Arquivo de Setembro, 2008
Setembro 30, 2008
PPM, Jornal de Negócios (30/09/08):
A propósito das falências da Fannie Mae e da Freddie Mac – instituições que, atenção, foram criadas pelo Estado e só mais tarde foram privatizadas, depois de se tornarem num encargo incomportável para o orçamento federal norte-americano –, alguma esquerda afirmou-se satisfeita por os portugueses continuarem a ser obrigados a descontar para um sistema público de segurança social. Esta seria a única forma de contarem com reformas garantidas. A miopia ideológica é grave e perigosa. Num país onde se morre mais do que se nasce, a segurança social pública não tem dinheiro para pagar as reformas de todos. Confiar nas promessas do Estado será penhorar a vida dos nossos filhos.
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Setembro 30, 2008
Bagão Félix, Público (29/09/08):
No comício de Guimarães, o secretário-geral do PS, José Sócrates, disse, no agora estilo venezuelano, que, ao contrário da direita, não permitirá que as pensões sejam “jogadas na Bolsa”.
[...]
Demagógica e perigosamente, procurou lançar a ideia da total perversão do mercado de capitais, deixando-se inebriar pelo fascínio mediático de tomar a nuvem por Juno e de, consequentemente, dar a entender ao comum dos mortais que no mercado financeiro tudo é maldito e semelhante ao jogo de roleta de casino.
Foi incoerente porque assim como fala tão criticamente do “jogo da bolsa” tem lançado OPV e privatizações na mesmíssima bolsa que agora diaboliza, fazendo entusiasticamente a apologia do sucesso e do futuro promissor das “aventureiras” empresas.
Foi ainda incoerente porque “esquece” que no nosso regime público de pensões há – e bem – o Fundo de Estabilização Financeira que lhe serve de almofada de segurança a médio e longo prazos e que, funcionando em regime de capitalização, “joga na Bolsa”, para utilizar a expressão de Sócrates. Este fundo atingia em Dezembro do ano passado 7,560 mil milhões de euros, dos quais 1,5 mil milhões investidos nos EUA e Japão, além do investido em offshore (!) como, há meses, o Governo reconheceu custosamente. Curiosa ironia: a de ser um fundo de capitalização (pelos vistos, odiosa para o PM) a garantir alguma segurança no pagamento das futuras pensões do Estado!
[...]
O secretário-geral do PS quis fazer surf na perigosa onda da crise que assola os mercados monetários e financeiros. De leitura apressada e análise precipitada, lança um anátema geral sobre os mercados, atira-se não à doença e suas causas mas ao mercado em si, ignora a sua obrigação de não contribuir para minar a confiança, tem o mau gosto de fazer politiquice interna à custa do que se passa lá fora, abusa da ignorância geral sobre estas matérias. Corre o risco da prancha lhe cair em cima.
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Setembro 29, 2008
Não me repulsa que, no actual quadro funcional dos municípios, se atribuam casas a determinados intelectuais e pessoas de mérito. O que me assusta é a arbitrariedade e a falta de transparência reinantes neste processo. E a “grande coligação cinzenta” que se foi formando entre (quase) todas as forças partidárias para, numa onda de nevoeiro, varrer tudo para debaixo do tapete.
Se se queriam dar casas, ou qualquer outro tipo de prémios patrimoniais, que isso fosse feito por resolução honrosa da Assembleia Municipal (ou como lhe queiram chamar), culminar de um procedimento claro e justo. Não com golpadas arbitrárias de secretaria sem qualquer critério, que apenas favorecem desvios e trocas de favores – desvios que, à luz das recentes notícias, parecem mais do que certos.
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Setembro 29, 2008
Porque este é o centésimo post…

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Setembro 29, 2008
De regresso, um pouco enferrujado e com preguiça, depois daquela pausa. Coisas arrumadas na nova casa de Coimbra, efectuada a entrada no novo ano lectivo (o terceiro para este futuro jurista ou coisa parecida), problemas com a internet e o wireless resolvidos.
Duas semanas de interregno, e parece que, entretanto, uma crise financeira se abateu, chegou mais um fait-divers sobre abuso de poder num município (desta vez, Lisboa) e, na blogosfera, o verniz saltou entre Rui Tavares e Rodrigo Adão Fonseca (com amigos à mistura). Enfim, os mesmos sinais do Apocalipse de sempre.
