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Convenção democrata: o dia do discurso de Obama

Agosto 29, 2008

Às 3:00 AM, hora de Lisboa, o candidato democrata falará à América e ao Mundo. Uma hora e meia antes (1:30), o antecessor, Al Gore, fará o segundo discurso mais importante do dia na Convenção de Denver. Talvez mais tarde faça os meus comentários. Entretanto, aconselho a leitura dos textos de Nuno Gouveia, em constante actualização, no seu excelente blog, Eleições Americanas de 2008. E, é claro, a informação da CNN.

Mas fica já um: Obama vai atacar directamente McCain e compará-lo a Bush, num claro sinal de que a campanha começa a ficar renhida (sobretudo depois da queda do democrata nas sondagens):

“Next week, in Minnesota, the same party that brought you two terms of George Bush and Dick Cheney will ask this country for a third,” Obama will say, according to excerpts of his speech released Thursday. “On November 4th, we must stand up and say: ‘eight is enough.’”

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(2:25)

O discurso de Al Gore foi o esperado. Mais significativo foi o facto de a neta de Dwight Eisenhower manifestar o seu apoio a Barack Obama. É uma ajuda de uma importância fulcral para o eleitorado tradicionalista, e uma aproximação aos simpatizantes do Partido Republicano.

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(2:30)

Cada vez penso que Joe Biden está estranhamente estranho. O discurso de ontem foi péssimo, e hoje o candidato democrata a V-POTUS apareceu de surpresa no recinto, para fazer uma síntese do que ainda se vai passar antes de Obama chegar ao palco – a suas palavras voltaram a soar tudo menos naturais.

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(3:04)

Dick Durbin foi simples mas preponderante. Sem dúvida, melhor do que Joe Biden.

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(03.57)

O início do discurso de Obama foi muito bom, acreditei que fosse tornar-se um grande discurso. Mas o candidato preferiu atacar McCain na fase seguinte, insultando a sua inteligência (“it’s not that he doesn’t care, it’s that he doesn’t get it”), passando depois para o populismo do drama da mãe que tem de criar os filhos e do trabalhador-estudante.

Algo que me marcou muito, pela negativa, foi a ideia de que o Governo deve ser o principal responsável por nos dar as “boots” para andar. Obama defende que a política fiscal deve favorecer os trabalhadores e penalizar os empregadores – o que Obama não diz é que isso pode levar a mais despedimentos. Fala, bem, em reduzir a dependência energética (150 mil milhões), em melhorar a educação e a saúde – mas a que custo? Aumentando os impostos da classe média alta e rica e àquelas empresas que “don’t help economic growth” – mas a verdade contraria Obama. Aumentar os impostos dos mais ricos conduz a um desincentivo ao investimento e ao enriquecimento, enfraquece a ambição e tem efeitos na economia.

Volta a atacar McCain, que “diz que vai perseguir Osama até às portas do inferno mas nem o segue à cave onde ele vive”, esquecendo que o candidato republicano não é Presidente, nem chefe de operações contra-terroristas. Afirma mesmo que há uma “Bush/McCain foreign policy”, em mais uma manifestação de populismo. Ainda assim, garante que vai liderar uma diplomacia “tough” contra o Irão e terroristas, e de combate aos males do Mundo.

Depois de insultar McCain, diz que “the times are to serious” para que os candidatos se possam questionar mutuamente sobre patriotismo. No que lhe convém não ser atacado, os tempos são demasiado sérios. Um falso moralismo contraditório com os ataques a McCain e com o jogo perverso de colagem do candidato republicano à actual Administração.

Afirma, correctamente, que o século XXI não se coaduna com a falta de respeito pela liberdade individual. Mas o tom tornou-se coloquial e mundano. Volta a criticar “Washington”, onde ele vive e trabalha. “This election has never been about me, it’s about you”, diz, minutos depois de ter reafirmado que a corrida é entre ele e McCain.  Num erro histórico crasso, afiança que “change doesn’t come from Washington, it comes to Washington”.

Regressa ao populismo barato dos soldados e dos trabalhadores.

O discurso volta a ser inspirador, com referências à América e a Martin Luther King Jr.: “America we cannot turn back”. É o fim. Mas este, definitivamente, não é o meu candidato.

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(4:04)

A música é magnífica. O olhar  do candidato é de quem já ganhou.

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