de imunidade. No entanto, é inacreditável que o Governo Holandês de então não tivesse qualquer poder sobre as suas próprias tropas.

Ou seja, uma vez mais, a culpa morre solteira. Responsáveis militares (e políticos?) de um país democrático e que afirma respeitar os direitos humanos literalmente entregaram para a morte centenas de homens muçulmanos no maior massacre dos últimos cinquenta anos na Europa. E não há responsáveis. Uma vez mais digo que é preciso repensar seriamente a Ordem Internacional. Isto não pode continuar.

5. A edição escrita do DN noticia também o caso de uma mulher de 50 anos, com hepatite em fase terminal e sob coma induzido, que foi acordada para se casar com o pai do seu filho, naquele que foi o seu último acto consciente. Uma história de ficar sem palavras: final feliz num mundo triste.

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