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A direita de Rui Tavares

Agosto 28, 2008

A meio de um artigo sobre McCain e Obama, Rui Tavares (5dias) afirma o seguinte:

John McCain costuma dar como seu presidente ideal o republicano (e progressista) Theodore Roosevelt, cujo militarismo e voluntarismo aprecia e em cuja “obra” — o Canal do Panamá — ele próprio nasceu, literalmente. É duvidoso que o erudito e poliglota Theodore Roosevelt atacasse os seus adversários por serem “intelectuais e elitistas”, como McCain faz e é a moda da direita à escala internacional. Mas é verdade que John McCain é, ao menos, um político mais inspirador do que George W. Bush.

A discussão sobre o essencial do artigo está feita, com a réplica aqui e a tréplica aqui. O que me interessou sobre esta passagem do seu muito idóneo e nada faccioso artigo (na senda, aliás, de toda a vida pública deste senhor reconhecidamente neutro, para além de dono da verdade [mas isso é o ecumenismo da esquerda]) é a sua referência arrogante à direita, digníssima de um historiador de mérito reconhecido e de visão alargada.

Atacar os adversários por serem intelectuais e elitistas é uma característica da direita. Apenas sua. E eu que pensava que Bloco de Esquerda, Hillary R. Clinton, Lula da Silva e Hugo Chávez eram de esquerda – estúpido, eu! E notoriamente sua. Na cabeça de Rui Tavares não cabe que Pedro Passos Coelho seja diferente de Alberto João Jardim, nem que Condoleezza Rice faça parte dessa elite que o historiador afirma ser odiada pela direita. Para ele, no seu pensamento banda larga, só cabe uma direita, a dos red necks ignorantes e estúpidos que odeiam intelectuais e crucificam a inteligência. Porque só os estúpidos são de direita.

Vá lá, Rui Tavares, até de si esperava mais do que isto.

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