
Convenção democrata: o dia da nomeação de Obama
Agosto 28, 2008Independentemente de qualquer consideração sobre as suas ideias, a nomeação de Barack Obama é, sem dúvida, um momento histórico para os Estados Unidos. Como disse Condoleezza Rice, a expressão “We the people” começa finalmente a fazer sentido.
Resolvi assistir a esta noite de propaganda democrata (ontem só cheguei a ouvir o extraordinário discurso de HRC). Aqui ficam algumas considerações, em constante actualização.
O discurso de Bill Clinton foi o que era suposto ser – um testemunho dum ancião, de alguém de cima, dando o seu aval ao sucessor. Esperava-se uma abordagem mais profunda à segurança nacional, o tema do dia, mas Clinton preferiu usar mais do tom altivo e sancionatório. Aliás, a CNN noticiou que houve problemas, porque o ex-Presidente preferia falar do que lhe é mais caro, a economia, enquanto à estratégia de Obama era mais conveniente que o discurso incidisse sobre o assunto que mais fragiliza o candidato. Também houve rumores sobre a possibilidade de Clinton falar no desgosto com a derrota da esposa, mas ficou-se por uns elogios ao discurso dela e por uma referência positiva sobre as primárias.
No blog da CNN, Political Ticker, Jeffrey Toobin afirma:
It was LBJ who was the legislative architect of civil rights — and made the nomination of Barack Obama possible.
Claramente, um exagero. Lyndon Johnson teve o grande mérito de ser um porta-voz dos direitos dos negros nos EUA e o responsável político que os consagrou, mas apenas isso (o que é muito). Se não o tivesse sido, outro teria. Os direitos civis têm a tendência de se afirmar, num momento ou noutro – a História confirma-o. Portanto, há razões para crer que a nomeação de Barack Obama (ou de qualquer outro) teria sido possível, ainda que LBJ nunca tivesse sido Presidente.
John McCain terá já escolhido o seu V-POTUS. Fontes da CNN referem que ambos aparecerão amanhã (sexta) juntos no Ohio. Tim Pawlenty, a minha aposta de há meses, é o nome mais falado, juntamente com Joe Liberman e Meg Whitman. Ao que parece, Mitt Romney é o preferido segundo o Politico – é curioso que a CNN não o mencione (será que eles sabem alguma coisa?).
Numa excelente análise, Nuno Gouveia classifica o discurso de John Kerry como ressentido. Devo dizer que foi o discurso menos bonito de todos.
Joe Biden está morno. A qualidade do discurso, tal como do interlocutor, deixa muito a desejar. Parece que Obama vai salvar a situação com um golpe de marketing: aparecerá “de surpresa” no palco quando o seu vice terminar de falar (CNN). Assim foi – Biden muito morno e Obama a aparecer “de surpresa”, no fim. Ainda encheram o palco de meninas bonitas (até nisso Obama imita JFK?). Nota: Jeffrey Toobin “concorda” comigo, chegando mesmo a afirmar que foi o pior discurso da noite.
Uma última referência à Presidente da Câmara dos Representantes (Câmara Baixa), Nancy Pelosi, que foi entrevistada no feed da CNN na internet, ainda no início da noite de discursos. É engraçado que a senhora mantenha a exposição mediática num momento em que o Congresso norte-americano atinge valores de impopularidade superiores aos da Administração Bush.
Publicado em Estados Unidos, Política (internacional) | Tagged Barack Obama, Bill Clinton, CNN, Condoleezza Rice, JFK, John Kerry, John McCain, Lyndon B. Johnson, Nancy Pelosi, US2008 |
[...] Politico prenunciam Tim Pawlenty como o running mate escolhido por John McCain. Afinal, parece que realmente não foi por mero esquecimento que Dana Bash, ontem, em directo, na CNN, não referiu Mitt Romney [...]