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Press Room: Obikwelu. Armamento. Segredo de Estado. Letízia

Agosto 16, 2008

Obikwelu anuncia fim da carreira, Público:

Francis Obikwelu vai colocar um ponto final na sua carreira, depois da derrota de hoje na segunda meia-final dos 100 metros nos Jogos Olímpicos de Pequim. O atleta vai retirar-se e já não participará na prova dos 200m. E pediu desculpa aos portugueses por ter falhado o apuramento para a final da prova. [...]

“Não estava cansado, porque no aquecimento estava bem. Essas coisas acontecem. Mais uma vez houve falsa partida, mas não quero dar isso como desculpa. O problema foi não ter conseguido acelerar e o arranque foi muito lento. A culpa é minha”, assumiu Francis, natural da Nigéria e que obteve a nacionalidade portuguesa em 2001.

“Quero agradecer aos portugueses, porque toda a gente vê as minhas provas e quero pedir desculpa, porque estão a pagar para eu estar aqui e não consegui chegar à final. É um momento mau, porque esse é o meu trabalho. Queria dar pelo menos a final. Sinto-me na obrigação de pedir desculpas, porque esse é o meu trabalho e pagam-me para fazer isto. Deixei o meu país ficar mal.”

O velocista, que foi medalha de prata em Atenas 2004 na mesma distância dos 100m, aludiu ainda a problemas físicos para justificar o fim da sua carreira. [...]

Há dias, em Pequim, Obikwelu fez declarações que transpiravam confiança. O atleta chegou mesmo a dizer que iria surpreender a concorrência. “Sonhei com uma medalha, não tenho medo, só que a coisa não correu bem. Os outros estão muito fortes, não arranquei bem, tinha condições para estar na final, mas não consegui”, lamentou, dizendo que o melhor momento da sua carreira “não foi ganhar a medalha, foi a forma como os portugueses me trataram quando cheguei a Portugal”.

“Esse momento foi o mais giro, o mais espectacular. Há países, como a Nigéria, que quando não ganhamos uma medalha não ficam contentes, mas em Portugal o povo sempre me apoiou quando tive problemas”, agradeceu o atleta, despedindo-se com uma promessa: “Agora vou gozar a vida.”

Editorial, DN:

O mais assustador é que existe uma verdadeira corrida mundial ao armamento. Na última década as despesas militares do planeta cresceram 45%. Por causa do Afeganistão e do Iraque, os maiores gastadores são claramente os Estados Unidos, que representam quase metade das despesas globais, mas a Rússia também aumentou só no ano passado em 15% o seu investimento bélico, graças aos rendimentos dos hidrocarbonetos. Por seu lado, a China, cada vez mais próspera devido ao sucesso da sua economia, triplicou numa década as despesas militares – ainda mínimas comparadas com as americanas, mas que mostram bem as suas ambições estratégicas.

[...]

O segredo de Estado só faz sentido em situações extremas e bem definidas do ponto de vista legal. Trata-se de casos excepcionais em que o acesso público à informação – normal em democracia – tem de ser negado em nome do interesse superior do Estado. [...]

Para que a opinião pública aceite a necessidade de existir o segredo de Estado a aplicação deste deve ser reservada a casos de força maior, que não causem quaisquer dúvidas : a organização da segurança interna é uma delas.

Não somos o que a osmose nos torna – Ferreira Fernandes, DN:

O príncipe Felipe e a mulher, Letizia Ortiz, estavam a ver um jogo de basquetebol em Pequim. Foram cercados por jornalistas. Letizia foi estagiária no ABC (começou coerente com o seu futuro: um jornal monárquico) e acabou a apresentar o principal telejornal da TVE. Ela perguntou, com aquele franco falar próprio dos espanhóis, a um dos jornalistas: “E tu trabalhas para onde?” Respondeu o outro que para um jornal latino-americano. E não devia ser da imprensa cor-de-rosa porque devolveu a pergunta: quem era ela? Letizia deve ter ficado surpreendida, uma princesa de Espanha habitua-se a ser reconhecida, e respondeu: “Eu sou princesa.” Tivesse ela sido torneira mecânica, num encontro de torneiros mecânicos, ela deveria ter dado essa condição nobre: “Fui torneira mecânica.” Nós valemos pelo que fazemos, não o que a osmose nos torna. Gostaria de tê-la ouvido apresentar-se assim: “Eu fui jornalista.” Depois podia ter acrescentado o resto, simples circunstância.

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