Ah, e acabou em empate o primeiro de(em)bate entre os candidatos à liderança do outro lado do Atlântico Norte.
Good to be back.
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Setembro 14, 2008
Este blog entrará num interregno de uns poucos dias, “por motivos de força maior” (passe o cliché). Ainda assim tentarei postar qualquer coisa durante este período.
Para já, fica uma chamada para este artigo de Paulo Gorjão (citando Timothy Garton Ash).
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Setembro 13, 2008
A Sky News noticiava hoje de manhã:
Gordon Brown’s leadership is under increasing strain, with more of his own MPs starting to openly question if he is the man to lead the party
As críticas acumulam-se, fora e dentro do partido, imobilizando a governação de Gordon Brown. Cada vez se torna mais claro que o sucessor de Tony Blair dificilmente se reelegerá PM. Mas o futuro também não se avizinha agradável para o Labour – renovar (outra vez) a liderança, neste momento, poderá custar as fracas hipóteses que lhe restam de manter o poder.
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Sobre as recentes evoluções do caso do novo Estatuto açoreano, vale a pena ler a notícia do Sol (disponível na íntegra apenas em versão-papel):
O PS vai aprovar o Estatuto dos Açores quase sem emendas, mas depois estará aberto às alterações que o PSD venha a propor na especialidade. É o ‘gato escondido com o rabo de fora’. Ao mesmo tempo, os socialistas endossam para os sociais-democratas o ónus das alterações.
De qualquer forma, o PS nacional está entre a espada e a parede. Se não lhe convém desautorizar Carlos César em vésperas de uma eleição regional, também não pode malograr a cooperação estratégica com o Presidente. E, pelas declarações de hoje, não parece que Cavaco se contente com uma meia-cedência, ou com uma por debaixo da mesa.
Nota: sobre a importância das relações Belém-São Bento na reeleição de um partido em legislativas, importa ver isto.
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Setembro 12, 2008
Nuno Gouveia, Eleições Americanas 2008:
Será Palin uma política assim tão formidável para causar este alvoroço todo?
Sinceramente não sabemos. A verdade é que ela tem ocupado grande parte da agenda mediática, das acções da sua candidatura, e também dos ataques dos seus adversários. Eu também sigo este folhetim com bastante interesse, uma “jogada” arriscada, mas que pode transformar-se numa das mais brilhantes da história recente da política americana.
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Setembro 12, 2008
Paulo Pinto Mascarenhas, Jornal de Negócios (via O Insurgente):
A adulteração de fotografias tornou-se prática comum com um maior acesso a software apropriado e à rapidez da Internet. Pode ser utilizada com propósitos políticos ou ideológicos, normalmente para sustentar teorias da conspiração. Ainda hoje há quem acredite que George Bush estava mesmo a ler aquele livro ao contrário, correspondendo ao estereótipo comum do presidente norte-americano. Trata-se de um truque muito simples de executar num computador com o programa indicado, invertendo a imagem do livro.
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Setembro 12, 2008
Na sequência da promessa perversa de criação de 150 mil empregos durante a legislatura, o Governo anunciou recentemente que já teriam sido criados 133 mil. Acabo de ver na SIC-Notícias que, afinal, um terço são empregos criados no estrangeiro.
Não vou aqui lembrar que o mal vem de raiz, e que, numa economia de mercado, um político prometer criar X empregos é o mesmo que um criador de cães prometer X cachorros nas próximas quatro ninhadas: ou vai fazer uma inseminação artificial que consumirá todos os seus lucros para cumprir o prometido, ou está a mentir. Também não vou lembrar que, ainda que se considere que um Governo possa criar condições objectivamente mais favoráveis à economia, a promessa feita não passou de propaganda enganosa – só este ano o PS admitiu que se referia, em 2005, à criação de emprego bruto, e não líquido (ao contrário do que tinha feito crer aos eleitores), pelo que, ainda que o desemprego aumentasse mais (como aumentou) durante esta legislatura, a “promessa” seria, de forma consideravelmente mais fácil, cumprida.
Vou apenas rir-me da presunção de quem mantém uma promessa oca e continua a teimar nela, e que garante que o seu cumprimento está iminente, quando, ainda que aceitando todas as regras deste jogo maniqueísta de pensamento, o tiro acaba por lhe sair pela culatra. É caso para dizer que o feitiço se virou contra o feiticeiro. E na mesma moeda.
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