Arquivo de Agosto, 2008

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Q & A (2)

Agosto 26, 2008

No Expresso, Clara Ferreira Alves conclui:

O Presidente Cavaco é um rapaz de Boliqueime e isso não é uma coisa boa. Nem má. É o que é. Num grande país europeu como a França, a Alemanha ou a Grã-Bretanha, Cavaco seria um apêndice, nunca um órgão político.

Miguel Morgado (Atlântico, via O Insurgente) responde, em jeito de pergunta:

Num país europeu como a França, a Alemanha ou a Grã-Bretanha, o que seria feito da sra. CFA?

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Press Room: Guerra Fria, Segurança Interna, Açores

Agosto 26, 2008

Depois de reconhecer a independência da Ossétia do Sul e da Abkhazia, o Presidente russo avisa que a Rússia não tem medo de uma nova Guerra fria. Traduzindo por miúdos: o Sr. Medvedev gostaria que a Rússia tivesse capacidade para travar uma nova guerra fria – o que não tem.

O PR promulgou a Lei de Segurança Interna. Mais do que avaliar a priori se a badalada criação da figura do Secretário-geral do Sistema de Segurança Interna é positiva ou negativa, convirá esperar para ver a evolução do seu desempenho, e no que concretamente se traduzirá a sua acção, para depois emitir-se um juízo fundado. É que há muitos caminhos por onde tudo pode andar.

O Governo Regional dos Açores (PS) está a distribuir kits autonómicos aos cidadãos insulares, com direito a bandeira, hino e carta do Presidente do Governo (Carlos César, PS). Isto em campanha para as eleições… Mobilização e aproveitamento dos recursos públicos para fins partidários? C’est la vie, dit-elle.

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Q & A

Agosto 26, 2008

Ferreira Fernandes (DN) pergunta:

O senador democrata Joe Biden quando teve de escolher entre uma mulher (questão de género) e um negro (questão racial), escolheu o negro. E não foi isso o que fizeram os eleitores democratas na escolha do seu candidato presidencial?

Penso que não. HRC teve mais votos, mas menos delegados do que Obama (pelo menos, era essa a situação quando ela suspendeu a sua campanha).

Isto para além de a ideia ser completamente falaciosa: uma opção por um candidato não é entre a cor ou o sexo, mas entre projectos. Admito que muitos não optem desta forma, mas é assim que deve ser.

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Press Room: Será que ela se aguenta?

Agosto 25, 2008

Passeando pelo site do Diário Económico, em busca de mais informações sobre o assunto do post anterior, soube que a Sonae Distribuição adquiriu uma cadeia de lojas de electrónica em Espanha, para internacionalizar a cadeia Worten. Enquanto ministros se afundam, é bom ver empresas nacionais a emergir. Uma notícia que aguça o orgulho de ser português, e compensa as vicissitudes de espírito em ter um Governo medíocre.

Boa sorte, Worten ES!

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Press Room: Será que ele se aguenta?

Agosto 25, 2008

A RTP noticia, citando o Diário Económico, que a proposta do Orçamento do Estado para 2009 prevê uma diminuição das despesas inscritas para a segurança interna. Num momento em que a criminalidade se torna cada vez mais violenta e organizada, e em que a polícia se vê sem meios materiais e humanos de resposta, este corte nos gastos parece uma piada de mau gosto. Sobretudo depois de o ministro ter afirmado, em entrevista, que haveria um reforço no policiamento.

À notícia de hoje, o MAI respondeu, afirmando que não é verdadeira. Presumindo que o Ministro não anda a gozar com os portugueses, das duas uma: ou o Governo voltou atrás, ou Rui Pereira foi desautorizado. No primeiro caso, fica registada a intenção – a prioridade deste Governo não está na segurança dos portugueses. No segundo, é sinal de que se esperam mudanças no Ministério.

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Insólitos (6.0) – Quando o ridículo atinge novas proporções

Agosto 24, 2008

É o estéreotipo do patético, como bem classifica Paulo Guinote a imagem do octo-campeão olímpico Michael Phelps a ensinar o Ministro português da Economia, Manuel Pinho (para quem ainda não sabe), a nadar. Quando se pensava que o governante não se podia enterrar mais, eis que ele mergulha, e acompanhado. Para completar, Manuel Pinho afirmou ao DN que o encontro foi “fortuito”. Com jornalistas, fotógrafos e tudo. Imagino qual seja a definição de “planeado” para o Ministro…

É um episódio absolutamente lamentável, apenas equiparável ao que se passou com Bill Gates, quando metade do Governo, atropelando o velho discurso populista anti-fortunas, tentou aparecer ao lado do multimilionário.

Se se tratasse de um medalhado português, como Nelson Évora ou Vanessa Fernandes, a cena seria desculpável, como um esforço do Governo em reconhecer o mérito, ou em incentivar o desporto e a competitividade. Mas não, tudo não passou do oportunismo político inqualificável de um Ministro da República. Este é o estado da Nação. Rir é o melhor remédio.

+info (DN)

Nota (ler também):

Encontro Fortuito, João Miranda, Blasfémias;

Fotografia da capa do DN era photoshop, JCD, idem.

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Sunday Talk: Goodbye, fundamental rights…

Agosto 24, 2008

E adeus, rebeldia. Eduardo Pitta, Da Literatura:

Nisto tudo, espanta-me que Rui Bebiano, um dos pioneitos da Internet em Portugal — quem não se lembra de NON, publicação online de ideias, no tempo em que ainda não havia blogues? —, historiador, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, veja a bloga à luz das boas maneiras de um gentlemen’s club. Infelizmente, a bloga não é esse clube. E não apenas por causa do pessoal que faz terapia de grupo nas caixas de comentários. De resto, elas estão cheias de docentes do superior que não podem assinar em nome próprio certo tipo de catilinária e ataques pessoais. Ambos sabemos que os mais afoitos até fazem blogues para o efeito.

1. Penso que é bonito sempre que alguém defende as “boas maneiras de um gentlemen’s club”. Não é a suposta ingenuidade desse pensamento que é de notar, mas o desejo de um maior civismo.

2. O anonimato, desde que com ele não se vise praticar actos ilícitos (mas pressuponho que o autor se refira a todos os comentários anónimos), é um direito associado à personalidade humana. Por isso, este tipo de ataques aos comentários de pessoas que se sentiriam, de outra forma, inibidas de exercer a liberdade de expressão, constitui um golpe baixo,mesmo uma forma de violência, contra essas pessoas.

Quantos famosos autores não se esconderam sob um nome ou alcunha fictício para escrever, em jornais, e apenas com o conhecimento do director, colunas que se tornariam ícones históricos? Muitos desses artigos incluíam, nomeadamente, os ataques pessoais de que Eduardo Pitta se queixa. Nem por isso, no entanto, os historiadores, politólogos e estudiosos de literatura posteriores deixaram de escrever textos e livros de júbilo sobre aquela rebeldia em tempos de constrição social e política. A censura política talvez tenha acabado, mas o mesmo não se pode dizer da social, e nem parece que vá desaparecer.

É certamente fácil, mas será sensato atacar os direitos dos “Anonymous” (e mesmo os seus ‘não-direitos’)?

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Press Room: Passos Coelho contra veto à lei do divórcio

Agosto 23, 2008

Passos contra veto de Cavaco à lei do divórcio, DN:

Pedro Passos Coelho discorda do veto do Presidente da República à lei do divórcio. “Tenho muita pena que o Presidente da República tenha vetado a lei do divórcio, sobretudo com aqueles argumentos”, diz o ex-candidato à liderança do PSD.

Ao DN, Passos Coelho assume que apoiou a nova lei quando esta foi à Assembleia da República e adianta que “os argumentos que foram produzidos pelo PR traduzem uma concepção da família e da sociedade que está um pouco ultrapassada”.

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Insólitos (5.0) – Valentim Loureiro apoia recandidatura de José Sócrates

Agosto 23, 2008

É assim entre irmãos. O Presidente da Câmara de Gondomar afirmou que José Sócrates é um bom Primeiro-Ministro, e que um dos motivos para o possível apoio à recandidatura do Chefe de Governo é o facto de este, tal como Loureiro fez (e provavelmente fará perto das próximas autárquicas), dar computadores às crianças (SIC).

Eu não sei o que o resto do País pensa disto, mas quanto a mim, só conta contra Sócrates – demonstra o seu real “valor” enquanto Primeiro-Ministro.

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Blog Room: divórcio, insegurança e o silêncio dos bons

Agosto 23, 2008

Vital Moreira, Causa Nossa:

A fundamentação do veto político ao regime do divórcio deixa muito a desejar em termos de consistência. Em vez der ensaiar uma fundamentação aparentemente “técnica” e jurídica para o veto, melhor fora que Belém tivesse assumido deliberadamente a discordância ideológica e doutrinária que o fundamenta.

Ferreira de Almeida, Quarta República:

O primeiro sintoma de um Estado fraco é esta sensação de insegurança, extraia-se o que se extrair das estatísticas, que leva cada vez mais pessoas de bem a adquirir armas de fogo para se protegerem. Sintoma agravado por uma onda politicamente correcta segundo os melhores canones da doutrina bloquista: (i) pelo crime é sempre a sociedade a responsável, nunca o criminoso (sobretudo se pertencente a uma minoria); (ii) qualquer medida de reforço do aparelho repressivo, por via normativa ou por reforço de meios materiais das forças encarregadas de manter a ordem e combater o crime, seja entendida como o trilhar a passos largos do tenebroso caminho do securitarismo; (iii) a falta de apoio e estímulo ás polícias sempre suspeitas (e não raras vezes acusadas) de propenderem para a desproporção na utilização dos meios, atitude que chega ao ponto de se condenar nos agentes da lei o que sociológos, psicologos, juristas, analistas mais variados e até políticos imediatamente procuram compreender e até justificar quando se trata dos mesmos meios empregues pelos criminosos.
O que vemos à nossa volta, face a muitas situações em que deveríamos intervir, é característico deste estado de coisas, ou seja, muitas pessoas acomodadas, que preferem ser simples espectadoras, evitando qualquer acto ou atitude que lhes possa causar desconforto ou mal-estar. Depois queixam-se, lamentam-se e indignam-se (à calada, claro está) como se a resolução dos conflitos e dos problemas não fossem também, por uma razão ou outra, nossos, ou que acabam mais cedo ou mais tarde por nos envolver.